ESTADO
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), anunciou nesta quinta-feira, 19, a advogada Jane Reis como pré-candidata a vice-governadora em sua chapa na disputa pelo Palácio Guanabara. A definição confirma a aliança com o MDB e reforça a estratégia de ampliar presença política na Baixada Fluminense.
Nos bastidores, havia a expectativa de que o nome escolhido para a vice pudesse representar o Sul Fluminense, ampliando o diálogo regional da chapa. No entanto, a decisão recaiu sobre a Baixada, região considerada estratégica no xadrez eleitoral do estado.
Jane é irmã de Washington Reis, presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Duque de Caxias. Ele está inelegível após condenação por crime ambiental e tenta reverter a situação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2020, Jane disputou a prefeitura de Magé pelo MDB e obteve 5,92% dos votos. Evangélica e ligada à atuação religiosa, ela passa a integrar a composição majoritária em um momento considerado decisivo para a consolidação das alianças de Paes.
O prefeito também informou que deixará o comando da Prefeitura do Rio em 20 de março, cumprindo o prazo estabelecido pela legislação eleitoral, que determina a desincompatibilização seis meses antes do pleito.
Estratégia eleitoral
A escolha é vista como movimento para fortalecer a candidatura na Baixada Fluminense, região historicamente determinante nas eleições estaduais. O nome de Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, chegou a ser cogitado, mas entraves partidários inviabilizaram a composição.
Com o MDB na chapa, Paes amplia seu arco de alianças. O PSD já conta com apoio do PT e de setores da esquerda, e agora incorpora uma ala com histórico de proximidade com o eleitorado conservador no estado.
Além do peso político da família Reis, a indicação agrega elementos considerados estratégicos: presença feminina na chapa majoritária, aproximação com o segmento evangélico e fortalecimento da capilaridade partidária no interior do estado.
Em 2018, Paes disputou o governo do estado e foi derrotado por Wilson Witzel no segundo turno, quando obteve 40,13% dos votos. Na Baixada, o desempenho foi inferior ao do adversário, ampliando a importância da região no novo cenário eleitoral.