Agências da ONU seguem comprometidas com entrega de ajuda humanitária no Afeganistão

0

Quase 400 mil afegãos abandonaram suas casas desde o início do ano e mais de cinco milhões vivem como deslocados internos; alto comissariado de direitos humanos menciona cenas de desespero no aeroporto de Cabul como amostra da gravidade da situação no país

 

NOVA IORQUE/AFEGANISTÃO

A Organização Internacional para Migrações (OIM) fez um alerta esta terça-feira sobre as graves consequências da situação política no Afeganistão para a comunidade de deslocados internos.

Em Genebra, o diretor-geral da agência, António Vitorino, afirmou que apesar das dificuldades e dos desafios, a OIM “continua comprometida em fornecer assistência para os deslocados e ao mesmo tempo, garantir o bem-estar dos funcionários que estão no país”.

Milhões que precisam de ajuda 

Quase 400 mil afegãos abandonaram suas casas desde o início do ano devido à violência, sendo que mais de cinco milhões de pessoas já estavam vivendo como deslocadas internas. São civis que dependem de ajuda humanitária para sobreviver.

De acordo com o chefe da OIM, a instabilidade e a insegurança na capital Cabul estão impedindo as movimentações para dentro e fora do país, afetando também as operações da agência.

O programa de assistência ao retorno voluntário de refugiados afegãos está suspenso no momento.

Promessas do Talebã

Também nesta terça-feira, dia 17, o porta-voz da alta comissária da ONU para os direitos humanos declarou que “as cenas de desespero registradas no aeroporto de Cabul mostram a gravidade da situação após o Talebã tomar o poder”, citou.

Rupert Colville explicou que o movimento divulgou uma série de comunicados afirmando que será “inclusivo e que as mulheres e meninas poderão trabalhar e ir para a escola”.

Para porta-voz, essas declarações são recebidas com “ceticismo” e ele lembrou ao Talebã que essas promessas precisam ser honradas. O Escritório de Direitos Humanos da ONU continua recebendo relatos de abusos de direitos e de restrições a liberdades, especialmente de mulheres e de meninas.

Rupert Colville pediu ao Talebã para “demonstrar, com ações, que o medo pela segurança de tantas pessoas está sendo abordado”. À comunidade internacional, ele fez um apelo para apoiar os civis que estão sob o risco.

* Silas Avila Jr – Editor Internacional