Resposta internacional à variante Ômicron preocupa chefes da ONU

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NOVA IORQUE

De acordo com a autoridade da OMS, as medidas em resposta à nova variante, como fechamento de fronteiras e medidas de penalização, são abruptas e sem fundamento. A Organização também enfatizou que o mundo não deveria precisar de outro “alerta” sobre os perigos do COVID-19 antes de decidir agir para prevenir novas pandemias.

Segundo a OMS e seus agentes, precauções disponíveis devem ser aplicadas para impedir a disseminação do vírus, enquanto os cientistas investigam o quão nociva, transmissível e sensível à vacina é a nova variante Ômicron. As medidas incluem o uso de máscara, ventilar o ambiente, manter a higiene das mãos e do corpo. Já o chefe das Nações Unidas, António Guterres, apontou que “a única maneira de sair de uma pandemia – e desta situação injusta e imoral – é por meio de um plano de vacinação global.”

Em um comunicado emitido na última terça-feira, dia 30 de novembro, o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, expressou preocupação com a penalização de Botswana e África do Sul, onde a nova variante do coronavírus, Ômicron, foi identificada pela primeira vez.

Durante a reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros do Grupo dos 77 países em desenvolvimento (G77) e da China, em Nova Iorque, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também se pronunciou sobre o tema. O chefe da ONU defendeu que só um “plano de vacinação global” pode acabar com a pandemia.

Dezenas de países impuseram proibições de viagens aos países do sul da África desde que a mutação foi descoberta no final da semana passada. O chefe da agência de saúde da ONU criticou as medidas, classificando-as como abruptas e sem fundamento.

Ameaça ainda desconhecida

Tedros disse que, embora seja compreensível que todos os países desejam proteger seus cidadãos, a Ômicron ainda era uma ameaça amplamente desconhecida quando as restrições de mobilização foram impostas.

O chefe da OMS acrescentou que o mundo não deve esquecer da variante Delta, que é “altamente transmissível e perigosa”, e “responde por quase todos os casos globalmente”.

Enquanto os cientistas correm para entender o quão virulenta e transmissível é a variante Ômicron, a OMS recomenda o uso de todas as precauções disponíveis para impedir a disseminação.

“Como não temos uma noção completa dessa variante e não sabemos se as vacinas existentes estão funcionando contra ela (…) precisamos usar as medidas que sabemos que funcionam”, disse Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, durante um briefing agendado em Genebra na terça-feira. Essas medidas incluem “usar máscara… ventilar o ambiente, se possível, com a maior frequência possível, manter a higiene das mãos e do corpo… Sabemos que essas medidas funcionam”, acrescentou.

O alerta permanece

O comunicado da OMS coincide com a publicação de relatórios que indicam preocupação potencial expressa pelo chefe da fabricante de vacinas Moderna, de que as vacinas existentes podem não ser tão eficazes contra a nova variante como foram em relação às anteriores.

Lindmeier disse que é necessário mais tempo para chegar a uma conclusão sobre a variante Ômicron: “Pode haver maior transmissibilidade, de acordo com relatórios iniciais”, disse ele, “portanto, estamos examinando profundamente. Ainda precisamos de algumas semanas para reunir os detalhes e saber exatamente com o que estamos lidando.”

Prevenir novas pandemias

Na segunda-feira, dia 29 de novembro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, discursou em uma reunião especial de três dias do corpo diretivo da organização em Genebra, alertando que o mundo não deveria precisar de outro “alerta” sobre os perigos do Covid-19 antes de decidir agir para prevenir novas pandemias.

“O próprio surgimento da variante  Ômicron é um lembrete de que, embora muitos de nós possamos pensar que a COVID-19 acabou, isso não é verdade”, disse.

* Silas Avila Jr – Editor Internacional