Crises de asma e outras doenças respiratórias são desencadeadas com as quedas da temperatura

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Os termômetros das cidades do Sul Fluminense, assim como de todo o Brasil registram a queda nas temperaturas que costumam ser sentidas com bastante ênfase, especialmente pelos adultos, e ainda mais pelos idosos e pelas crianças que possuem algum tipo de doença que se apresenta com os mais variados sintomas: dificuldade respiratória – falta de ar -, tosse seca e frequente, além de chiado no peito. Todos os sintomas são provocados pela Inflamação crônica das vias respiratórias, conhecida como ‘bronquite asmática’ ou ‘bronquite alérgica’ e que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a estimativa é de que existam cerca de 20 milhões de portadores das doenças.

Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS) apontam que a asma é considerada a quarta maior causa de hospitalização, responsável por cerca de 300 mil internações por ano.

A asma assim como outras doenças segue sendo tema de diversos seminários, palestras e muitos estudos.

 

Embora não exista cura para a doença, é possível mantê-la controlada, evitando que ela se manifeste da forma mais intensa
Gilmar Zonzin

No último fim de semana, em Volta Redonda aconteceu a ‘II Jornada Respirar de Pneumologia’ promovida pelo médico pneumologista Gilmar Zonzin, que é presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro (Sopterj) e coordenador do Serviço de Pneumologia do Hospital Santa Maria. Durante o encontro que reuniu médicos e acadêmicos do estado do Rio de Janeiro, foram debatidos os métodos de diagnóstico, prevenção e, ainda os tratamentos mais eficazes contra a asma.

De acordo como Gilmar Zonzin, o evento teve como finalidade minimizar os impactos das patologias respiratórias na vida das pessoas, em especial os sintomas agudos das crises de asma, o que pode ser alcançado com tratamentos regulares essencialmente preventivos e, sobre tudo, melhorar, a orientação e os cuidados aos pacientes, não apenas com asma, mas também com outras doenças respiratórias. “Há um aumento significativo nas crises de asma durante as estações mais frias. Com o tratamento médico de forma regular, no entanto, as crises podem ser evitadas ou, pelo menos, bastante suavizadas, mesmo que o paciente desenvolva alguma virose respiratória, o que é bastante comum nesse período”, alertou o pneumologista destacando que, embora não haja cura definitiva para a asma, é possível manter a doença controlada, impedindo que ela se manifeste de forma intensa, o que pode inclusive levar à morte. “Além das infecções virais, alguns fatores ambientais também costumam levar às crises de asma, como exposição à poeira, ácaro e fungos, fumaça de cigarro (inclusive para fumantes passivos), poluição, locais com infestação de baratas, animais de pelo (em especial gatos), entre outros”, alertou o médico pneumologista.

Falando sobre os transtornos e sofrimentos causados pelas quedas constantes de temperatura, a professora Aldjane Prata, disse que suas crises de bronquite chegam trazendo muito desanimo. “A estação mais elegante do ano chega deixando-me apreensiva, pois vem recheada de transtornos para quem faz algum processo alérgico. A mudança de temperatura e, principalmente sua queda, desencadeia a crise de bronquite que demanda cuidados muitos especiais, e assim tira uma parte considerável da minha mobilidade e disposição. Aliado ao desanimo de fazer qualquer coisa após o anoitecer uma vez que, é justamente quando a crise se agrava”, comentou a professora reforçando seu interesse pelos dias mais quentes do ano. “Infelizmente degustar das delicias do inverno fica um pouco complicado por conta de todo processo alérgico desencadeado por conta das quedas de temperatura, me fazendo gostar mais das estações mais quentes”, reforçou a professora em meio a mais uma forte crise de bronquite.

