Sinditac comenta pacote do governo federal e nega mobilização

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SUL FLUMINENSE

A sinalização do governo federal em promover mecanismos de valorização para atividade dos caminhoneiros e as medidas já anunciadas nesta terça-feira, 16, reduziram drasticamente a hipótese remota de ocorrer novas mobilizações nas rodovias do país e região, segundo informou o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas do Sul Fluminense (Sinditac). O governo federal anunciou a liberação de R$ 500 milhões para linha de crédito aos caminhoneiros autônomos, com a projeção limite de até R$ 30 mil por motorista, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além disso, informou que realizará o investimento de R$ 2 bilhões em rodovias, sendo R$ 900 milhões para manutenção das estradas. De acordo com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a linha de crédito é exclusiva para os profissionais autônomos que tenham até dois caminhões por CPF. O dinheiro deve ser usado restritamente para a compra de pneus e a manutenção dos veículos. O empréstimo será disponibilizado inicialmente no Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e depois nas instituições financeiras privadas e cooperativas de crédito de todo o país.

Segundo Francisco Wilde, presidente do Sinditac Sul Fluminense, ainda em pauta no governo até o fechamento desta reportagem, a política nacional de preços dos combustíveis segue como carro-chefe. Na semana passada, devido à possibilidade de paralisação, o presidente Jair Bolsonaro interveio no anúncio do aumento do diesel. A Petrobras havia anunciado reajuste de 5,75% e voltou atrás. “Não há nada sobre greve, paralisação, movimento nas estradas. Não queremos ser uma ameaça, jamais. Pedimos apenas o respeito. A categoria está contente com o avanço pela tabela do frete e aguarda um planejamento para o frete rodoviário”, comenta Wilde, citando o controle do preço do óleo diesel como fundamental. “O diesel é o carro-chefe e consome mais de 40% do valor do frete. A tabela do frete acompanha o diesel, não existe nenhuma probabilidade de fazer uma greve por isso, mas o governo entende que a categoria vai reclamar e fazer protesto caso ocorra reajustes constantes. O caminhoneiro só quer conseguir sobreviver de sua atividade com dignidade”, frisa.

LINHA DE CRÉDITO

Para o sindicalista que concentra mais de 9 mil associados em 17 municípios do Sul Fluminense, a linha de crédito para compra de pneus e manutenção dos veículos de nada adiantará se o caminhoneiro não tiver recurso para quitar seu empréstimo. “É uma medida favorável, mas precisamos ter o trabalho, rodar e ganhar dignamente para que possamos pagar pelo empréstimo. O frete precisa ser bom para que o profissional melhore seu caminhão. Atualmente, um caminhão com 10 anos de uso custa na faixa de R$ 80 mil a R$ 100 mil, o que não está ao alcance de todos. Podiam pensar em valores que permitissem a troca de frota, por exemplo”, pondera Francisco Wilde, argumentando que o pneu de uma carreta custa em média R$ 1,5 mil. “Nossa preocupação é com a fonte de renda, o que o caminhoneiro só poderá garantir rodando, trabalhando”, argumenta.

O Sinditac Sul Fluminense conta com representantes que acompanham as negociações com o governo federal, em Brasília, centralizadas pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

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