Mortes de macacos em Barra Mansa e Volta Redonda são investigadas

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SUL FLUMINENSE
As prefeituras de Barra Mansa e Volta Redonda, através dos setores de Vigilância em Saúde Ambiental e Controle de Zoonoses, estão investigando as mortes de macacos nas cidades. A maior suspeita é de que os animais tenham sido mortos por moradores.

Em Barra Mansa, dois animais foram encontrados mortos. O primeiro foi achado na última sexta-feira, no bairro São Luiz. O segundo, popularmente conhecido como “sagui”, foi encontrado já sem vida, com um ferimento na região da barriga, que pode ter sido feito por uma arma de pressão (carabina), em uma casa na localidade conhecida como Retorno – na altura da Vila Delgado – no bairro Ano Bom. Já em Volta Redonda, um macaco da mesma espécie foi achado morto em um terreno baldio, no bairro Caieiras. Os três foram recolhidos e serão encaminhados a exames. O resultado, que indicará a causa da morte, deve ficar pronto de 15 a 30 dias.

Segundo o coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental de Barra Mansa, o médico veterinário Maurício Iencarelli, a equipe foi acionada na manhã de sexta-feira, por um telefonema de um morador do bairro São Luiz para retirar o mico encontrado morto no quintal de sua residência. “De acordo com o morador, o mico havia sido visto cambaleando há dois dias, e que naquela manhã, ele o encontrou morto dentro de um armário quebrado em seu quintal”, explicou, lembrando que qualquer informação pode ser passada pelo telefone (24) 3326-2588. O animal estava em estágio avançado de decomposição, e não foi possível detectar a causa mortis.

De acordo com responsáveis pelo Centro de Controle de Zoonoses de Volta Redonda (CCZ-VR), que estiveram no local e recolheram o macaco morto, o animal aparentemente não apresentava sinais de febre amarela. Ele tinha sinais de sangue próximo ao nariz, o que segundo o CCZ, leva a uma interpretação de atropelamento ou até de uma queda de árvore, comum naquela região que fica às margens da Rodovia Lúcio Meira (BR-393).

Na semana passada, um macaco já havia sido encontrado morto em Barra do Piraí. O animal estava caído próximo a uma estrada, no bairro Boca do Mato, apresentando um sangramento na cabeça. O secretário de Saúde, Juberto Folena Júnior, levantou a suspeita de que, pelo ferimento na cabeça, tenha sido agredido e morto em virtude de muitas pessoas, desinformadas, acharem que ele se trata de um vetor da febre amarela.

“O macaco não transmite a febre amarela, cujo vírus que está em circulação é transmitido pela picada do mosquito silvestre. O macaco é tão vítima quanto nós, seres humanos. Além disso, ele ainda acaba ajudando no monitoramento de áreas em que o mosquito pode estar atuando, é um vigilante. Não matem os macacos”, alertou Júnior na ocasião, acrescentando que o bicho estava caído embaixo de um poste da rede elétrica.

“Não sabemos se o macaco estava doente e esbarrou em um fio de alta tensão. Já encaminhamos o animal para o Rio de Janeiro, para o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), onde ele será examinado. Todo o protocolo da nossa parte foi feito”, concluiu na época o secretário de Saúde de Barra do Piraí.

Cinco macacos são achados mortos na Ilha Grande

Na semana passada, na Ilha Grande, em Angra dos Reis, cinco macacos foram encontrados mortos. Devido ao estado de decomposição, apenas um conseguiu ser recolhido para ser submetido a exames que mostre as causas da morte. De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Coletiva de Angra dos Reis, o médico Eliezer Estevam de Barros Junior, o fato das autoridades encontrarem os primatas mortos não é motivo para pânico.

“Encontrar macacos mortos é um algo que acontece rotineiramente. Então não há motivos para pânico, porque todos os resultados pelos quais os animais foram submetidos desde janeiro do ano passado deram negativos. O vírus não está em circulação na região” disse, informando que os macacos só podem ser levados para análise cerca de 24 horas depois da morte.

Estado tem um caso de febre amarela em macaco

De acordo com a Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, apenas na cidade de Niterói, Região Metropolitana do Rio, é que foi confirmada a febre amarela em macacos. No entanto, destacou que os animais não são responsáveis pela transmissão da febre amarela. A doença é transmitida através da picada de mosquitos Haemagogus e Sabeths, presentes em áreas de mata. Não há registro da forma urbana da doença, transmitida pelo Aedes aegypti – o mesmo da dengue, zika e chikungunya-, desde 1942 no país.

A Secretaria de Estado de Saúde orienta que ao encontrar macacos mortos ou doentes (animal que apresenta comportamento anormal, que está afastado do grupo, com movimentos lentos etc.), o cidadão deve informar o mais rápido possível às secretarias de Saúde do município ou do estado do Rio.

Bananas envenenadas são encontradas em Valença

A prefeitura de Valença deu início a uma campanha de conscientização para que a população não ataque ou mate macacos. No último fim de semana, um morador flagrou bananas envenenadas com substância usada para matar ratos em uma região de mata no bairro Aparecida. Matar ou maltratar animais é crime, previsto em lei federal, com detenção de três meses a um ano, além de multa.