Eu digo não à ‘Marcha da Maconha’

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Como delegado há mais de 10 anos, presenciei por diversas vezes e das piores maneiras possíveis, os efeitos devastadores que as drogas podem gerar na vida de muitas famílias. Por várias oportunidades, enxerguei a tristeza e a desesperança nos olhares de mães e pais, esgotados pelo esforço dedicado em desvencilhar seus filhos das amarras do vício. O mais lamentável é que, em muitos casos, as tentativas de resgate e recuperação não tiveram resultado positivo. Além de sonhos e expectativas, vidas se perderam. É em respeito à dor de tantas famílias, que faço questão de demonstrar publicamente a minha contrariedade à realização de eventos com discursos de apologia ao uso de drogas, planejados para despertar o interesse e curiosidade de crianças e jovens.

Marcada para o dia 29 de maio, em Volta Redonda, cidade do Sul Fluminense, no Rio de Janeiro, a “1ª Marcha da Maconha” é uma verdadeira ameaça ao nosso futuro. Este é um daqueles momentos onde a criminalidade nos testa: onde a omissão dos bons é a vitória dos maus. Se nos calarmos, os impactos podem ser irreparáveis. Esse evento é ilegal e imoral, uma ofensiva do tráfico para captar novos usuários. Caso não seja proibida, essa iniciativa ganhará força e chegará à cidade de cada um de vocês, deixando um rastro de dor, desgraça, prisão e mortes por onde passar.

Segundo estudos da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), 62% dos usuários de maconha começaram a utilizá-la antes dos 18 anos. Nessa faixa etária, a substância tem o mesmo índice de dependência da cocaína. Ainda de acordo com a pesquisa, em 2012, 7% da população brasileira já tinha experimentado maconha pelo menos uma vez na vida.

São dados alarmantes, sobretudo porque além da dependência, os usuários podem desenvolver uma série de problemas de saúde, como desenvolvimento cerebral alterado, fraco desempenho escolar, aumento de risco de transtornos psicóticos crônicos, entre eles a esquizofrenia, diminuição da coordenação motora, alterações da concentração, irritabilidade, ataques de pânico, depressão, entre tantos outros. As consequências podem ser graves e ocasionar marcas permanentes.

De todos os componentes encontrados na maconha, apenas o CBD (Canabidiol) mostrou efetividade para fins medicinais. Destaco que sou a favor da utilização exclusiva dessa substância, que apresenta capacidade de reduzir consideravelmente sintomas severos, como crises epiléticas e convulsões. O CBD não causa dependência, nem efeitos alucinógenos, e os medicamentos são criteriosamente produzidos, como uma alternativa mais segura e eficaz à liberação indiscriminada. É uma situação completamente distinta de quem faz o uso recreativo, sem preocupação com os riscos.

Juntos, podemos evitar que eventos como esse sejam replicados. Acredito que legalizar a maconha é o primeiro passo para liberar todas as drogas, transformando o nosso país em uma terra sem regra, permissiva às práticas criminosas. Até porque, vale lembrar, que é a compra de entorpecentes que sustenta o tráfico e todos os outros delitos escondidos atrás dessa cortina sangrenta. Fiz um juramento de proteger a sociedade e o honrarei até o fim. Custe o que custar!