Minha cerimônia de casamento que custou R$ 15 mil

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Mês de maio é quando a primavera atinge o auge no hemisfério norte, que é todo tomado por lindas flores. Dizem as antigas lendas que pela beleza de maio ele sempre foi associado ao feminino, e como por longos anos as pessoas achavam que pensar em casamento era coisa de mulher, maio virou o mês das noivas. Já que estamos neste lindo mês resolvi escrever sobre um assunto que muitas pessoas me pedem, mas eu resisto há tanto tempo: A cerimônia do meu casamento que custou R$ 15 mil.

Quem me acompanha aqui na coluna ou no Instagram já percebeu que de todas as ideias que eu defendo para uma vida financeira saudável a que mais repito é que a vida simples é boa. Eu não estou me referindo à mesquinharia e optar por uma realidade difícil, e sim por se autoconhecer, encontrar em si o que é importante para você e realizar, sem a necessidade de suprir a expectativa de quem te assiste. Quanto mais se internaliza esse conceito, menos a gente faz questão de ostentar, e mais a nossa capacidade de acumular riqueza fica eficiente. Toda essa simplicidade que sempre defendi resolvi colocar em prática na minha cerimônia de casamento, com a certeza de que o importante é o que estava acontecendo, e não como está acontecendo, foi a hora de inovar.

A primeira coisa que alguém em busca de manter um orçamento precisa, é planejamento, não dá para fazer tudo em cima da hora e esperar pagar o melhor preço, ainda mais eu que não conhecia o mercado. Eu e meu marido já éramos casados e resolvemos realizar a cerimônia religiosa. Para isso, planejamos o nosso orçamento e demos início a nossa empreitada um ano antes. Começamos a procurar a indústria de casamento que nos surpreendeu. Como essa data já parte dos sonhos mais desejados, o poder de barganha fica com a parte que tem o objeto de desejo e por isso encontramos preços superfaturados.

Mas no nosso caso já tínhamos o nosso objeto de desejo, a cerimônia, que iria acontecer de qualquer jeito, mesmo se fosse só com o padre, então era mais fácil resistir. Nas incontáveis reuniões que tive com os prestadores de serviços a frase que ouvia de todos era a mesma: “Mas seus convidados vão sair falando mal”, e eu pensava que isso realmente não importava, porque o objetivo não era impressionar ninguém e sim compartilhar um momento tão feliz com quem quisesse fazer isso conosco.

Todas as opções nos obrigavam a limitar os convidados a um número que nem de longe era o que queríamos e então tomamos a decisão mais inovadora que nossa cabeça foi capaz, abandonamos a indústria de casamento e adaptamos os mesmos serviços que antes eram prestados a outros fins. Fizemos uma recepção simples, com bolo e prosseco no final do casamento, bem no pátio da igreja, e para não frustrar quem esperava uma grande festa, escrevemos no convite que haveria apenas um brinde. Uma amiga minha gostava de fazer bolos e tinha acabado de fazer um curso de confeiteira, ela ganhou sua primeira encomenda para fazer um bolo de casamento e eu comprei um bolo mais barato que a média. Contratei três músicos da igreja que não tocavam profissionalmente por um terço do preço, e tive uma mini orquestra linda. O aluguel do carro me custaria R$ 800 para me levar até a igreja, por isso pedi um Uber Black que custou R$ 80 e me levou na maior segurança e com muita simpatia. Contratei a equipe que decora um clube que eu era sócia para decorar a igreja e pedi uma decoração minimalista, e saiu por um quarto do preço que eu tinha encontrado antes.

Muitas outras coisas foram feitas de forma não convencional, poderia ficar escrevendo por mais dez parágrafos, mas só deu certo, e muito certo, trazendo uma realização imensurável e uma alegria que não cabe nestas linhas porque foi feito para realizar o nosso desejo e não para ostentar. Convidamos 300 pessoas, e nossos amigos mais queridos estavam lá, para provar, junto com a gente, que a vida simples é boa.

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