INB inaugura nona cascata da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio

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RESENDE

Visando aumentar sua produção nacional de enriquecimento de urânio, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) inaugurou nesta sexta-feira, dia 26, a 9ª cascata da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio visa reduzir o seu grau de dependência na contratação do serviço de enriquecimento isotópico no exterior para a produção de combustível das usinas nucleares nacionais. O investimento para a construção desta cascata foi de R$ 54 milhões.

Participaram da cerimônia o ministro de Minas e Energias, Bento Albuquerque, o primeiro presidente da INB John Albuquerque Follmann, o prefeito de Resende, Diogo Balieiro Diniz, o presidente da INB, Carlos Freire Moreira, dentre diversas autoridades.

Para o presidente Carlos Freire Moreira, superação é a palavra que determina este momento. “Em meio a uma pandemia, com recursos escassos, conseguimos inaugurar a 9ª cascata, é uma conquista da INB, mas, sobretudo, do Brasil. Pois dois fatores nos ajudaram até aqui o conhecimento adquirido e a ampliação da área de atuação da INB”, destaca.

De acordo com ele, a entrada em operação da 9ª cascata possibilitará o alcance da capacidade de produção para atendimento de 65% da demanda das recargas anuais de Angra 1, correspondendo a um acréscimo de cerca de 5% em relação à capacidade atual.

O ministro de Minas e Energias, Bento Albuquerque, destaca que após mais de mil dias enfrentando uma pandemia é necessário que se comemore este momento que é de muito orgulho e autoestima. “O Brasil iniciou a transição energética há cerca de 50 anos com a construção da primeira usina nuclear, Itaipú, Angras 1 e 2, e o resultado disso é que temos a energia mais limpa do mundo. Superamos também a maior crise hidrológica que o pais atravessou, somado a pandemia, tudo isso é de grande motivo de comemoração. Em recente participação na 26ª Conferência das Partes (COP26), em Glasgow, na Escócia, podemos perceber a importância de se ter começado lá atrás, e mostramos o quanto já caminhamos e o quanto ainda temos para contribuir, pois o mundo busca economia de baixo carbono, de zero emissão”, cita, destacando que o programa nuclear brasileiro é baseado em emissão de energia, mas também na emissão de todo o desenvolvimento tecnológico nuclear, que tem aplicação em diversos áreas como medicina, agropecuária, meio ambiente.

INAUGURAÇÃO

A inauguração faz parte da primeira fase da implantação da Usina, um projeto em parceria com a Marinha do Brasil, que  busca a instalação de dez cascatas de ultracentrífugas na FCN. A sua conclusão está prevista para 2023, com a entrada em operação da 10ª cascata, quando será atingida a capacidade de 70% da demanda anual necessária ao abastecimento de Angra 1.

A tecnologia de enriquecimento do urânio pelo processo da ultracentrifugação foi desenvolvida de forma autóctone no Brasil pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN /CNEN). De acordo com a World Nuclear Association, o Brasil faz parte de um seleto grupo de 13 países reconhecidos internacionalmente pelo setor nuclear como detentores de instalações para enriquecimento de urânio com diferentes capacidades industriais de produção.

AMPLIAÇÃO

A implantação da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio da FCN será realizada, de forma modular, em duas fases, sendo a segunda composta por trinta cascatas.

Quando a implantação da Usina estiver concluída, o Brasil passará à condição de autossuficiência de enriquecimento de urânio. A previsão é que, até 2033, a INB seja capaz de atender, com produção totalmente nacional, as necessidades das usinas nucleares de Angra 1 e 2 e, em 2037, a demanda de Angra 3.