Orlando Diniz deixa Fecomércio preso

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RIO/SUL FLUMINENSE

Um dos poucos homens do esquema criminoso do ex-governador Sérgio Cabral que ainda estavam soltos, o chefe da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio), Orlando Diniz, foi preso preventivamente nesta sexta-feira, em casa, por agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, na operação batizada curiosamente de Jabuti, desdobramento da Calicute, a Lava Jato no Rio. Ainda foram presos temporariamente três diretores da entidade que eram de sua confiança – Plínio José de Freitas Travassos Martins, Marcelo José Salles de Almeida e Marcelo Fernando Novaes Moreira. Diniz está também afastado da presidência do Sesc e Senac, porque em dezembro do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) o defenestrou por suspeita de irregularidades no comando dessa entidade.

A investigação aponta que Orlando Diniz desviou recursos que deveriam ser usados nas unidades estaduais do Sesc e do Senac e em seus programas sócio-educacionais – 90% delas foram encontradas abandonadas pela nova gestão – para engordar projetos, patrocínios e eventos sem relação com a finalidade das entidades.

A operação, que teve o objetivo de investigar desvio de recursos da Fecomércio, além de lavagem de dinheiro, ainda cumpriu outros dez mandados de busca e apreensão. Segundo as investigações, os presos são suspeitos de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e pertencimento a organização criminosa.  Os ligados ao Fecomércio, segundo a investigação, faziam operações irregulares pagando com altos valores da própria entidade honorários a escritórios advocatícios. O valor soma mais de R$ 180 milhões. E desse valor, R$ 20 milhões teriam sido pagos ao escritório de Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, preso em Benfica.

Como presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, segundo os investigadores, usou o esquema de dinheiro montado pela organização de Cabral. Sete funcionários fantasmas, pessoas ou parentes ligados aos membros da quadrinha do ex-governador preso, estavam nos quadros do Sistema S. Essas pessoas receberam por anos salários da Fecomércio e nunca trabalharam no local. Foi apurado que algumas delas trabalharam para Cabral ou eram parentes de outros membros da organização. Como exemplo, verificou-se que a chef de cozinha do Palácio Guanabara e a governanta particular de Cabral eram pagas com verba do Senac, assim como uma irmã do ex-secretário estadual de Governo, Wilson Carlos; a mãe a mulher de Carlos Miranda – acusado de colher a propina de Cabral; a mulher de Ari Ferreira da Costa, outro operador de Cabral; a mulher de Sérgio de Castro Oliveira, ex assessor pessoal de Cabral.

Segundo o Ministério Público Federal do Rio, os salários eram pagos com verbas do orçamento do Sesc/Senac, sendo que o total de pagamentos atingiu o valor de R$ 7.674.379,98.

Para os investigadores, o esquema usado na Fecomércio, era uma ramificação da organização criminosa de Sérgio Cabral. Há ainda a informação de que foram ‘lavados’, entre os anos de 2007 e 2011, cerca de R$ 3 milhões na empresa de consultoria Thunder Assessoria, de propriedade de Orlando Diniz.

DE MIL PARA MILHÕES

Segundo os investigadores, o patrimônio de Orlando Diniz subiu de R$ 420 mil em 2017 para R$ 4,5 milhões no final de 2014. Em 2006, o então presidente da Fecomércio comprou um imóvel avaliado em R$ 12 milhões, mas só declarou em 2010. A Receita Federal apontou dentro das investigações que nenhum bem foi declarado na evolução patrimonial de Diniz.

O nome da Operação faz alusão a funcionários-fantasmas, que entre os da Fecomércio eram conhecidos como “jabutis”.

DEFESA

Sobre as acusações, a defesa de Orlando Diniz disse que não comenta assuntos relativos aos seus clientes ou honorários advocatícios contratados, pois são protegidos por sigilo legal. Segundo nota, serão tomadas todas as providências cabíveis em relação à divulgação e “manipulação” dos dados pelo Ministério Público Federal.

FECOMÉRCIO, SESC, SENAC

Orlando Diniz comandava a Fecomércio e o Sesc desde 1998. Ele foi afastado da presidência do Sesc Rio por determinação do STJ, provisoriamente. O órgão analisa na próxima semana, quarta-feira, o nome de um vice-presidente no lugar de Diniz.

O Sesc é um braço da Fecomércio que cuida de eventos nas áreas de esporte, lazer e cultura. O Senac investe na qualificação de mão de obra e na oferta de cursos profissionalizantes e integram no Rio de Janeiro um sistema em conjunto com a Fecomércio.

Desde o afastamento de Orlando Diniz da presidência do Sesc e Senac, houve uma intervenção da Confederação Nacional do Comércio (CNC) nas entidades, que agora contam com novos diretores.

E essa não foi a primeira vez que Diniz foi afastado da presidência da Fecomércio. O CNC controla o Sesc Nacional e tem sempre questionado na Justiça a gestão do preso na operação. Ele é acusado de cometer irregularidades na administração do Sesc Rio desde 2010. Deixou o comando da entidade em 2012, mas foi reconduzido após liminar.

NOVA ELEIÇÃO

E no mês de março deste ano está marcada nova eleição da Fecomércio, com mandato de 24 de julho de 2018 a 23 de junho de 2022. E Orlando de Diniz tem seu nome inscrito como presidente na chapa 1. A publicação em Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro aconteceu na última quinta-feira, um dia antes de Diniz ser preso.

Da região, fazem parte da chapa vários diretores e presidentes dos Sicomércio, como Julio Cezar Rezende de Freitas (Três Rios); Essiomar Gomes da Silva (Angra dos Reis); Jorge Guilherme Ainda Aiex e Orlando João Andrade Pimentel (Barra do Piraí); Antonio Luzia Borges, Jerônimo Pereira e Levi Moreira de Freitas dos Santos (Volta Redonda); Leôncio Lameira de Oliveira (Miguel Pereira); Marco Antônio Gonçalves Torres (Valença); Luis Antonio Nogueira Feris, Maria Graça Fernandes Marcelino, Jair Francisco Gomes, Juliana Lanes Rolim, Antonio Feris Filho (Barra Mansa).

 

 

 

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