Bicicletas para cegos e deficientes é realidade em Volta Redonda

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VOLTA REDONDA

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O grupo volta-redondense da ONG nacional Bike Anjo, inovou mais uma vez no que diz respeito à mobilidade, acessibilidade e inclusão social.

É que o grupo desenvolveu na Cidade do Aço o projeto ‘Bike para todos’, que conta com bicicletas diferenciadas como ODKV (‘O de cá vê’), Tandem (adaptada para duas ou mais pessoas) e as dobráveis, que facilitam o transpor e oferecem um jeito libertador de pessoas com deficiência visual, com síndrome de Down, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), mobilidade reduzida e idosos a oportunidade de poder pedalar com segurança e prazer pela cidade e também a handbike – bicicleta onde pessoas que não tenham o movimento das pernas pedalam com o uso das mãos -, que até então o grupo buscava algum tipo de patrocínio para aquisição de, pelo menos mais uma handbike para oferecer ao seu público que cresce a cada edição da Escola Bike Anjo (EBA), mas que, graças a boa ação do psicólogo volta-redondense Ricardo Cunha, que sensibilizado com a ação desenvolvida pelo grupo decidiu fazer a doação de uma handibike.

“É um trabalho muito lindo que é realizado por essas pessoas. Você ter a oportunidade de proporcionar a um cego, um deficiente físico, a sensação de ter o vento batendo no seu rosto é algo indescritível. Fica até difícil de falar o que realmente sinto, pois é algo grandioso e, além de tudo prazeroso poder contribuir de alguma maneira com eles. Espero que assim como fiz um pouco, outras pessoas possa fazer um pouco, pois assim muitas outras pessoas terão a oportunidade de pedalar e ter um pouco mais de alegria” comentou o psicólogo. Ele reforçou que, além de promover uma oportunidade de lazer para essas pessoas, o grupo promove a inclusão social. “Muitas dessas pessoas vivem reclusas, esquecidas do mundo e o esse projeto as colocam e evidencia, mostra a eles e a todos nós que eles podem muitas coisas, eles são capazes, basta ter pessoas que os incentivem, que os auxiliem”, destacou Ricardo Cunha.

“É um trabalho muito lindo que é realizado por essas pessoas”

(Ricardo Cunha – Psicólogo)

COMO COMEÇOU?

De acordo com André Vaz, articulador do Bike Anjo Volta Redonda, o ponta pé inicial do projeto foi quando o grupo participou de um edital nacional chamado ‘Fundo Local Bike Anjo’. “Nesse edital conseguimos uma verba de R$ 6 mil que foi usada para aquisição de bicicletas dobráveis para atendimentos personalizados as pessoas com a síndrome de Down e TEA. Com parte dos recursos desenvolvemos também o ponto chave do projeto, que é o kit reversível conhecido como ODKV (O de cá vê), que transforma um par de bicicletas gêmeas convencionais urbanas em uma ferramenta de inclusão, acessibilidade e liberdade, dando oportunidade ao deficiente visual de guiar a bicicleta em uma experiência sensorial incrível, contou o bike anjo”, como são chamados os integrantes do grupo.

Ele revelou ainda o que motivou o grupo a seguir no desafio implantar o projeto na Cidade do Aço. “O que nos motivou a aplicar aqui essas soluções, foi quando no ‘Desafio Intermodal’ na Semana de Trânsito em setembro do ano passado, conhecemos a Nádia, uma pessoa com deficiência visual e muito corajosa, que mostrou ao vivo as dificuldades em utilizar o transporte público em Volta Redonda ao seguir conosco num teste, acompanhada de um cadeirante e uma equipe de TV”, lembrou Vaz.

O projeto ‘Bike para todos’ foi lançado ontem, na Praça Pandiá Calógeras, no bairro Sessenta e, de acordo com André Vaz, terá continuidade ao longo do ano de 2019, quando além das aulas semanais personalizadas, serão realizados vários passeios programados por diversos pontos da Cidade do Aço com pequenos grupos. “Por isso é muito importante o cadastro prévio no evento para podermos programar melhor as próximas atividades e aquisição de novos equipamentos e, também, para ampliar nossa capacidade de atendimento”, comentou Vaz informando que todas as atividades do grupo são divulgadas através da fanpage do Bike Anjo (www.facebook.com/bikeanjovoltaredonda/).

