PIRAÍ/SEROPEDICA
A construção da Nova Serra das Araras, na Via Dutra (BR-116), uma das maiores obras de engenharia viária em andamento no Brasil e na América Latina, tem sido marcada não apenas pelo porte da intervenção, mas também por uma relação contínua de diálogo, escuta e respeito com as comunidades do entorno e com as áreas de preservação ambiental. Executada pela RioSP, uma empresa Motiva, a obra avança com 60% de execução física e investimento de R$ 1,5 bilhão.
Localizadas em um trecho sensível da Serra das Araras, entre os municípios de Piraí e Paracambi, três comunidades convivem diretamente com a obra: Vila Cruzeiro, Vila Cristã e Vila Caiçara. Desde a concepção do projeto, a concessionária estruturou soluções para minimizar impactos e garantir a mobilidade e a segurança dos moradores. Entre as medidas adotadas estão a construção de passarelas específicas para cada comunidade, adequações de acessos, desenvolvimento de via marginal e planejamento cuidadoso das áreas de desapropriação e desocupação.
“O projeto foi pensado para que a obra conviva com o entorno, respeitando quem mora aqui e o ambiente em que estamos inseridos”, explica Virgílius Morais, gerente de implantação da obra da Nova Serra das Araras. Segundo ele, até mesmo atividades tradicionais da região, como o trabalho dos feirantes que atuam na subida e descida da serra, foram consideradas. Durante a execução, foi destinado um espaço provisório e, ao final da obra, a área hoje ocupada pelo canteiro industrial será devolvida para que eles possam retomar suas atividades.
Além da infraestrutura, o relacionamento com as comunidades tem sido pautado pela comunicação direta. Antes mesmo do início das intervenções, a RioSP promoveu ações informativas com apoio das prefeituras, utilizando uma van itinerante – o SIC (Serviço de Informação ao Cliente) – para levar informações às localidades mais próximas, além da distribuição de materiais explicativos sobre os benefícios da obra e as ações ambientais implantadas. Ao longo da obra, o contato foi fortalecido com lideranças comunitárias e associações de moradores, que hoje funcionam como canais permanentes de diálogo.
“Sabemos que uma obra desse porte gera impactos, mas nosso compromisso é ouvir, entender e agir”, destaca Hellen Arigoni, da área de relações institucionais da RioSP. Um exemplo citado por ela foi a adequação dos horários das detonações de rocha, que inicialmente geraram reclamações por coincidirem com o horário de entrada de crianças nas escolas. Após ouvir a comunidade, a concessionária alterou os horários, reduzindo os transtornos. Demandas pontuais, como eventuais interrupções no abastecimento de água, também são tratadas com vistorias em loco e respostas rápidas.
O cuidado com o entorno vai além das questões operacionais. A obra também tem deixado um legado social importante para a região, com destaque para o Canteiro Escola, instalado em Paracambi, em parceria com a Prefeitura, a Firjan SENAI e a EGTC Infra. A iniciativa oferece formação profissional em construção civil, com turmas compostas majoritariamente por mulheres. A primeira turma, formada por 30 alunas, já tem 100% de aproveitamento garantido na própria obra da Serra das Araras.
Atualmente, cerca de 2,5 mil pessoas trabalham diretamente na obra, em turnos diurnos e noturnos, com geração estimada de mais de cinco mil empregos diretos e indiretos. A maior parte da mão de obra é formada por moradores de Piraí e Paracambi, o que tem impulsionado a economia local, aquecendo setores como comércio, serviços, bares, restaurantes e hotelaria.
Paralelamente, o Instituto Motiva desenvolve projetos sociais e educacionais nos municípios do entorno. Em Piraí, mais de 200 crianças são atendidas pelo projeto Container do Esporte, com aulas gratuitas em escolas públicas. Em Paracambi, uma escola municipal foi premiada com R$ 100 mil no programa Escolas Baseadas na Natureza, reconhecendo iniciativas de educação ambiental e integração comunitária.
Segundo a concessionária, um mapeamento social está em andamento para identificar as principais necessidades das comunidades, permitindo a implementação de novos projetos alinhados às demandas locais. “A obra passa, mas o legado fica. Nosso objetivo é impactar positivamente quando chegamos e deixar benefícios duradouros quando saímos”, reforça Virgílius Morais.
Com previsão de conclusão para 2027, a Nova Serra das Araras promete ampliar a capacidade da Via Dutra, reduzir o tempo de percurso em até 50% e aumentar a segurança viária. Ao mesmo tempo, a obra se consolida como um exemplo de integração entre infraestrutura, responsabilidade social e respeito às comunidades e ao meio ambiente como o A VOZ DA CIDADE tem tratado semanalmente nas matérias especiais sobre a obra.






