Aberta 77ª Assembleia Geral da ONU e em discurso Bolsonaro faz campanha

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NOVA IORQUE

As Nações Unidas promovem desde esta terça-feira (20), o principal evento anual da organização com chefes de Estado e Governo dos 193 países que são membros da ONU. O evento acontece no hall da Assembleia Geral, na sede em Nova Iorque.

O Secretário Geral, António Guterres, abriu o Debate a 77ª sessão. Em seu discurso, o português Guterres pediu ações robustas para enfrentar as crises planetárias e citou a Iniciativa de Grãos do Mar Negro, acordo que busca aliviar crise de alimentos causada pela guerra na Ucrânia, como um exemplo de “ação do multilateralismo”.

Pedindo por coalizão, ele apresentou três prioridades para os debates desta semana: a instauração e manutenção da paz, a ação climática e a participação feminina nos lugares de liderança e a atenção aos mais vulneráveis, incluindo migrantes e refugiados.

O líder das Nações Unidas encerrou sua fala citando divisões globais e pedindo que os participantes trabalhem em “soluções comuns para desafios comuns”, baseados em boa vontade, confiança e direitos humanos. “Vamos trabalhar de forma única, em coalizão com o mundo, como Nações Unidas”, disse.

Em 1946, 51 países estiveram na primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Londres, o Brasil foi o único país presente de língua portuguesa como membro fundador da organização. Conforme tradição na Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro é o primeiro chefe de Estado a falar no evento, na sede do órgão, em Nova Iorque. Não se sabe ao certo o porquê do Brasil ser o escolhido para sempre inaugurar o evento mais importante da ONU. Uns dizem que foi para evitar as tensões entre Estados Unidos e União Soviética, que começavam a se estranhar na famosa Guerra Fria. O Brasil era um país considerado neutro. Outra teoria alega que essa foi uma compensação pelo fato de o Brasil ter ficado de fora do Conselho de Segurança, um posto que ainda almeja. O fato é que esse privilégio não é uma regra escrita. Nenhum texto ou norma da ONU determina os brasileiros sempre façam o discurso inaugural da assembleia. Mas esse costume se manteve ao longo dos anos e acabou rendendo à presidente Dilma Rousseff o marco de ser a primeira mulher na história a fazer o discurso inicial em 2011.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fez um discurso nesta terça-feira de aproximadamente 20 minutos na abertura, Bolsonaro estava acompanhado da primeira-dama, Michelle, e dos ministros das comunicações Fabio Faria, Relações Exteriores, Carlos França e do filho Eduardo Bolsonaro. Ele aproveitou a tribuna mundial da ONU e às vésperas das eleições no Brasil a transformou em palanque eleitoral ao atacar o principal adversário e citar atos em favor da sua candidatura à reeleição e abordar temas como corrupção na Petrobras e preço dos combustíveis. “Esse é o Brasil do passado”, sem mencionar ao ex-presidente Lula, Bolsonaro em seu discurso não poupou os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras, e declarou que “o responsável por isso foi condenado em três instâncias”.

Em uma clara mensagem aos líderes mundiais, defendeu a ideia de uma reforma da Organização das Nações Unidas e do Conselho de Segurança do órgão. Na visão dele, a guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia, país vizinho, “serve de alerta” para que uma restruturação seja feita. “Erguemos as Nações Unidas em meio aos escombros da Segunda Guerra Mundial, o que nos motivava naquele momento era a determinação de evitar que se repetisse o ciclo de destruição que marcou a primeira metade do século 20. Até certo ponto podemos dizer que fomos bem-sucedidos, mas hoje, o conflito na Ucrânia serve de alerta, uma reforma da ONU é essencial para encontrarmos a paz mundial” declarou.

A ONU foi criada em 1945, após o término da Segunda Guerra Mundial, com objetivo de impedir que outros conflitos como aquele ocorressem. O Conselho de Segurança é o seu órgão mais importante e é responsável pela manutenção da segurança mundial. Bolsonaro afirmou que, após 25 anos, “está claro que precisamos buscar soluções inovadoras”, ressaltando o fato de o Brasil já ter ocupado um assento no Conselho de Segurança em 11 oportunidades.

Imprensa Internacional

O discurso do presidente brasileiro chamou atenção na imprensa internacional. O jornal New York Times, por exemplo, um dos maiores jornais americanos, publicou que o candidato à reeleição “fez campanha” na ONU. “Em um palco mundial, o presidente do Brasil faz campanha para uma posição que ele pode perder”, diz o texto do jornal, acrescentando que a fala foi mais contida que a do ano passado, quando defendeu medicamentos ineficazes para o tratamento da Covid-19. A agência de notícias Associated Press destacou que Bolsonaro parecia “em plena campanha eleitoral” e desenhou um “panorama rosado” da economia do país. O principal jornal argentino O Clarín também mencionou o tom eleitoral do discurso “Jair Bolsonaro fez campanha na ONU”, diz o título do texto.

Silas Avila Jr, Correspondente Internacional na ONU em Nova Iorque
Editor Internacional do A VOZ DA CIDADE