Seis meses após cesárea, mulher expele esponjas da barriga e acusa Hospital da Mulher de negligência

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BARRA MANSA

Uma moradora do bairro Ano Bom, em Barra Mansa, Flávia Travassos Marins Pontual, de 29 anos, procurou o A VOZ DA CIDADE e acusou o Hospital da Mulher de negligência. Segundo os relatos, os médicos teriam esquecido duas esponjas dentro dela após a cesárea, o que causou uma série de infecções e, depois de seis meses, o corpo expeliu os objetos. Ela destacou que a unidade hospitalar se justificou alegando que o procedimento com a esponja (gelfoam) é normal e foi utilizada para controle de hemorragia, uma vez que sua gravidez era de risco por ser a quinta cesariana.  Contudo, a paciente afirma que em momento algum foi informada sobre o procedimento e que chegou a voltar na unidade diversas vezes com fortes dores e ninguém especulou uma possível rejeição do organismo.

De acordo com a nota enviada pela Prefeitura de Barra Mansa na última segunda-feira, dia 3, o Hospital da Mulher se pronunciou a respeito das publicações feitas nas redes sociais pela paciente. A nota destaca que: “A equipe médica, durante o ato cirúrgico, decidiu utilizar como mecanismo de ação hemostática o produto de uso restrito hospitalar denominado gelfoam. Essa substância, uma vez aplicada, tem como finalidade auxiliar o controle da hemorragia provocada por procedimentos de alto risco. Trata-se de uma esponja estéril de gelatina absorvível, onde há relatos na literatura que no pós-operário, alguns pacientes podem apresentar reações, como rejeição ao produto aplicado e consequente eliminação de forma espontânea, mesmo depois de algum tempo”.

No entanto, Flávia questiona o motivo do hospital não ter especulado uma possível rejeição do organismo nas vezes que ela retornou a unidade passando mal. “Eles não sabiam o que eu tinha, me mandaram colocar bolsa quente na barriga, passaram remédios e trataram minha situação com descaso, fazendo parecer que eu me sentia mal por ser minha quinta cesárea. Mas o que eu tava sentindo não era normal, eu não conseguia ficar em pé”, disse, expondo que chegou a procurar outros hospitais depois. “Mas ninguém conseguiu descobrir o que eu tinha”, completou.

“FIQUEI SEIS MESES PASSANDO MAL”

“Começou a surgir uma espécie de furúnculo na minha barriga e as duas esponjas saíram por ali. Eu fiquei muito assustada naquele dia”, relatou a paciente sobre o fato, que ocorreu no último domingo, dia 2. Na segunda-feira, dia 3, Flávia chegou a ir a Santa Casa e levou as esponjas para os médicos verem e explicarem o que era. “Ninguém soube me afirmar o que era aquilo. Eu pesquisei no Google sobre a gelfoam, que eles disseram utilizar, mas é muito diferente do objeto que saiu de dentro de mim”, disse.

Flávia destacou ainda o caso já está nas mãos da sua advogada e que a esponja passará por perícia. “Eu poderia ter morrido. Mas graças a Deus o meu corpo expeliu isso, porque se não fosse por Ele, não sei o que seria de mim. Fiquei seis meses passando mal, procurando vários médicos, tentando descobrir o que eu tinha”, lamentou, contando ainda que seu marido teve que parar de trabalhar para cuidar dela e dos cinco filhos.

“NÃO VOU ME CALAR”

Ainda de acordo com a paciente, no dia do parto, que ocorreu no dia 22 de janeiro, ela estava muito nervosa pela gravidez ser de risco. “Meu marido foi em casa pegar roupas, e quando chegou, minha filha tinha acabado de ser retirada. Ele viu colocarem as esponjas dentro de mim e perguntou ao médico o que era aquilo e o doutor pediu que ele se retirasse da sala”, expôs, destacando que, como ele saiu, não havia como saber que os materiais tinham sido deixados dentro dela. “Eu sou cristã, sou pastora, e agradeço a Deus por estar bem. Mas não vou me calar, eles poderiam ter me matado”, finalizou.

O A VOZ DA CIDADE entrou em contato com a Prefeitura de Barra Mansa questionando o motivo da unidade não ter informado a paciente sobre o procedimento e porque não foi levantada a suposição de rejeição do organismo quando ela voltou passando mal. A unidade respondeu que após a perícia do material, serão tomadas as devidas providências.

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