Outra pessoa que também sofre com as quedas da temperatura, é a também professora Alcilene Lima Ela conta que apesar de ter grande admiração pelo outono e pelo inverno sofre bastante com os efeitos provocados pelas constantes quedas de temperatura. “No outono já começo a sentir os efeitos das quedas da temperatura. E, esses feitos, se agravam, ainda mais, com os dias mais frios do inverno que é a estação mais elegante, aconchegante e glamorosa. No entanto, para nós, os alérgicos, trás efeitos respiratórios desconfortantes. O cotidiano fica comprometido pelo quadro de resfriado, rinite e tosse sempre reincidente”, relatou.

Foto: Divulgação/blog.saude.gov.br

A professora fez questão de destacar que, apesar dos problemas causados pelo frio, admira a estação. “Não devo me abster de comentar sobre as noites mal dormidas por conta da dificuldade respiratória. Para nós, os alérgicos, os dias mais frios, são deliciosamente conflitantes”, completou.

O que é asma?

A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns, juntamente com a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica. As principais características dessa doença pulmonar são: dificuldade de respirar, chiado e aperto no peito, respiração curta e rápida. Os sintomas pioram à noite e nas primeiras horas da manhã ou em resposta à prática de exercícios físicos, à exposição à alérgenos (*), à poluição ambiental e a mudanças climáticas.

Vários fatores ambientais e genéticos podem gerar ou agravar a asma. Entre os aspectos ambientais estão à exposição à poeira e barata, aos ácaros e fungos, às variações climáticas e infecções virais (especialmente o vírus sincicial respiratório e rinovírus, principais agentes causadores de pneumonia e resfriado, respectivamente). Para os fatores genéticos – característicos da própria pessoa -, destacam-se o histórico familiar de asma ou rinite e obesidade, tendo em vista que pessoas com sobrepeso têm mais facilidade de desencadear processos inflamatórios, como a asma.

É uma doença que tem forte base genética em sua origem. Embora seja mais comum na infância, dados do DataSUS apontam que cerca de três pessoas, com idades entre cinco e 65 anos, morrem diariamente por complicações da doença, quando manifestada de forma mais aguda. Com as temperaturas mais baixas, o que facilita a transmissão de doenças respiratórias virais, as crises agudas (manifestações mais perigosas da doença) são desencadeadas com frequência muito maior. As famosas gripes e os resfriados são os principais gatilhos dessas crises.

Foto: Divulgação/blog.saude.gov.br

A asma tem cura?

A asma não tem cura, mas com o tratamento adequado os sintomas podem melhorar e até mesmo desaparecer ao longo do tempo. Por isso é fundamental fazer acompanhamento médico correto e constante, a maioria das pessoas com asma pode levar uma vida absolutamente normal.

A asma pode matar?

Sim, a asma pode matar em casos extremos e raríssimos. Quando a crise está muito intensa e não é feito o tratamento correto, a asma pode levar à morte. Se a pessoa tiver alguma outra complicação clínica (problema de saúde), o corpo pode ficar ainda mais debilitado. No surgimento dos primeiros sintomas, procure um médico imediatamente.

A asma e seus sintomas

A asma tem sintomas bem característicos, mas alguns deles podem ser confundidos com os de outras doenças. Para um diagnóstico adequado ou seguro, o ideal é procurar um profissional de saúde assim que sentir qualquer desconforto.

Os principais sintomas

-Tosse seca;

– Chiado no peito;

– Dificuldade para respirar;

– Respiração rápida e curta;

– Desconforto torácico;

– Ansiedade.

As possíveis complicações da doença

A asma pode desencadear uma série de processos que podem resultar em complicações, algumas graves. As principais complicações da asma são:

– Capacidade reduzida de se exercitar ou fazer outras atividades;

– Insônia;

– Alterações permanentes no funcionamento dos pulmões;

– Tosse persistente;

– Dificuldade para respirar, a tal ponto que precise de ajuda (ventilação);

– Hospitalização e internação por ataques severos de asma;

– Efeitos colaterais de medicações usadas para controlar a asma;

– Morte.

 (*) Alérgeno ou alergénio são substâncias de origem natural, que podem induzir uma reação de hipersensibilidade em pessoas suscetíveis, que entraram previamente em contato com o alérgeno.

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