OAB realiza o pré-lançamento do documentário ‘Marianna Crioula – Um grito de resistência’

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PIRAÍ

As Comissões da Verdade da Escravidão Negra no Brasil do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil- Rio de Janeiro, da OAB/Piraí e da OAB/Vassouras realizam nesta quinta-feira, dia 26, a partir das 17h30min o pré-lançamento do documentário ‘Marianna Crioula – Um grito de resistência’, de Ricardo Andrade Vassíllievitch. O evento acontece de forma virtual no canal oficial da OABRJ no Youtube.

A solenidade tem o apoio da OAB/Mendes, Comissão de Igualdade Racial do Instituto de Advogados Brasileiros (CIR/IAB), Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) e Associação Marianna Crioula. O documentário já pode ser visto em https://bit.ly/39f9ZNd

Marianna Crioula foi uma negra escravizada, nascida em cativeiro no Brasil, por isso era chamada de crioula. Viveu na Fazenda Frequesia de Arcozelo na, então, Vila de Paty Do Alferes, distrito de vila de Vassouras, no Vale do Café. Ela foi líder da maior rebelião da região em 1838 e condecorada como heroína.

A programação será iniciada com solenidade para entrega de Moção de Aplausos à CVENB Piraí/RJ, seguida da exibição do documentário e de debate com participação de Humberto Adami; Ricardo Andrade Vassíllievitch; Margot Ramalhete – presidente da Associação Marianna Crioula; Rosânia Figueira – presidente da OAB Vassouras/RJ; Flávio Macharet – vice-presidente da OAB/Pirai e presidente da CVENB Piraí/RJ e Zenóbia Luiza Davies – presidente da CVENB e CPIR OAB Mendes. Participam ainda da solenidade: Humberto Adami – presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra do Brasil da OABRJ e do Conselho Federal; Ricardo Andrade Vassíllievitch – diretor do documentário ‘Marianna Crioula’; Luciano Bandeira – presidente da OABRJ; Rosânia Figueira – presidente da OAB/Vassouras; Gustavo de Abreu Santos – presidente da OAB/Piraí; Zenóbia Luiza Davies – presidente da OAB/Mendes.

Marianna Crioula

Marianna Crioula era uma escrava, como indica o nome, nascida no Brasil, com cerca de 30 anos na época. Era costureira e mucama (escrava de companhia) de Francisca Elisa Xavier, esposa do capitão-mor Manuel Francisco Xavier. Foi descrita como sendo a ‘preta de estimação’, assim como uma das escravas mais dóceis e confiáveis da sua patroa. Apesar de ser casada com o escravo José, que trabalhava na lavoura, vivia e dormia na casa-grande, sinal de que tinha privilégios concedidos pelos senhores. Na época, os homens eram cerca de 90% dos escravos traficados da África e cerca de 75% dos escravos que trabalhavam nas fazendas de café, portanto um casal de escravos era raro. Manuel Congo foi certamente o principal líder da revolta, e neste momento deve ter se juntado com Marianna Crioula, tanto que os dois foram posteriormente delatados como o ‘rei’ e ‘rainha’ do grupo de sublevados.

Apesar de ter havido mais de 300 fugitivos, apenas dezesseis foram levados a julgamento: Entre eles Marianna Crioula. Os réus foram conduzidos em ferros para serem julgados em Vassouras, a então vila a que estava subordinada a então freguesia de Paty do Alferes. O povo reuniu-se para assistir à sua chegada. Uma das escravas aprisionadas, talvez Marianna Crioula, gritou que preferia morrer a voltar ao cativeiro, o que causou tumulto na multidão, que tentou linchá-la. A maior surpresa foi a absolvição de Marianna Crioula e todas as mulheres, certamente a pedido de sua proprietária Francisca Elisa Xavier. Entretanto, Marianna Crioula ainda foi obrigada a assistir à execução pública do seu companheiro Manuel Congo.

 

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