ANGRA DOS REIS
A expectativa por uma decisão definitiva sobre o futuro de Angra 3 voltou a crescer. A Eletronuclear encaminhou, na terça-feira, 4, ao Ministério de Minas e Energia (MME), o estudo atualizado sobre a modelagem econômico-financeira do empreendimento, elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O documento, solicitado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), conclui que a retomada e conclusão da usina são o caminho mais racional e vantajoso para o país.
O MME deverá submeter o relatório ao CNPE, que deve deliberar sobre o tema ainda em 2025. A proposta já foi debatida três vezes desde o fim de 2024, todas com parecer favorável do ministro de Minas e Energia, seguido, contudo, de pedido de vista coletivo pelos demais conselheiros.
De acordo com o estudo, abandonar as obras de Angra 3 custaria entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, enquanto a conclusão demandaria cerca de R$ 24 bilhões, com a vantagem de gerar energia limpa e estável a partir de 2033. A tarifa de equilíbrio foi estimada entre R$ 778 e R$ 817 por MWh, inferior ao custo médio da maioria das usinas térmicas de grande porte no país.
O relatório do BNDES aponta ainda que incentivos tributários em discussão no Congresso, como o Renuclear, além de melhores condições de crédito e contratações, podem reduzir os custos finais do projeto.
Atualmente, a Eletronuclear gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano apenas para manter a estrutura da usina — sendo R$ 800 milhões referentes ao serviço da dívida e R$ 200 milhões para conservação de equipamentos. O empreendimento já recebeu mais de R$ 12 bilhões em investimentos.
Quando concluída, Angra 3 terá capacidade para gerar 1,4 GW, o suficiente para abastecer 4,5 milhões de habitantes, reforçando a segurança energética e a descarbonização da matriz elétrica brasileira. Durante o pico das obras, devem ser criados sete mil empregos diretos e milhares de indiretos, com impacto econômico positivo na Costa Verde fluminense.
O estudo do BNDES ainda ressalta que, além de competitiva, a energia nuclear tem papel estratégico diante do avanço da inteligência artificial e da expansão de data centers, que exigem fornecimento contínuo de energia. Assim, o Brasil pode se posicionar de forma estratégica para unir inovação, sustentabilidade e desenvolvimento industrial.