Composto químico tão presente no cotidiano que pode causar prejuízos a saúde

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BARRA MANSA

Utensílios de cozinha como mamadeiras, pratos e recipientes plásticos, CDs, utensílios médicos, brinquedos e eletrodomésticos, o que esses objetos têm em comum? O Bisfenol A (BPA), composto químico que tem rendido polêmica.

A substância denominada popularmente como bisfenol A é utilizada, principalmente, na produção de policarbonato e em vernizes epoxi. O policarbonato é um polímero que apresenta alta transparência e resistências térmica e mecânica. Devido a estas características o policarbonato é utilizado na fabricação de mamadeiras e copos infantis (chuquinhas). Este polímero é, também, utilizado em garrafões retornáveis (20 litros) de água mineral, além de outras embalagens e utensílios. O Bisfenol A (BPA) está presente, também, em vernizes utilizados para revestimentos de embalagens metálicas de alimentos.

De acordo com a nutricionista Raphaela Rocha, há evidências de que o bisfenol pode causar desordens metabólicas no organismo. “Ele é um composto químico bastante utilizado para produzir plásticos, além de latas de alimentos e bebidas. Essa substância tóxica é liberada em função do contato e do tempo de exposição da comida com o plástico. Fique de olho nos tipos de utensílios que usa. E a situação é ainda mais crítica quando acontece nos primeiros anos de vida”, cita.

Por isso, ela aconselha que a dona de casa deve fugir das embalagens plásticas e dos alumínios, evitando, inclusive, embalar alimentos com papel-alumínio. “É melhor optar por panelas, pratos e copos de cerâmica, vidro, inox, porcelana ou bambu”, cita.

O que é e como identificar

Bisfenol A, também conhecido pela sigla BPA, é um composto muito utilizado para fazer plásticos de policarbonato e resinas epoxi, sendo comumente utilizado em recipientes para armazenar comida, garrafas de água e de refrigerantes e em latas de alimentos em conserva. No entanto, quando esses recipientes entram em contato alimentos muito quentes ou quando são colocados no micro-ondas, o bisfenol A presente no plástico contamina o alimento e acaba sendo consumido juntamente com a comida.

Além de estar presente em embalagens de alimentos, o bisfenol também pode ser encontrado em brinquedos de plástico, produtos de cosmética e papel térmico. O consumo excessivo dessa substância tem sido ligado a maiores riscos de doenças como câncer de mama e de próstata, mas são necessárias grandes quantidades de bisfenol para se ter esses prejuízos na saúde.

Para identificar produtos que contenham bisfenol A deve-se observar nas embalagens a presença dos números 3 ou 7 no símbolo de reciclagem do plástico, pois esses números representam que o material foi feito utilizando o bisfenol.

Como manter o bisfenol A longe de seu filho

De óculos de sol a acessórios de automóveis, produtos com BPA estão por toda parte. Mas são nos utensílios de cozinha, em especial os infantis, como mamadeiras e copos de criança, sobre os quais reside a preocupação dos médicos. “O BPA é uma molécula muito instável e pode migrar dos produtos para os alimentos apenas com mudanças de temperatura ou danos à embalagem”, explica Cristiane Kochi, médica endocrinologista-pediatra e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Portanto, o leite da criança pode ser contaminado, por exemplo, quando uma mamadeira feita de plástico com BPA é levada ao micro-ondas.

Adultos também são prejudicados – O BPA atinge mais gravemente fetos e crianças, já que estão em fase de desenvolvimento. Porém, os adultos também podem ser prejudicados, por estarem em contato com diversos produtos que contêm a substância, como enlatados (praticamente todas as latas de alumínio vendidas no Brasil tem BPA em seu revestimento interno) e alimentos que ficam armazenados em recipientes de plástico, e são frequentemente levados à geladeira e ao congelador. Mudanças de temperatura, mesmo pequenas, são o suficiente para liberar o bisfenol A .

A substância também é encontrada em garrafas squeeze, e alguns tipos de papel filme. Para identificar, valem as orientações anteriores: verificar o rótulo, símbolo de reciclagem e as características do plástico. Como se vê, o uso do bisfenol A não é algo impossível de ser evitado. Basta rever alguns hábitos, substituir os produtos que contêm a substância e prestar atenção redobrada aos rótulos de mamadeiras e utensílios de plástico.

POLÊMICA

A polêmica sobre o BPA surgiu a partir de estudos recentes que levantaram dúvidas quanto à sua segurança. Isso abriu discussão sobre o assunto em diversos países, demandando posicionamento de órgãos reguladores assim de organismos supranacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2010 a OMS realizou uma reunião com especialistas de vários países para discutir o assunto e a conclusão do relatório destaca os seguintes pontos: para muitos dos desfechos estudados a exposição ao BPA é muito inferior aos níveis que causariam preocupações, não incorrendo em problemas de saúde; estudos de toxicidade sobre desenvolvimento e sobre reprodução, nos quais são avaliados os desfechos convencionais, somente apresentam problemas em doses elevadas, quando apresentam.

Por precaução, alguns países, inclusive o Brasil, optaram por proibir a importação e fabricação de mamadeiras que contenham Bisfenol A, considerando a maior exposição e susceptibilidade dos indivíduos usuários deste produto. Esta proibição está vigente desde janeiro de 2012 e foi feita por meio da Resolução RDC n. 41/2011. Assim, mamadeiras em policarbonato não podem ser comercializadas no Brasil.

Para as demais aplicações, o BPA ainda é permitido, mas a legislação estabelece limite máximo de migração específica desta substância para o alimento que foi definido com base nos resultados de estudos toxicológicos.

 

 

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