Moradores denunciam golpe em imóvel na planta

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PINHEIRAL

“Eu queria casar e constituir uma família”. “Eu queria sair do aluguel”. “Eu queria morar em um lugar melhor e maior”. “Eu queria ter a minha casa própria”. “Eu queria… eu queria, queria…”. Essas explanações que abrem este conteúdo não são apenas relatos, mas sim sonhos de vários moradores da região que fizeram contato com a equipe do jornal A VOZ DA CIDADE nas últimas semanas para denunciar que foram vitimas de um golpe em um empreendimento que foi divulgado como o que seria um dos maiores do Sul do Estado: o condomínio Village do Sol, na entrada de Pinheiral (Avenida Nilton Penna Botelho). Quase 600 pessoas foram lesadas, segundo advogados da região, e o golpe ficou entorno de mais de R$ 30 milhões, mas acredita-se que a intenção é que passasse dos R$ 72 milhões.

Nossa equipe recebeu várias reclamações, entre elas a do morador de Volta Redonda, Gustavo Mendes da Silva, de 31 anos. Ele, que trabalha na CSN, resolveu dar uma entrada no empreendimento para ter um lugar para constituir família após o casamento, que acabou sendo adiado por conta da entrada do imóvel. “Ou era a entrada ou pagava a festa. Acabamos dando de entrada, que foram divididas em duas vezes de quase R$ 15 mil cada, isso no final de 2015 e início de 2016. As demais seriam pagas parceladas”, contou o jovem. “Até hoje não casei. Continuamos noivos, mas fiquei sem o dinheiro para dar continuidade ao planejado. Isso já gerou muito desentendimento entre as famílias, brigas, mas espero conseguir reaver essa grana”, contou Gustavo, que questionado se ele aceitaria voltar a pagar o imóvel caso a obra voltasse, disse que não. “Quero meu dinheiro”, afirmou.

Outra pessoa que nos procurou foi Aline Mendes Amantes, de 33 anos. Ela é professora, moradora também de Volta Redonda, e seu prejuízo foi ainda maior. Pagou R$ 165 mil à vista. “Eu fiz essa compra em 2014 e a previsão da obra era de ser concluída em 2016. Nem a terraplanagem foi feita e a obra foi bloqueada pelo Ministério Público. Antes disso, eles diziam que o atraso era por conta de problemas ambientais com o Instituto Nacional do Meio Ambiente”, disse a professora. “Não sou casada, mas ainda pretendo constituir uma família e ter um ambiente bom e agradável para viver. Não tinha esse dinheiro, tive que pegar emprestado com o meu pai, que, aliás, não foi pago. Hoje vivo em um apartamento barato, estilo Minha Casa Minha Vida, e não tenho nem ideia se um dia vou conseguir reaver esse dinheiro”, frisou Aline.

Na tarde de ontem, nossa equipe conversou com os advogados Hairon Ribeiro e Bruno Rezende, do escritório Rezende Ribeiro Advogados. Segundo eles, a pretensão dos estelionatários era aplicar um golpe de mais de R$ 72 milhões. “O que sabemos hoje é que a Qualix (que são duas), imobiliária e empreendimento, ficou com 10% do valor, que foi cerca de R$ 7,7 milhões. Já a Stylus Engenharia (empreiteira), com cerca de R$ 25 milhões”, afirmou o Dr. Hairon, que hoje junto com o Dr. Bruno possuem 104 contratos de pessoas que foram vítimas do mesmo golpe (sendo o total 590). “Isso não é coisa da minha cabeça. Esses dados estão todos documentados”, completou.

Segundo os advogados, algumas pessoas chegaram a comprar mais de uma casa, sendo em um caso, uma mulher (que vive de aluguel), comprou 20. Porém esse é um caso isolado. Em sua maioria, são pessoas humildes, que juntaram o dinheiro para conseguir realizar o sonho de sair do aluguel, de depender dos outros, ter algo seu. “Tenho caso de gente que se separou por causa disso. Um cliente que teve que morar com a sogra e a mulher. O casamento depois acabou, não dando mais certo. Uma senhora que vende queijo na rua, que há anos vem juntando uma grana para poder ter a sua casa, e que nem sabe se vai conseguir mais juntar esse dinheiro. Entre tantos outros”, disse Hairon.

