Qual é o futuro do mercado imobiliário pós-pandemia?

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Essa pandemia nos apresentou uma nova maneira de trabalhar, o home office. Foi recebida com alegria por uns e com muito lamento por outros, mas mostrou que o mesmo lugar pode compartilhar a função de morar e trabalhar. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos 50 anos a população brasileira mais do dobrou o que demanda um espaço maior para as duas atividades. Grandes centros se tornaram exclusivamente comerciais e estavam cada vez mais lotados. Será o home office a solução para o inchaço dos grandes centros corporativos? E o que serão desses imóveis? Estarão abandonados, sem função?

Quando tinha 18 anos, morava em um bairro chamado Costa Barros, na periferia do Rio, e trabalhava em uma central de telemarketing que ficava no centro da cidade. Eram 58 km de deslocamento diário, através de um intenso engarrafamento que consumia 5 horas do meu dia, dentro de um ônibus lotado de outros trabalhadores que também precisavam fazer grandes trajetos para chegar ao trabalho. Todo dia, passando pela linha vermelha, eu via grandes espaços vazios e me perguntava por que não existiam empreendimentos corporativos por ali que pudessem abrigar esses mesmos trabalhadores que viam de tão longe? Por que as empresas só existiam no centro do Rio de Janeiro? Ao mesmo tempo essa concentração oferecia outro problema, aos sábados, entre as ruas desertas, com o comércio fechado, eu ia do ponto de ônibus ao local de trabalho com medo.

Ainda é pequena a porcentagem da população que tem estrutura para manter o home office. Um bom sinal de internet, espaços ergonômicos e amplos a ponto de não ser afetado pelos outros moradores da casa enquanto também trabalham, cozinham, reformam e até brincam, considerando os pequenos. A minha opinião é que o efeito será uma grande reutilização dos espaços. Aprendemos com o coronavírus que os espaços de trabalho não podem ser tão densos como os de costumes, e também que a falta de interação pode afetar a produtividade. Em um primeiro momento acredito em uma fase difícil para o comércio dos grandes centros, mas depois, um surgimento de novos espaços de coworking que antes nem eram cogitados. Regiões pouco exploradas podem receber estes espaços e desenvolver novas atividades comerciais na região, e os grandes centros podem abrigar espaços residenciais e se revitalizar tendo vida comercial também nos finais de semana.

Todo mundo ganha. A empresa com locação de espaços mais baratos, os trabalhadores com redução do deslocamento, os antigos centros com ruas revitalizadas e a economia com a maior produtividade.

 

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