Após tragédia em Brumadinho, ambientalista diz que escória da CSN precisa ser fiscalizada

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VOLTA REDONDA

Toda vez que uma tragédia acontece em alguma cidade brasileira, como a de Brumadinho (MG), moradores do município, principalmente os do bairro Brasilândia e adjacentes, ficam mais preocupados. É que, mesmo depois de fiscalizações, audiência pública e outras ações realizadas no ano passado para reduzir o monte de escória, resíduos do processo de fabricação de metais da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que media cerca de 30 metros de altura, o medo que o produto escorra e contamine as águas do Rio Paraíba do Sul, volta à tona. Em entrevista ao A VOZ DA CIDADE, o ambientalista Délio Guerra, garantiu que o problema não pode deixar de ser averiguado.

Segundo o ambientalista, desde a vistoria que a Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e vereadores de Volta Redonda fizeram em julho do ano passado na empresa Harsco Metals, prestadora de serviço para a CSN, o problema foi amenizado. Disse ainda que, com isso, foi possível que a população respirasse uma pouco mais aliviada. “Tudo foi verificado na ocasião e o monte de escória, com certeza foi reduzido. Só que, com esse caso em Brumadinho, temos que averiguar se os cuidados continuam”, declarou Délio, ressaltando que, principalmente nessa época de chuva quando os resíduos podem escorrer para o Rio Paraíba que venha transbordar e assim causar danos em vários bairros da cidade.

Délio lembrou que, em relação como estava em junho, o monte reduziu consideravelmente de altura. “Nem por isso, ficamos totalmente aliviados, pois os riscos devem ser averiguados sempre. Sem dúvida, se a chuva arrastar esse material para o rio, além de comprometer as águas, pode causar também uma grande catástrofe. Temos que ter controle e observar. Sabemos que melhorou, mas o caso não pode cair no esquecimento. A fiscalização deve continuar. Vamos acompanhar”, destacou Délio.

MEP

O representante do Movimento Pela Ética na Política (MEP), José Maria da Silva, o Zezinho, se mostra mais preocupado. Declarou que o Movimento sugere estudo geotécnico da montanha de escória em Volta Redonda e que diante do novo fato em Brumadinho, logo vem à tona a ‘montanha’ que, para ele, continua viva e alta diante dos olhares da população, em especial à da Região Leste da cidade.

Zezinho lembrou que, consultados por ele, os especialistas do MEP das áreas de engenharia e geologia falaram que o caso de Volta Redonda ainda merece sim um estudo geotécnico. “Há necessidade de analisar o tipo de solo e fazer algum estudo para ver como ele reage a diferentes níveis de pressão. O volume do material depositado, proximidade com o Rio Paraíba do Sul, e também a percolação do material são fatores a serem analisados”, declarou. “Segundo os nossos técnicos, não é possível afirmar que  escorregamento ou deslizamento da escória, como ocorreu em Brumadinho e Mariana, venha acontecer, contudo segundo eles, há necessidade de estudos e  que seja urgente”, concluiu Zezinho.

CSN ESCLARECE

Em nota a CSN esclarece que já foram destinadas cerca de 200 mil toneladas de agregado siderúrgico nos últimos cinco meses e que segue empenhada e comprometida em buscar alternativas factíveis para a questão. Para isso, a empresa mantém estreito relacionamento com o Estado do Rio de Janeiro e com o município de Volta Redonda. “O agregado siderúrgico, coproduto gerado no processo de refino do aço, comercializado pela empresa Harsco Metals, é usualmente destinado para diversas aplicações, em especial a pavimentação e a terraplanagem. Estas aplicações, mundialmente consagradas, representam ganho ambiental vez que possibilitam a redução de uso de recursos naturais não-renováveis, como os provenientes de mineração de rochas, areias e outros materiais primários”, diz.

Mais uma vez a CSN reafirma que o pátio operado pela Harsco é licenciado e conta com acompanhamento dos órgãos de fiscalização ambientais competentes. “Reiteramos que os laudos analíticos constatam que o material (agregado siderúrgico) não é perigoso, sendo classificado como Classe II A, conforme norma ABNT NBR 10.004,” conclui a not.

Arrecadação para sobreviventes de Brumadinho continua

Apesar da informação do tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Brumadinho, de que, por enquanto, as doações para os sobreviventes da tragédia estão suspensas, em Volta Redonda a campanha continua. A recomendação é apenas para priorizar produtos de higiene pessoal. Já roupas, não precisam.

Ontem, representantes do Movimento Pela Ética na Política (MEP) fizeram entrega das doações oferecidas pelos amigos e colaboradores do Movimento. A entrega foi feita no Colégio Manuel Marinho, no bairro Vila Santa Cecília, ponto principal da campanha em Volta Redonda. Um professor voluntário e a equipe da Cruz Vermelha, parceira da campanha, receberam as doações.

1 comentário

  1. CSN mente que nem sente.
    Das 100 mil toneladas que ficou de ser retirada até o final do ano passado, nem 5% saiu da Harsco.

    Cotaram com várias transportadoras e nenhuma foi chamada.
    Pedem pra ver o Manifesto de Transporte no INEA.

    Só balela para enganar o povo, o monte de escória cresce mais a cada dia.
    São destinados aproximadamente 1000 toneladas mês da CSN para a Harsco.