Febraban orienta como coibir a ação de golpistas na Black Friday

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SUL FLUMINENSE

A Black Friday acontece oficialmente na sexta-feira, dia 27, mas desde o início da semana redes varejistas exploram a data com ofertas antecipadas, que prometem seguir até o próximo, dia 29. A mega liquidação, realizada tradicionalmente nos Estados Unidos na última sexta-feira de novembro, um dia depois do feriado de Ação de Graças, caiu no gosto dos brasileiros.

No entanto, aquela oportunidade para adiantar as compras de Natal gastando menos pode esconder alguns perigos. Criminosos aproveitam o momento de entusiasmo com o elevado volume de ofertas para intensificar suas ações e aplicar golpes que causam grande prejuízo. Eles usam, especialmente, a tática da engenharia social – técnica usada por bandidos que induz o usuário a fornecer informações confidenciais.

Com a entrada em operação do Pix, no dia 16, as quadrilhas podem se aproveitar da baixa familiaridade das pessoas com a nova tecnologia para induzir a realização de transações em favor dos golpistas. Especialmente por meio de ofertas relâmpago com pagamento feito por meio da nova ferramenta.

Trata-se da utilização da engenharia social para enganar os clientes e não de uma falha de segurança. “O Pix é um meio de transferência de recursos tão seguro quanto qualquer outro, como TED e DOC. No entanto, os golpistas podem aproveitar a temporada mais intensa de compras para se passar por lojas e marcas e levar os clientes a fazerem pagamentos em favor das quadrilhas”, explica o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney.

As compras pela internet serão exploradas durante a Black Friday – Divulgação

OPTE PELAS EMPRESAS CONHECIDAS E SITE OFICIAL

Segundo Isaac, para evitar ser vítima dessas artimanhas, a principal dica é só realizar pagamentos via Pix para empresas conhecidas e conferir todos os dados do beneficiário antes de concluir as transações. “Se houver alguma divergência ou dado estranho, não realize o pagamento e entre em contato com um canal oficial de atendimento ao consumidor para esclarecer a situação”, observa.

Com o crescimento do e-commerce muitos consumidores expressam críticas às falhas em sites e também até nas centrais de cartão de crédito. “Fui vítima de uma compra clonando meu cartão a partir de um site que eu costumo acessar e receber muitos e-mails de propaganda pela internet. Só que a compra foi aquém do meu perfil financeiro, acabou aprovada porque havia limite, mas nunca comprei algo em valor parecido pagando com cartão de crédito. Acho que o meio eletrônico é ótimo, mas é preciso ainda muita atenção tanto nossa que está comprando quanto das empresas vendendo”, opina o técnico de enfermagem Reginaldo Pereira, 29.

Na Black Friday de 2018 a dona de casa Marcela da Cunha, 28, foi vítima do boleto falso. “Fiz a compra no site que achei produtos com preços bons e emiti o boleto. Lembro que era um site conhecido do mundo feminino, vende bolsas e roupas, tudo na época saiu por R$ 150. Pedi a emissão do boleto e paguei. Mas vi que o status da transação não confirmava, apesar do valor ter sido abatido da minha conta. Consultei a loja e descobri que o site era falso e o boleto compensou para os falsificadores. Até hoje não tive retorno do prejuízo. Agora só compro de lojas grandes, conhecidas e nunca pelas ofertas do e-mail, sempre abrindo tudo direto no site”, recorda a moradora de Resende.

Segundo a Febraban, existem outros golpes muito comuns durante as vendas da Black Friday e Natal:

  • Boletos de pagamentos falsos;
  • Páginas falsas que simulam e-commerce;
  • E-mails, SMS e Mensagens Instantâneas com promoções falsas;
  • Ofertas muito vantajosas nas redes sociais com valores muito abaixo de outros lugares;
  • Perfis falsos que investem em mídia pra aparecer nos stories.

Em algumas dessas páginas falsas, os consumidores precisam preencher um formulário com dados pessoais para ter acesso às promoções. Em outras, ao clicar no anúncio, o cliente já é direcionado para uma área de compra e convidado a digitar os dados do cartão de crédito.

A forma mais eficaz de não cair nesse tipo de golpe é realizar as compras por meio do site oficial das lojas, em vez de usar páginas promocionais e anúncios publicados no Google ou em redes sociais. “Se você, consumidor, se interessou por uma oferta que apareceu no seu e-mail ou rede social, não clique”, recomenda Adriano Volpini, diretor da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da Febraban. “Digite a URL do site no seu navegador de internet e confira se a mesma promoção está mesmo no site oficial da loja”, afirma.

CAPTURA DE DADOS DEVE SER EVITADA

As quadrilhas têm se especializado nesse tipo de ação baseado na captura de dados pessoais, após conquistar a confiança de clientes desavisados. “Hoje, 70% dos golpes feitos no mundo digital estão relacionados a engenharia social”, alerta Volpini. Seguem mais algumas dicas para se proteger das quadrilhas que costumam agir no ambiente virtual:

  • Ao receber um e-mail não solicitado, ou de um site no qual não esteja cadastrado para receber promoções, é importante verificar se o remetente é, de fato, uma empresa idônea. Não clique em links. Digite os dados no navegador para acessar;
  • Ao utilizar sites de busca, verifique cuidadosamente o endereço (URL) para garantir que se trata do site que deseja acessar. Fraudadores utilizam-se de “links patrocinados” para ganhar visibilidade nos resultados de buscas;
  • Dê preferência a sites conhecidos e verifique a reputação de sites não conhecidos, lendo comentários de clientes que já utilizaram as plataformas;
  • Nunca use um computador público ou de um estranho para efetuar compras ou inscrever seus dados bancários;
  • Sempre utilize, em seu computador ou smartphone, softwares e aplicativos originais e mantenha sempre um antivírus atualizado;
  • Caso seu celular seja roubado, entre em contato com a central de atendimento de seu banco para comunicar a ocorrência e bloquear as operações que podem ser feitas via smartphone;
  • Não repasse nenhum código fornecido por SMS e nem qualquer outra informação, sem confirmação com o setor responsável das empresas através dos canais de atendimento;
  • Como regra, as grandes empresas de compra e venda na internet não mantém contato com o cliente por meio de aplicativos de mensagens, portanto sempre desconfie.
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