RESENDE
A crise de saúde pública vivida atualmente pode ser uma espécie de divisor de águas capaz de provocar mudanças profundas no comportamento das pessoas. Segundo a psicóloga organizacional e clínica de Resende, Priscila Veríssimo, o pós-pandemia pode trazer novos hábitos positivos, mas algumas pessoas podem desenvolver fobias. Ela destaca que o ideal é não ser ‘8 ou 80’, mas sim buscar uma forma de equilíbrio.
Em conversa com o A VOZ DA CIDADE, Priscila explicou que o hábito exagerado com a limpeza e o medo da contaminação, podem desenvolver o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ou uma fobia social. “Essa situação é algo que já venho dialogando com amigos, outros psicólogos e abordo isso até mesmo com pacientes”, disse, explicando que atualmente a filha de uma paciente vem desenvolvendo o comportamento de fobia social. “Isso é preocupante porque muitas pessoas lidam bem com esses novos hábitos, outros desenvolvem compulsões”, ratificou.
Priscila explicou ainda que não há como afirmar o que exatamente leva uma pessoa a desenvolver alguma compulsão ou fobia, pois isso é um caso isolado que deve ser analisado em cada paciente. “O que estamos vivendo atualmente pode ser um gatilho de alguma coisa vivida na infância ou algo do gênero, levando a pessoa a desenvolver esse comportamento, mas não é correto afirmar com propriedade. A pessoa pode ter vivido uma vida extremamente saudável e com a pandemia, veio o medo e a ansiedade, fazendo-a desenvolver isso”, pontuou a especialista.
Novos hábitos
Ela relatou ainda que o pós-pandemia pode trazer também hábitos positivos, principalmente em relação a higiene. Ela explica que o que é feito repetidamente, pode se tornar um costume. “O hábito surge de atitudes inconsciente e que são realizadas repetidamente. Quando a gente entra numa dieta e faz por uns 20 dias, por exemplo, isso já começa a se tornar um hábito”, expôs, exemplificando a higiene, que é um dos principais pontos para evitar a contaminação pela Covid-19. “O número de pessoas carregando fracos de álcool aumentou, os estabelecimentos se adequaram a isso, e acredito que isso não vai passar, é o novo hábito e muita gente que vai levar isso para vida”, destacou psicológa.
‘8 ou 80’
A Priscila reforçou que é de grande importância que as pessoas tentem buscar o equilíbrio. “Muita gente está preocupada ao extremo e outros não se importam, como um ‘8 ou 80’”, disse, lembrando a importância da terapia. “Através dela a gente percebe nossas forças e fraquezas. As forças precisam ser desenvolvidas e as fraquezas trabalhadas. O autoconhecimento é ideal para o que precisa ser desenvolvido”, apontou.
Análise dos acontecimentos durante pandemia
Priscila Veríssimo, de 36 anos, vem fazendo lives em seu Instagram (@psicologa.priscilaverissimo) onde dialoga com outros psicólogos sobre temas decorrentes da pandemia da Covid-19. O primeiro tema abordado por ela foi sobre a ansiedade e o segundo foi sobre autoestima. A próxima live abordará o aumento da violência doméstica durante o isolamento social. Informações sobre a data e horário da transmissão ainda serão divulgadas no perfil citado anteriormente.