Curso superior de Administração para pessoas com deficiência tem aula inaugural em Volta Redonda

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VOLTA REDONDA
Os 30 alunos da primeira turma do curso superior de Administração para pessoas com deficiência em Volta Redonda participaram de aula inaugural na noite desta terça-feira, dia 17. A iniciativa da Prefeitura de Volta Redonda, em parceria com o Centro Universitário Geraldo Di Biase (UGB-Ferp) atende estudantes com deficiência auditivas e físicas e alunos com baixa visão.
A primeira aula do curso reuniu os novos universitários no auditório para cerimônia de abertura com a presença do prefeito Antônio Francisco Neto e o reitor do UGB, Geraldo Di Biase, outras autoridades do município e do Centro Universitário, além de professores e intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libra), que vão atuar na formação dos alunos.
DESAFIOS DA INSTITUIÇÃO
O prefeito Neto agradeceu à direção e aos profissionais do UGB envolvidos no projeto. “Diante de uma ideia pioneira, sabemos dos desafios que serão enfrentados pela instituição, mas sabemos também que faremos história juntos”, falou. Neto também se dirigiu aos alunos e pediu persistência. “Não desistam na primeira e nem na décima dificuldade. Tenho certeza que vai valer a pena e, com a chegada da formatura, daqui quatro anos, todos estarão no mercado de trabalho”, afirmou o prefeito, que entregou uma placa em homenagem ao Centro Universitário em agradecimento pela parceria.
Entre os alunos, o sentimento era de emoção. Thiago da Silva, que é deficiente físico e presidente do Cooperadores com Pessoas com Deficiência (Coopenea), encerrou a cerimônia de abertura interpretando ao teclado a música “Sou um Milagre”. Ele contou que já tentou outros cursos de formação, mas não conseguiu concluir. “Acredito que o reforço pedagógico que teremos no contraturno das aulas será fundamental para o nosso sucesso”, disse.
João Paulo Araújo Delgado, que é deficiente auditivo, discursou em nome de todos os alunos durante a cerimônia, agradeceu à prefeitura e ao UGB pela possibilidade de realização de um sonho. “Vamos aprender uma profissão utilizando a nossa língua. Não tenho como agradecer pela oportunidade”, contou.
EMOÇÃO
O reitor do UGB, Geraldo Di Biase, afirmou ver a emoção no rosto de todos e que isso lhe dava certeza de vitória. “Não tenho conhecimento de uma iniciativa como essa em todo Brasil. Seremos exemplo e vamos incentivar outras instituições a fazerem o mesmo”, acredita. A pró-reitora Acadêmica do UGB, Eliza Alcântara, cumprimentou os alunos em língua de sinais. “Esse será um desafio onde iremos aprender uns com os outros”. O pró-reitor Administrativo do UGB, Osvaldir Denadai, lembrou que é vocação da instituição estar aberta à comunidade. “Espero que esta seja o primeiro de vários projetos de inclusão e inovação”, falou.
O secretário Municipal da Pessoa com Deficiência, Pastor Washington Uchôa, disse que assumiu a pasta com o compromisso de fazer de Volta Redonda referência neste setor. “E o curso superior para pessoas com deficiência já nos coloca nesta posição de destaque. Mas sabemos que o maior desafio é preparar estes alunos para o mercado de trabalho”, destacou Uchôa.
O assessor especial da Prefeitura de Volta Redonda, Deley de Oliveira, reforçou a importância do curso para os alunos terem mais chance de conquistar um emprego. Mas lembrou que esta não é a primeira iniciativa voltada para inclusão da pessoa com deficiência do município de Volta Redonda. “A Olimpede ganhou força a partir da nossa gestão na secretaria de esportes e, desde então, é considerada o maior evento esportivo de inclusão social para pessoas com deficiência no Brasil”, contou.
AULAS NOTURNAS E APOIO PEDAGÓGICO À TARDE
O curso superior de Administração para pessoas com deficiência do UGB terá duração de quatro anos com aulas presenciais noturnas. Os professores terão o auxílio de dois intérpretes de Libra para facilitar a compreensão das disciplinas pelos alunos. Além disso, no contraturno, no período da tarde, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência vai oferecer o apoio de intérpretes de Libra e professor de português para ajudar com o conteúdo das aulas do dia anterior.
A coordenadora do projeto e intérprete de Libras, Eliete Guimarães Vasques, lembrou que todos os alunos passaram por processo seletivo antes de ingressar na universidade. “Essa é uma oportunidade ímpar, que fará a diferença na vida profissional destas pessoas. É comum ocuparem vagas para deficientes, as cotas, mas com o diploma terão oportunidade de crescer dentro da empresa. Será um instrumento de mudança”, finalizou.