VOLTA REDONDA
Aconteceu na manhã desta segunda-feira, dia 7, no Cemitério Isidório Rineiro/Bom Jardim, no bairro Retiro, em Volta Redonda, o sepultamento dos restos mortais de Jonathan Gilberto Paulino da Silva, morto em dezembro de 202. O sepultamento encerrou a saga de luta da comerciante, Alessandra Aparecida Paulino, a Tia Chica, mãe de Jonathan, que havia sido enterrado como indigente no Cemitério de Barra do Piraí. Segundo ela, foram 18 meses de espera para dar um enterro digno ao filho depois que a justiça autorizou o translado do corpo.
Além de parentes e amigos da família de Jonathan, esteve presente no sepultamento o representante do Cemitério de Barra do Pirai, Luis Carlos Paulista. No momento do sepultamento, os presentes no cemitério soltaram balões brancos, um gesto de paz. O luto de uma mãe que enterra um filho é uma dor única, marcada pela inversão da ordem natural da vida, mas para Tia Chica, foi um alivio saber que o filho dela teve um sepultamento digno, já que tinha sido enterrado como indigente fora de sua cidade de origem.
DESAPARECIMENTO NO DIA 19 DEZEMBRO DE 2023
Vale lembrar que em 19 de dezembro de 2023, Jonathan desapareceu de casa e no dia 23 do mesmo mês ela, ao saber do encontro de um cadáver às margens do rio, em Barra do Piraí, foi ao local e reconheceu, informalmente, o corpo como sendo do filho dela. Mesmo assim, na ocasião não pôde sepultar. Com isso, de acordo com ela, de janeiro a março de 2024, entre idas e vindas ao Instituto Médico Legal (IML), em abril, foi instaurado processo para o DNA e os apelos da mãe enlutada iniciaram nas redes sociais. No mesmo mês, foi realizada com ela a primeira reunião no Núcleo de Prática Jurídica da Universidade Federal Fluminense em Volta Redonda (NPJ-UFF), com vários coletivos ligados aos Direitos Humanos, além de coleta de material para o 2º DNA e localização do corpo de Jonathan Gilberto.
Em maio, aconteceu a notícia oficial das ‘mães enlutadas’ sobre esse e outros os casos. E foi em outubro de 2024que aconteceu a entrega do laudo do DNA pela Delegacia de Polícia. Depois de várias ações, no mês passado, a Certidão de Óbito do Jonathan foi liberada, como também a exumação do corpo. Com isso, segundo a mãe, depois de tanta espera ela teve como dar um sepultamento digno para o filho.
AUXÍLIO DA SMDH
Alessandra Aparecida Paulino, mais conhecida como Dona Chica, conseguiu, nesta segunda-feira, dia 7, enfim sepultar o corpo do seu filho, o ex-taxista Jhonatan Gilberto Paulino da Silva, que desapareceu em dezembro de 2023 e foi sepultado como indigente em Barra do Piraí. O alívio, depois de muita luta, é um dos casos que contou com o auxílio da Prefeitura de Volta Redonda, por meio da Secretaria da Mulher e Direitos Humanos (SMDH), que vem apoiando o movimento ‘Mães Enlutadas’ na busca por filhos ou parentes desaparecidos ou enterrados como indigentes.
A secretária Municipal da Mulher e Direitos Humanos, Glória Amorim, explica que representantes da Assessoria de Direitos Humanos da SMDH vêm auxiliando os familiares do ‘Mães Enlutadas’ a conseguirem soluções mais rápidas do Ministério Público (MP) e Poder Judiciário, agilizando o encaminhamento dos processos para a emissão das certidões de óbitos, para que esses documentos fossem disponibilizados no menor tempo possível. “Elas lutam e sofrem com os obstáculos colocados para tirar os documentos que liberem os corpos ou que forneçam as certidões de óbitos, devido às exigências burocráticas que são criadas. Conseguimos auxiliar para que os documentos fossem liberados mais rapidamente, atendendo aos objetivos dos familiares e encerrando o sofrimento pela demora na emissão dos documentos de óbitos”, ressaltou a secretária.
Dona Chica, que também é fundadora do ‘Mães Enlutadas’, esteve na sede da SMDH acompanhada de Maria Aparecida Ferreira da Silva, que tentava desde 2018 conseguir a Certidão de Óbito do seu irmão, Luiz Carlos Ferreira, que morreu afogado no Rio Paraíba do Sul. Elas agradeceram o apoio da secretaria na solução dos casos. “Agradeço a colaboração da SMDH, por meio da Assessoria de Direitos Humanos, que nos auxiliou na agilização das medidas legais”, destacou Dona Chica, agradecendo também o apoio que recebeu do Movimento Ética na Política (MEP), do Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da prefeita de Barra do Pirai, Kátia Miki. “Finalmente, estamos conseguindo a solução final com o apoio da Secretaria da Mulher e Direitos Humanos. Depois de sete anos com idas e vindas no fórum, delegacia, IML (Instituto Médico Legal), feito o reconhecimento e teste de DNA, a Certidão de Óbito poderá ser emitida para a família”, concluiu Maria Aparecida.
Comerciante de Volta Redonda consegue realizar sepultamento do filho depois de 18 meses de espera
Restos mortais de Jonathan Gilberto Paulino da Silva, morto em dezembro de 2023, foram sepultados na manhã desta segunda-feira, dia 7, no Cemitério Municipal Bom Jardim/Isidório Ribeiro, no bairro Retiro
Parentes e amigos acompanharam o sepultamento dos restos mortais de Jonathan Gilberto Paulino da Silva - Divulgação

