Comunidade Quilombola gera renda através da conservação ambiental

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RIO CLARO

O Estado do Rio de Janeiro tem 38 quilombos reconhecidos pela Fundação Cultural Palmares. Uma dessas comunidades é a de Alto da Serra, que fica no distrito de Lídice, formada pelos descendentes dos trabalhadores negros que, na primeira metade do século XX, produziam carvão vegetal no Vale do Paraíba Fluminense.

A comunidade é composta por 45 famílias que vivem no local e hoje, ao invés do extrativismo, atuam ativamente na sua conservação ambiental, com ajuda do programa Produtores de Água e Floresta (PAF), do Comitê Guandu-RJ. O PAF, que reúne apoio técnico e de insumos para conservação e recuperação ambiental, o pagamento por serviços ambientais (PSA) e, principalmente a conscientização e mudança de atitude da população local, é um exemplo consolidado, modelo para projetos dentro e fora do país.

Segundo Benedito Bernardo Leite Filho, o Sr Bené, ex-presidente da associação quilombola e líder comunitário, além da recuperação da mata, preservação e controle de efeitos naturais como enchentes, o PAF gera hoje à região, pouco mais de R$ 10 mil ao ano, que são usados pela associação para melhorias que visam o coletivo e o desenvolvimento local. “Através da associação que representa a comunidade, nós adquirimos insumos ou objetos de uso comum e até realizamos evento, como no dia das crianças, para as crianças e adolescentes do Alto da Serra”, explicou.

Ainda de acordo com ele os resultados do PAF vão além do ambiental. Com os recursos, a comunidade reformou e ampliou, há alguns anos, duas salas da Escola Municipalizada Rio das Pedras e, após a iniciativa, a prefeitura de Rio Claro ativou a unidade que hoje atende crianças de toda aquela região rural. “Os moradores da Comunidade Quilombola de Alto da Serra hoje trabalham com produção sustentável e são responsáveis diretos da recuperação e conservação ambiental da região onde vivem”, comenta.

Outro dado apresentado destaca que 74 produtores que participam do projeto resultou na recuperação de mais de mil hectares de floresta e na conservação de mais quatro mil hectares, trazendo melhoria da qualidade e quantidade de água na Bacia do Guandu-RJ, que abastece mais de nove milhões de pessoas na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Atualmente, o Comitê Guandu-RJ ampliou o PAF, levando-o para a sub Bacia de Sacra Família, onde a meta é a conservação de mil hectares de florestas e a restauração de cinquenta hectares de áreas antrópicas nos municípios de Mendes, Engenheiro Paulo de Frontin e Vassouras.

No mês passado, os especialistas Herve Gilliard, chefe de projetos da Agência de Águas Francesa Loire Bretagne; Patrick Laigneau, consultor da empresa de consultoria em recursos hídricos Otinga e; Nicolas Bourlon, chefe de projetos na América Latina do órgão europeu para gestão de águas International Office for Water, foram conhecer de perto a comunidade e os bons resultados do programa.

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