Fecomércio aponta o cartão de crédito como vilão na inadimplência das famílias

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SUL FLUMINENSE

Ao menos 545 mil famílias estão inadimplentes no Estado do Rio de Janeiro, e 43,3% delas não terão condições de pagar as dívidas, permanecendo na inadimplência. Os dados são da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio de Janeiro (Fecomércio), apurado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), no relatório da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC RJ). Os números representam o menor índice de inadimplência no estado desde 2015, mas ainda chama a atenção pela dificuldade que os consumidores encontram para ficar longe do serviço de restrição ao crédito.

A pesquisa mostra que em janeiro o endividamento teve leve queda, de 0,9 ponto percentual e atingiu 59,4% das famílias, frente 60,3%, na comparação com dezembro. Entretanto houve queda significativa, de 5,5 em relação a janeiro de 2017. O dado representa cerca de 1,4 milhão de famílias com compromissos com cartão de crédito, empréstimos e financiamentos. Aliás, o levantamento da Fecomércio indica que o cartão de crédito continua sendo o principal meio de endividamento das famílias, mencionado por 76% dos endividados.

De acordo com a pesquisa, há um ano esse percentual era de 80,3%. No comparativo mensal, o índice se manteve estável. Situação típica de muitas famílias do Sul Fluminense. “O cartão é o meu céu e o inferno ao mesmo tempo. Se não usar com inteligência vira uma bola de neve, avalanche completa. Já tive dívida com operadora em mais de R$ 5 mil, por uma conta menor que a metade desse valor. Hoje, penso muito antes de usar e prioriza pagar tudo à vista”, informa a dona de casa Maria Lúcia da Cunha, de Resende.

A economista e orientadora financeira, Eliane Barbosa, frisa que para fugir da tentação do cartão o consumidor deve priorizar de fato as compras essenciais mediante análise dos custos com juros. “É fundamental analisar quanto fica uma compra com o cartão de crédito, juros, prazos de vencimento, perante a chance de pagar à vista. Sugiro fazer economia de recursos, tentar pagar a vista, e não tendo jeito, negocie uma entrada do valor abatendo o restante dentro do seu orçamento. E se comprar no cartão, que pague a fatura integral, evitando o rotativo e acúmulo de taxas”, informa.

Segundo a Fecomércio, em seguida, as principais dívidas mencionadas pelos entrevistados foram carnês (11,1%), financiamento de imóvel (10,4%), crédito pessoal (9,1%), financiamento de carro (8,5%) e cheque especial (5,8%). O levantamento aponta ainda que as famílias com renda de mais de 10 salários mínimos usam menos o cartão (73%) que aquelas com menor renda (76,7%).

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