Apenas 11% dos brasileiros têm renda suficiente para quitar despesas de início de ano, afirma levantamento da CNDL/SPC Brasil

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SUL FLUMINENSE

Comércio lotado, dinheiro extra com o décimo terceiro, PIS e Saque Imediato. O fim de ano foi movimentado com as compras de presentes e itens das ceias e festas de confraternização no Natal e Réveillon. Agora, o frenesi nas compras dá vez à realidade de despesas sazonais de início de ano, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) entre outros gastos comuns da época, como reajuste de aluguel e até a compra de material escolar.

Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção a Crédito (SPC Brasil), apenas 11% dos brasileiros têm renda suficiente para quitar as despesas de início de ano. Ou seja, uma em cada dez pessoas consegue cobrir os gastos a partir de janeiro com o seu próprio rendimento, sem conflitar o orçamento mensal com as parcelas das compras realizadas no fim de ano.

O comércio lotado no fim de ano com as vendas de Natal teve reflexos no endividamento do consumidor 

Ao menos 26% dos entrevistados tiveram de economizar nas festas e com as compras de Natal para conseguir pagar as despesas de início de ano. Outros 21% guardaram ao menos parte do décimo terceiro salário, e 17% disseram ter montado uma reserva ao longo de 2019 para cobrir gastos no futuro. E teve ainda aqueles que fizeram renda extra, um bico, para acumular a renda extra – 14% dos entrevistados.

Na região, a rotina financeira da maioria dos trabalhadores ouvidos pelo A VOZ DA CIDADE revela que de fato é conflitante os gastos de início de ano e festas. “Foram muitas compras pequenas, a fatura do cartão de crédito vence no dia 15. Serão quase R$ 2 mil em contas e terei ainda que pagar a primeira parcela do IPTU. A intenção era a cota única, mas ficamos apertados. Não fiz reserva (de dinheiro) nem trabalho alternativo de renda extra. O jeito será pagar parcelado e ir levando”, comenta a servidora Geralda Pinheiro, 47, de Itatiaia.

Em Resende, a manicure Elisângela Maciel, 51, fez planos com o marido para evitar o que chama de ‘caos financeiro de janeiro’.  “Janeiro é o caos financeiro, a gente não aguenta ficar sem gastar no Natal e tudo vem somado com as despesas do IPVA, IPTU e compras do material escolar. Vamos parcelar tudo”, projeta a consumidora que soma em torno de R$ 2,5 mil no balanço de contas a pagar neste início de ano novo.

AVALIAÇÃO

Segundo a economista Marcela Kawauti, do SPC Brasil, o recomendável é que o consumidor já tenha traçado no final do ano passado um planejamento das suas despesas sazonais, separando mensalmente uma quantia para essa finalidade. Segundo dados do SPC Brasil, em média, quem parcelou as compras natalinas deve terminar de pagar as prestações somente no mês de abril. Impostos como IPVA e IPTU devem ter prioridade para quitação.

No caso do IPTU, considerando um parcelamento em 10 meses, o pagamento à vista será vantajoso se o desconto for superior a 1,5%. No caso do IPVA, supondo um parcelamento em três vezes, para o pagamento ser realmente vantajoso, basta que o desconto supere os 0,5%. Quem não tem dinheiro guardado deve inevitavelmente pagar a prazo e iniciar um planejamento para quitar essas despesas sem passar por sufoco.

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