Ele explica que no início, muitas pessoas acreditavam que a obra ia sair do papel. Que na época da divulgação do empreendimento, que teve apoio até político, até pedras preciosas foram mencionadas para ajudar na realização da obra. “Porém, conforme o tempo foi passando, as pessoas foram começando a desacreditar naquela novela toda que eles estavam fazendo, vendo que tudo aquilo não passava de um golpe”, comentou o advogado. “Na propaganda, eles diziam que iriam começar a obra em abril de 2014 e entregariam em maio de 2016. Teve até lançamento da pedra fundamental, que teve Deus citado como convidado de honra. Na época, contaram uma historia triste, dizendo que estavam com a licença em mãos e que iriam correr com a obra”, lembrou Dr. Hairon.

Questionado sobre o que as vítimas do golpe esperam hoje e como está o processo, ele explica que o terreno já foi bloqueado e o penhora on line já foi autorizado pelo judiciário; a Estylos nem contesta mais, nem vai em audiência. Protestado se ele acredita que essas pessoas vão reaver o dinheiro todo, ele explica: “Impossível. Infelizmente. Falamos (clientes) abertamente sobre isso. Não vou comentar o que eles querem ouvir, e sim a realidade do processo. Qual é o próximo passo e o último passo: é o terreno está bloqueado, está indisponível. Daqui uns anos, leiloa-se o terreno e com o valor arrecadado, se paga os credores. Mais o terreno não vale a metade desses R$ 32 milhões. Qualquer bem quando vai a leilão, nunca vai é arrematado no valor de mercado, é sempre abaixo”, finalizou o advogado, que está disponível para contato caso alguém tenha sido lesado, pelo número (24) 3337-7803.

A equipe do A VOZ DA CIDADE tentou contato ontem com a Qualix e Stylus Engenharia, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta edição.

O CONDOMÍNIO

No anúncio, a empresa vendedora informava que o empreendimento ocuparia um terreno de 350 mil m². A proposta era oferecer residência, lazer e trabalho em um ambiente integrado à natureza, onde os moradores poderiam contar com estação própria de tratamento de esgoto e sistema de reaproveitamento de água.

Além disso, um dos diferenciais seria a construção do Centro Comercial, que prometia suprir todas as necessidades dos moradores (instalação de bancos, agências de veículos, mercados, padarias e academias. Nas sobrelojas, fixação de bares, restaurantes, escritórios, pet shops, consultórios, boutiques e salões de beleza).

DIVERSÃO E PRATICIDADE?

A estrutura estratégica do Village do Sol também prometia integrar diversas áreas destinadas ao lazer, como: Salão de festas, Saunas (seca e a vapor), Piscinas (adulto e infantil), Churrasqueiras, Mesas e quiosques, Parque infantil, Quadra poliesportiva, Campo gramado de Futebol Society, Play Dog (cercadinho para cães), Bosque do Sol (área verde preservada)
e pista de caminhada.

12 Comentários

  1. É um absurdo vocês lavarem as mãos perante a triste realidade das pessoas que investiram seus sonhos e economias, em uma promessa garantida pela sua empresa!
    Sinceramente falta ética e caráter nas pessoas à frente desse empreendimento. Como conseguem dormir a noite? Certamente melhor que as pessoas que estão preocupadas, se conseguiram reaver o seu suado dinheiro.

  2. Esse cara aí que falou em nome do Village do Sol, é o suposto comprador e responsável pelo empreendimento. Porém, nunca comprou documentação de compra e tampouco recursos para tocar o empreendimento. Já adiou várias vezes o início das obras. O fato é que mal tem dinheiro para pagar passagem de ônibus, várias vezes solicitou dinheiro emprestado para compradores dos imóveis. O ministério público já negou liberar o empreendimento para ele tocar, pois não ampresentou condições financeiras para tal. Ao que tudo indica, não se passa de um laranja que vai levar um qualquer para tentar enganar os compradores.

  3. Fizeram a mesma coisa no condomínio Bela Roma em volta redonda a Qualix vendeu vários apartamentos e só depois avisou que a Runa construtora tinha quebrado, eles são especializados nisso a comissão que paguei ao vendedor eu perdi mas graças a Deus recuperei o resto.

  4. Lembro que cheguei a ir la, o cara fez propostas mas algo dizia que tinha coisa errada. Cheguei em casa comecei a pesquisar sobre a construtora. No site deles tinham erros grotescos e poucas informações além de nao apresentarem a documentação necessária. Espero profundamente que esse caso seja resolvido.

    E gostaria de abrir os olhos de todos sobre um outro empreendimento similar a esse, que me acendeu o mesmo alerta! Fica em arrozal nao me lembro o nome, mas quando vi pela primeira vez lembro que senti a mesma sensação quando vi esse de pinheiral

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