Tarifas extras dos Correios entram em vigor e Procon questiona cobranças

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Começou a valer ontem, dia 6, a taxa emergencial de R$ 3 cobrada pelos Correios para entrega de mercadorias na cidade do Rio de Janeiro e Região Metropolitana. O valor foi instituído pela estatal por causa da violência. A decisão causou polêmica, já que problema seria uma questão de segurança pública. O gerente do Procon de Barra Mansa, Felipe Fonseca, comentou a aplicação das tarifas e questionou a medida que, segundo ele, é pouco transparente.

“Os Correios alegam os problemas com segurança pública para explicar esse aumento; e que essa taxa seria para compensar os roubos e saques aos carros dos Correios. Mas já há o custo com segurança pública, que está embutido no nosso pagamento ao serviço postal; inclusive quando se paga pelo seguro. Eles não podem repassar um custo que é deles para o consumidor. Outro ponto é: qual índice eles estão usando para apontar que houve esse aumento da violência? Eles dizem que se houver a queda da violência a taxa será retirada, mas como vamos saber se a situação melhorar? O que vai ser feito com esses R$ 3? Vai se investir em segurança particular, rastreamento. A gente não sabe”, argumentou.

Fonseca disse ainda que de uma forma ou de outra, a taxa vai afetar os moradores do Sul Fluminense. Ele fez questão de lembrar a qualidade do serviço prestado pela empresa. “Isso afeta a gente diretamente, porque todo mundo manda alguma coisa para o Rio ou para essas cidades da Região Metropolitana. E nós sabemos que o serviço dos Correios não é dos melhores: são encomendas violadas, perdidas e roubadas. E quem garante que com o pagamento R$ 3 eles irão melhorar a segurança? Qual estudo foi feito para saber que os R$ 3 são suficientes para garantir a segurança pública? Como se chegou a esse valor?” questionou.

O gerente do Procon Barra Mansa citou outro ponto da taxa, que se paga pela insegurança. “A pessoa que mandar uma geladeira e quem for enviar um celular, por exemplo, vão pagar os R$ 3. Então não tem padrão. Isso é muito complicado. Você está taxando da mesma forma quem paga pouco e quem paga muito”, apontou Fonseca, lembrando que aguarda uma decisão da Justiça sobre as tarifas, mas que no momento o custo é legal.

Em nota, os Correios disseram que a cobrança de R$ 3 vai ajudar na manutenção da integridade dos empregados, das encomendas e até das unidades da Companhia. Destacou que a cobrança poderá ser suspensa a qualquer momento, desde que a situação de violência seja controlada. A estatal disse também que essa cobrança já é praticada por outras transportadoras brasileiras desde março de 2017.

Além da capital, Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaboraí, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Magé, Maricá, Guapimirim, Tanguá, Seropédica, Japeri e Petrópolis estão entre as cidades afetadas pela taxa de entrega.

AUMENTO DE 8% NO VALOR DO FRETE

O gerente do Procon de Barra Mansa lembrou ainda, que também já está em vigor a alteração no valor do frete – um aumento médio de 8% para entrega de mercadorias nas capitais. No entanto, as lojas de e-commerce alegam que a correção seria de 29% para todo país, e que poderia chegar a 51% dependendo das rotas e da localidade. O acréscimo é relativo aos serviços de encomenda (Sedex e PAC).

“A inflação do ano passado foi de 3%, e o aumento que os Correios colocaram foi de 8%. Se a gente for comparar, o nosso correio é muito mais caro do que os de outros países. Isso sem entrar no mérito do serviço que é prestado, que é ruim, ineficaz”, criticou Fonseca.

Os Correios informaram que a definição dos preços é “baseada nos custos relacionados à prestação dos serviços, que considera gastos com transporte, pagamento de pessoal, aluguéis de imóveis, combustível, contratação de recursos para segurança, entre outros”.

Através de nota, os Correios citaram o tamanho do Brasil em comparação com outros países e destacou: “Os desafios de transporte em um país com dimensões continentais são muito maiores e os custos para manter a presença dos Correios em todo o território nacional são altíssimos”.

Por meio de uma liminar, a loja online Mercado Livre conseguiu a suspensão do aumento das duas taxas. No entanto, a revogação só vale para clientes do Mercado Livre. Os Correios informaram que já foram notificados e “estão trabalhando para obter a suspensão da liminar”. A empresa disse ainda, que está cumprindo a decisão judicial.

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