Prefeitos do Sul Fluminense dizem que continuarão com determinação de isolamento domiciliar

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SUL FLUMINENSE
Um dia depois do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em rede nacional onde criticou medidas de isolamento e quarentena tomadas por governadores no combate ao coronavírus, muitas foram as repercussões negativas, críticas de entidades de saúde e de políticos. Falando pelo Estado do Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel disse que mantém a determinação para a população ficar em casa. “Peço mais uma vez ao povo fluminense: fique em casa. Siga as recomendações. Não queremos acabar com as empresas, exterminar empregos. Queremos preservar vidas”, afirmou Witzel. “Ressuscitar a economia a gente consegue. Ressuscitar quem morreu é impossível”, completou. O A VOZ DA CIDADE ouviu prefeitos da região sobre a continuidade do isolamento domiciliar, e todos os que se pronunciaram disseram ser favoráveis as ações nesse momento.
A recomendação para isolamento é da Organização Mundial de Saúde (OMS) e acontece em vários países do mundo. Em diversos estados do Brasil os governos locais determinaram medidas de fechamento temporário do comércio, escolas e serviços não essenciais para evitar o avanço do vírus. Em sua justificativa, o presidente da República disse que todo o isolamento criará uma crise econômica e gerará o desemprego. O presidente disse que definiria com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para que sejam adotadas orientação de isolamento vertical, ou seja, deixando apenas idosos, pessoas com comorbidades preexistentes e indivíduos infectados ou com sintomas causados pelo novo coronavírus, fora das atividades de suas comunidades.
A decisão de continuar com o isolamento e as medidas restritivas mesmo após fala do presidente da República não foi apenas do governador do Rio de Janeiro, mas de outros 24 governadores do Brasil, dos 26 estados existentes e o Distrito Federal.
PREFEITOS SE MANIFESTAM
O A VOZ DA CIDADE procurou todos os seguintes prefeitos da região para saber como se posicionariam diante do pronunciamento do presidente: Eduardo Guedes, de Itatiaia; Diogo Balieiro, de Resende, Ailton Marques, de Porto Real; Bruno de Souza, de Quatis; Rodrigo Drable, de Barra Mansa; Samuca Silva, de Volta Redonda; José Osmar, de Rio Claro; Ednardo Barbosa, de Pinheiral; Mario Esteves, de Barra do Piraí; Fernando Jordão, de Angra dos Reis. Alguns prefeitos não se manifestaram até o fechamento desta edição.
Em Volta Redonda, segundo o prefeito Samuca Silva, a prevenção com quarentena é o único remédio contra a Covid-19. “Elaboramos um planejamento para isso, criamos um comitê de combate a Covid-19 pautado pelas instruções da OMS (Organização Mundial da Saúde), do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde. Além disso, estudamos a conduta de países e cidades pelo mundo que sofrem com essa pandemia. Ainda é cedo para avaliar a mudança de estratégia. Temos tido a responsabilidade de tomar medidas preventivas. Duras, mas comprovadamente necessárias para achatar a curva de contágio e evitar um colapso da nossa rede de atendimento. Estamos tomando medidas como a criação do hospital de campanha, colocamos à disposição do Estado o Centro Municipal de Saúde (antigo Santa Margarida) e o Hospital do Idoso, como forma de ampliar nossa capacidade de atendimento, porém não podemos deixar de seguir aqui que especialistas do mundo inteiro orientam para que vidas sejam preservadas e evitemos que um impacto gigante na nossa saúde pública e privada. Repito, nossa prioridade é salvar vidas”, apontou o prefeito Samuca Silva.
O prefeito de Pinheiral, Ednardo Barbosa foi outro que afirmou que as medidas continuam na cidade. Ele disse que todos ficaram perplexos com o pronunciamento do presidente “O comércio de Pinheiral se mantém fechado, hoje (ontem) encontrei com mães pedindo pelo amor de Deus para não voltar com as aulas, deixamos serviços essenciais abertos, o atendimento no pronto-socorro está bem equilibrado, conseguimos através de ação na Justiça que a Viação Pinheiral circulasse com 50% dos passageiros, mas atendesse a população. O único problema era esse, o restante da cidade está se comportando bem. Temos dois casos suspeitos”, informou Ednardo.
Porto Real é outro município que não pretende reduzir as ações contra a Covid-19. O prefeito Ailton Marques disse que criaram o plano municipal de contingência, criaram gabinete de crise, em decretos determinou fechamento do comércio, aglomerações, estão higienizando as ruas, pontos de ônibus. “Mudamos também expediente na prefeitura, pessoas com mais de 60 anos foram dispensadas do trabalho. O presidente na minha opinião foi infeliz em sua colocação. Temos que tirar as pessoas das ruas para evitar o contágio. Nada muda em Porto Real”, afirmou.
Em Resende, segundo o prefeito Diogo Balieiro Diniz, nada muda, até porque o presidente da República não fez ainda um decreto determinando como todos devem fazer.
QUATIS
Em nota, a Prefeitura de Quatis, gerida por Bruno de Souza esclarece que tem fundamentado suas ações contra o coronavírus na garantia da saúde e assistência social do munícipe. “Diante da relação conflituosa entre governo federal e governo estadual, o prefeito, em conjunto com a Procuradoria Jurídica e o setor sanitário do município, estará avaliando de forma independente a possibilidade de flexibilização ou não do funcionamento de alguns setores. De qualquer forma, essa liberação estará condicionada à manutenção das medidas preventivas e de segurança a saúde da população”, diz trecho da nota.

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