A inovação do coronavírus

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Vivemos em um mundo moderno, onde a oferta das coisas em geral sempre foi muito abundante. A tecnologia vem facilitando a vida e nos habituando a esquecer de o que é ter restrições. O resultado de tanto avanço é uma geração de adultos infantilizados, incapazes de tomar decisões, assumir responsabilidade pelo andamento da própria vida e estabelecer relações com o meio que vive. Fomos acostumados a trocar em vez de consertar, e isso não se limita só a objetos, mas a relações de negócios e pessoais também.

Como um freio para a evolução da imaturidade generalizada surge o coronavírus, que nos convida a ter uma nova relação com o mundo através das restrições. Com escassez mais relevante, temos que aprender a organizar o dinheiro que chega com menos frequência; os recursos que não podem ser desperdiçados; e o tempo que precisa ser dividido entre o home office, os a fazeres domésticos e os cuidados dos filhos. De repente não podemos mais terceirizar a solução dos nossos problemas, começamos a resolvê-los e nos tornamos adultos.

Uma criança tem muita dificuldade para adiar uma satisfação, não sabe lidar com a ansiedade e toma atitudes incoerentes. Se observarmos de perto, não estamos mudando muito, ultimamente estamos cronicamente ansiosos, o que nos impede de adiar uma satisfação mesmo sabendo o quanto vai ser vantajoso. O nome dessa incapacidade é ‘Desconto Hiperbólico Subjetivo’. É isso que nos faz não planejar a aposentadoria porque não sabemos se vamos viver até lá e a consumir desenfreadamente com cada vez menos critérios.

A maior inovação criada pelo coronavírus talvez seja o minimalismo e a paciência que preenche um tempo maior entre uma satisfação e outra. Hoje em dia o termo “gratidão” ficou banalizado, chega ser chato, #gratidão pra lá, #gratidão pra cá, mas de fato parar, refletir sobre a alegria da conquista e agradecer a você mesmo, te ajuda a amadurecer e a encontrar mais serenidade.

 

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