PELA PRIMEIRA VEZ

Quem também aprovou o projeto e andou de bicicleta pela primeira vez na vida, foi Rafael Ferreira, de 38 anos, que nunca enxergou. Ele contou ao A VOZ DA CIDADE que estava muito ansioso. “A sensação é mesmo indescritível, ter andado de bile pela primeira na vida foi algo inexplicável, superou todas as minhas expectativas. Senti-me muito seguro, pois no meu caso, que nunca enxerguei a bicicleta sempre foi um mistério, existia aquela preocupação de como guiar, direcionar a bicicleta e, a gente tendo a oportunidade de ser orientado por uma pessoa é fantástico e no fim, ainda acabei abusando um pouquinho da velocidade assustando um pouco a minha bike anjo, a Simone que me passou total segurança para esse meu primeiro contato com a bike”, comemorou Rafael revelando que não pretende parar mais e que vai se aprimorar e buscar informações quem sabe um dia participar de provas de alto rendimento no ciclismo. “Sei que existem grupos para a prática esportiva. Sei que não vai ser nada fácil, mais vou me informar e me aprimorar e quem sabe um dia participar de uma competição de ciclismo de alto rendimento”, comentou Rafael.

A sensação de pedalar pela primeira vez na vida é indescritível, disse Rafael – André Matheus

NÓS PODEMOS TUDO QUE QUEREMOS

Uma das participantes do lançamento do projeto foi Quézia Moreira, de 31 anos, moradora de Volta Redonda que ficou cega há cerca de um ano e meio por conta de um deslocamento de retina nos dois olhos. “Sempre pedalei, e após ter ficado cega só voltei a ter a oportunidade de pedalar com o grupo Bike Anjo que nos proporciona esses momentos de felicidade. Num primeiro momento, o medo bate, pois é algo meio inusitado, mas com a ajuda dos bike anjos, ganhamos confiança e agora não quero parar mais, a sensação de liberdade é indescritível”, relatou a brincalhona Quézia que, ao lado de seu amigo, também cego, Bruno pedalou sem o auxílio do bike anjo que seguiu, ao lado deles, por alguns metros os orientando quanto a direção a ser seguida. “Nós cegos, deficientes, qualquer pessoa, nós podemos realizar tudo que queremos”, afirmou Quézia

 

DE VOLTA AO PEDAL

Sem revelar como perdeu a visão, Walmir Henrique, de 55 anos, que há dez anos ficou cego, contou que sempre foi um apaixonado por bicicleta. Ele disse que, mesmo tendo uma motocicleta, dificilmente a usava. “Antes de ficar cego, sempre andei de bicicleta, frequentava vários lugares em Volta Redonda e sempre fui de bike, mesmo tendo uma motocicleta, a preferência sempre foi à bicicleta, que me dava prazer, e ainda melhorava a minha saúde. Mas, após ficar cego, há cerca de dez anos, não teve como andar mais. E, agora, com essa oportunidade, esse projeto do Bike Anjo, Bike para todos, estou mais uma vez podendo sentir novamente a felicidade que é andar de bicicleta. Estou muito feliz por isso e vou dar um jeito de não para mais”, comentou Walmir.

NOVAS EMOÇÕES

Quem presenciou novas emoções vividas pelo filho, foi Bárbara André, mãe do pequeno Pedro Souza, de 5 anos que é autista verbal. A mãe do pequeno gostou da experiência vivida pelo filho. Ela disse que ver seu filho interagindo é muito gratificante. “O Pedro tem vários brinquedos, entre eles, uma bicicleta, que até então estava parada. Ele não tinha interesse. E quando vimos o projeto me interessei e trouxemos o Pedro. Num primeiro momento, ele não mostrou nenhum interesse, mas após algumas conversas com a nossa bike anjo, ele viu as outras crianças andando, e teve o desejo de participar despertado. Estou muito feliz por esse momento que estamos vivendo ao lado dele com a sua bike anjo” comemorou a mãe feliz com mais um avanço do filho.

BIKE PARA TODOS

O ‘Bike para todos’ tem como público-alvo, pessoas com deficiência visual, com síndrome de Down, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), mobilidade reduzida e os idosos. Se você se encaixa nessas características ou conhece alguém nestas condições e que, que tenha coragem e vontade de conhecer um mundo novo e superar barreiras fique atento as publicações do Bike Anjo no Facebook e participe.

O BIKE ANJO

Bike Anjo é uma rede de ciclistas apaixonados pela bicicleta que promove, mobiliza e ajuda pessoas a começarem a utilizar esse veículo nas cidades. Acreditamos que a bicicleta é uma ferramenta de transformação social e quanto mais gente, melhor serão nossas as cidades. Em suma, o Bike Anjo é uma corrente do bem; uma rede orgânica, espontânea, colaborativa e voluntária; difusores dos benefícios da bicicleta; realizadores de sonhos.

 

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