Delegado pede prisão temporária de PM que atirou contra jovem em posto de combustível no Centro de Resende

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RESENDE

O delegado titular da 89ª Delegacia de Polícia (DP), Michel Floroschk responsável pela investigação da morte de Gustavo Afonso Barbosa Lobo, 21 anos, informou na tarde de quarta-feira, dia 19, a prisão temporária do policial militar que fez o disparo contra o jovem. Gustavo Afonso foi morto, no ultimo dia 07, durante uma suposta tentativa de assalto contra um policial lotado no 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro e morador de Resende. O crime aconteceu em um posto de combustível localizado na esquina da Avenida Gustavo Jardim com a Rua Pintor Nunes de Paula, no Centro da cidade. O policial militar já está detido na delegacia de Resende e será transferido para o Batalhão Especial Prisional (BEP), no Rio de Janeiro. A arma do policial militar, uma pistola 380 e munições foram apreendidas.

Segundo o delegado, o pedido de prisão cautelar temporária, que tem um prazo de 30 dias, foi feito levando em conta o relatório da perícia técnica que analisou as imagens das câmeras de segurança da prefeitura e mostraram a abordagem do policial militar contra o jovem e o laudo cadavérico. “O policial militar investigado tentou simular um suposto roubo, que teria justificado a morte da vítima, montando um auto de resistência. Após tais fatos, policiais civis passaram a diligenciar buscando imagens dos fatos, ainda mais que familiares do falecido Gustavo procuraram o Ministério Público relatando uma possível execução da vítima”, contou Florochk. O delegado informou ainda que após análise das câmeras de segurança demonstraram que o policial militar teria mentido sobre a suposta tentativa de roubo. “Infelizmente, a análise das imagens da prefeitura demonstram cabalmente que o policial militar mentiu sobre os fatos, simulando um roubo a justificar a execução de Gustavo. As imagens mostram que a vítima, que estava de bicicleta na calçada do posto de gasolina, foi abordada pelo policial. Em seguida, a vítima correu e o policial foi atrás quando foi efetuado disparos de arma de fogo. É inegável que após os fatos, o policial militar retornou para o carro, onde pegou o simulacro de pistola e retornou para o local onde baleou Gustavo”, explicou Floroschk, acrescentando que o laudo cadavérico informa que a vítima morreu em decorrência de um tiro nas costas.

Policial militar será transferido da 89ª DP(Resende) para o Batalhão Especial Prisional (BEP), no Rio de Janeiro-Cyntia Freitas

De acordo com o delegado Michel, o policial militar vai responder por homicídio, fraude processual e falso testemunho. “As provas colhidas demonstram que o policial militar efetuou tiros contra a vítima por motivo fútil e sem possibilidade de reação. Após executar o jovem, o policial alterou a cena do crime, colocando um simulacro de arma de fogo nas mãos do falecido. Desta forma, existem fortes elementos de convicção de que o suspeito praticou o crime de homicídio doloso qualificado, bem como fraude processual. Além disso, ele vai responder por falso testemunho porque induziu o frentista do posto de gasolina a mentir sobre a tentativa de roubo ao estabelecimento comercial. O depoimento do investigado pode apontar o mandante do homicídio, já que o policial militar era segurança do posto de gasolina, Por isso, torna-se necessário a medida cautelar para se garantir a eficácia de futura ação penal, com a possibilidade de colheita de prova”, esclareceu Floroschk, afirmando que o frentista também vai responder por falso testemunho.

NOTA OFICIAL

Em nota oficial enviada ao jornal A Voz da Cidade pela Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar Coordenadoria de Comunicação Social (CComSoc) informa que, segundo o comando da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o policial militar já está preso e um procedimento apuratório foi instaurado e correrá junto às investigações da Polícia Civil.