VOLTA REDONDA
Profissionais do Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC) estão em Volta Redonda para conhecer de perto o programa de rastreio organizado do câncer – Prevenir – e o trabalho da Linha de Atenção Oncológica (LAO), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A comitiva do país africano, formada pelo físico médico Higidio Miezi Eduardo, que é assessor de Direção do instituto, e por Adelina Virgílio David da Silva, que trabalha com a gestão de pessoal, estava acompanhada da médica-sanitarista Liz de Almeida, considerada a “madrinha” do Prevenir pelo apoio que dá ao programa.
O grupo foi recebido pelo prefeito Antonio Francisco Neto e pela médica-oncologista Luciana Francisco Netto, coordenadora da LAO e do Prevenir, nesta quarta-feira, dia 28, no gabinete da Prefeitura de Volta Redonda. Também participaram do encontro o presidente da FOA (Fundação Oswaldo Aranha), Eduardo Prado; e o diretor executivo do H.FOA (Hospital da Fundação Oswaldo Aranha – responsável pela Unacon (Unidade de Alta Complexidade em Oncologia) da cidade –, Leonardo Prado; além da coordenadora da Média Complexidade da SMS, Elisangela Bonifácio Lyra; da enfermeira Nathália Beatriz de Almeida, que também faz parte da coordenação do Prevenir; e de Carlos Freire, que atua na área de planejamento do programa.
A vinda dos dois profissionais do Instituto Angolano de Controle do Câncer retribui a visita que a coordenadora da LAO fez a Luanda, capital do país africano, em outubro do ano passado. O convite a médica Luciana Netto para ir a Angola veio após o diretor do instituto, o médico Fernando Miguel, conhecer o trabalho desenvolvido por Volta Redonda com o Prevenir através da médica Liz Almeida, a quem conhecia por parcerias anteriores entre o Inca (Instituto Nacional do Câncer), que fica no Rio de Janeiro, e o IACC.
“A visita de vocês é motivo de muito orgulho para Volta Redonda e para mim. Saber que a LAO e o programa Prevenir são referência para outro país e vai ajudar Angola a salvar vidas, assim como acontece no nosso município, é muito gratificante”, afirmou o prefeito Neto, apresentando para os profissionais angolanos outros projetos pioneiros do município como o Centro-Dia para Alzheimer, o complexo de saúde sob as arquibancadas do Estádio da Cidadania, o Centro Cardiológico Municipal, a rede municipal de serviços para autistas, além dos programas voltados para a Melhor Idade.
O físico médico Higidio Miezi Eduardo parabenizou as iniciativas da administração municipal e explicou que a LAO e o Prevenir vão servir de exemplo para ações a serem implantadas em Angola. “O instituto precisa descentralizar suas ações para ampliar o cuidado com a população em relação ao câncer. E se tem algum lugar desenvolvendo um programa com êxito, que podemos copiar, vamos até lá. Estamos atrás de boas experiências. Mesmo que tenhamos que atravessar o oceano”, falou.
Adelina Virgílio David da Silva contou que é a primeira vez no Brasil e que a ideia também é formar parcerias na formação de profissionais para oncologia e fortalecer o sistema de saúde em Angola. “Temos quase 37 milhões de habitantes e o tratamento para o câncer centralizado no instituto. O desafio é grande, mas capacitando os profissionais vamos conseguir dar uma resposta melhor à população. E o Prevenir é o método que mais nos agrada a seguir”, disse.
A médica Luciana concorda que o rastreio organizado como o feito pelo Prevenir pode ajudar Angola a mudar a realidade em relação ao câncer. “O método do programa e a atuação da Linha de Atenção Oncológica alcançaram números positivos em Volta Redonda. Além das lesões pré-malignas, que tratadas não se tornam câncer, cerca de 50% dos casos diagnosticados como câncer estão nos estágios iniciais (1 e 2), com probabilidade de cura de quase 100%”, citou Luciana, lembrando que, em Angola, o paciente já chega para o tratamento com a doença muito avançada.
A médica sanitarista Liz Almeida fez questão de reforçar que o trabalho não é fácil e elogiou a “coragem” do prefeito Neto em apoiar o programa. “Sabemos que a detecção precoce do câncer salva vidas. E o rastreio organizado, quando há captação do público-alvo, é o mais eficiente. Aqui em Volta Redonda, o empenho da Luciana e da equipe do programa, o comprometimento de toda rede municipal de saúde, desde a Atenção Primária até os hospitais são fundamentais para o sucesso”, disse a médica, reforçando que a implantação do método pode fazer a diferença em Angola.
Visita ao UniFOA e unidades da rede municipal de saúde
Os dois profissionais do Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC) estiveram, ainda nesta quarta-feira, 28, no campus Três Poços do UniFOA (Centro Universitário de Volta Redonda) e no H.FOA, unidade de referência para a tratamento de câncer no município. E amanhã, quinta-feira, 29, vão conhecer uma unidade da Atenção Primária à Saúde e a Policlínica da Mulher de Volta Redonda.


