Moradores de Amparo estão sem água há dias e reacende problema de falta de ETA

2

BARRA MANSA

O distrito Nossa Senhora do Amparo está sem água desde o último sábado, 23, devido a um problema na tubulação que abastece a comunidade. Desde domingo os funcionários do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) trabalham para solucionar o problema, mas apenas hoje, 27, foi descoberto onde aconteceu a ruptura do encanamento, que tem oito quilômetros. O problema reacendeu uma discussão antiga: O abastecimento do distrito não é pago, pois, pois a água vem da serra, através de um cano de ferro. A prefeitura já dialogou sobre a construção de uma Estação de Tratamento de Água (ETA), que faria com que a água fosse paga, mas muitos moradores não aceitam.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais o prefeito, Rodrigo Drable, disse o rompimento aconteceu nos canos que passam por dentro de um riacho, e por conta disso, a equipe demorou tanto para encontrá-lo. Ainda segundo o prefeito, a água pode levar entre 24 e 48 horas para ser restabelecida.  Um caminhão pipa, com um tanque de dez mil litros de água esteve no local na manhã desta quarta-feira para abastecer a comunidade e na quinta-feira o veículo irá novamente na parte da manhã e da tarde.

Segundo relatos, essa é a primeira vez que a comunidade fica tanto tempo sem abastecimento, no entanto, toda vez que chove, ela fica barrosa e imprópria para o consumo. Ainda em vídeo, Rodrigo Drable disse que existem duas opções para essa situação que é montar uma estação de tratamento ou manter essa forma de abastecimento. “Mas isso é uma decisão da comunidade e nós respeitamos a cultura e a decisão local”, expôs ao falar sobre o problema antigo no local.

Apesar da água não ser tratada e ocasionalmente ter o abastecimento interrompido, uma boa parte da comunidade não quer que seja instalada a estação de tratamento do Saae. Quem afirmou isso foi a moradora Solange Marcondes da Silva, de 56 anos. Ela conta que há quatro anos fez parte da associação dos moradores e que participou de várias reuniões do Saae. “Nas reuniões eles diziam que as pessoas não queriam pagar pelo tratamento. A atual associação dos moradores também já não faz nada e não são interessados em instalar a estação”, disse.

Outra moradora que é a favor do tratamento da água, é a Maria das Graças de 68 anos. Ela afirma que há cinco dias está acordando cedo para ir buscar a água na mina. “Aceito pagar a água e é até melhor para a gente não passar mais por essa situação. Tem muita gente que diz que não pode pagar, mas não é algo tão caro, é só economizar. É melhor pagar e ter um serviço de qualidade, que ficar passando por essa situação, é muito triste ficar sem água”, lamentou.

CASO CHEGA AO MINISTÉRIO PÚBLICO

Segundo o diretor executivo do Saae-BM, Fanuel Fernando a tubulação que abastece o distrito, tem mais de 45 anos. “A água é clorada e não tratada. Mas infelizmente uma grande maioria não quer que seja instalada a estação de tratamento. No entanto, existem algumas pessoas que desejam o tratamento e que, inclusive, foram ao Ministério Público (MP) pedir pelo serviço”, revelou.

Fanuel conta que o MP deve marcar uma audiência com a população para definir o que será feito. “O Saae já tem uma estação de tratamento, ela só precisa de uma manutenção para ser instalada. E então irá precisar apenas instalar os hidrômetros”, expôs, completando que se a ETA não for construída, o que aconteceu nesses dias pode voltar a se repetir. “Quem sofre é a população”, concluiu.

2 Comentários