Carnaval do Rio e São Paulo garante a renda de cerca de 180 famílias de Barra Mansa

Trabalho feito por bordadeiras poderá ser visto no desfile de escolas como Acadêmicos do Salgueiro, Portela, Vila Isabel, Vai Vai, Rosas de Ouro e Gaviões da Fiel

Por Roze Martins
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BARRA MANSA

Faltando menos de 20 dias para a chegada do carnaval, profissionais de Barra Mansa que produzem bordados para as escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo finalizaram, nesta semana, a mão de obra que há décadas é responsável pela renda de cerca de 180 famílias do município.  São mulheres, de diferentes partes da cidade, responsáveis em idealizar todo o brilho, as cores e o glamour das agremiações, e que prestam serviço para uma empresa familiar de confecção que atravessa gerações, em Barra Mansa.

O responsável pela equipe de bordadeiras, o empresário Paulo Victor Calvano Santos, fala com orgulho sobre a conclusão de mais um ano atendendo as grandes agremiações, além da oportunidade de gerar renda para essas famílias.

“Barra Mansa tem um papel fundamental na maior festa popular brasileira. São mais de cem famílias que trabalham diretamente para o carnaval do Rio e São Paulo, uma empregabilidade muito importante nesse ramo. E é muito gratificante ver o trabalho minucioso, que é feito com tanto capricho por essas bordadeiras. Elas começaram a bordar em maio do ano passado e daqui há alguns dias o país inteiro vai poder se surpreender com as fantasias produzidas por meio dos bordados delas”, destacou.

Conforme ele explica, embora depois de pronto, muitos pensem que foi feito à máquina, o bordado começa da seguinte forma: primeiro a equipe pega o risco que é enviado pelos carnavalescos por meios de fotos, esse risco é ampliado, bordado e entregue para aprovação. Sendo aprovado, eles aplicam na fantasia e nos carros alegóricos.

Neste ano, segundo Vitor, as escolas atendidas por sua equipe foram as do Grupo Especial do Rio de Janeiro: Beija flor de Nilopólis, Unidos da Grande Rio, Imperatriz leopoldinense, Acadêmicos do Salgueiro, Portela, e Unidos de Vila Isabel , além do Império Serrano, que pertence ao Grupo de Acesso. Em São Paulo, o trabalho de bordado foi distribuído entre as escolas Dragoes da Real,  Rosas de ouro – atual campeã -, Vai Vai, Gaviões da Fiel e Barroca Zona Sul.

“Temos uma equipe grande de bordadeiras e entendemos que é muito importante valorizar esse trabalho da indústria do carnaval, onde culturalmente tudo é artesanal, desde o barracão, a escultura e as ferragens até a parte do brilho, onde entra a mão de obra daqui, com os paetês que elas bordam para a montagem das roupas”, explicou o empresário.

Quatro décadas de dedicação ao bordado

Uma das bordadeiras que fazem parte da confecção comandada por Vítor é a Luciana Cristina, de 49 anos, que iniciou a atividade quando ainda tinha nove anos. Ela conta que aprendeu com uma tia, que na época bordava para a avó dele, e que nunca mais largou a parceria com sua família.

“Já bordei para a avó dele, o pai, o tio e hoje faço parte da equipe dele. Toda a minha renda vem do bordado, que é um trabalho que exige muita atenção, mas que é gratificante quando a gente vê as escolas brilhando na televisão. Hoje minha filha, para quem ensinei o bordado, também faz parte da equipe  e eu fico feliz em ver ela no atelier, onde agora é responsável pelos desenhos e montagem das peças. Sem dúvidas, o bordado é uma coisa que amo muito”, enfatizou.

A filha dela, Flávia Cristina de Oliveira, tem 25 anos, e apesar de ter aprendido a bordar com a mãe, desde pequena, nos últimos três anos tem se dedicado em fazer os desenhos que são enviados pelos carnavalescos. Conforme destaca, é muito gratificante saber que todos os anos ela contribui para um espetáculo que atrai pessoas de todo o mundo.

“Vê que a escola conseguiu entregar o que ela desejava, mostra que o nosso trabalho fez toda a diferença. A cada ano é uma emoção diferente. É muito gratificante e acabo torcendo por todas que, de alguma forma, contribuí com meu trabalho”, pontuou.

Uma das mais novas da equipe, a funcionária,  Elisângela da Silva Rodrigues foi responsável pela logística da confecção e disse ter ficado encantada sobre como funciona o trabalho das bordadeiras e a sua importância para o carnaval. “ Eu achei muito legar trabalhar aqui, vi o quanto exige cuidado, dedicação para que tudo saia lindo como é, e pretendo continuar”, finalizou.

Negócio de Família

Ao contar sobre a origem dos bordados na cidade, Vitor recorda que disse que tudo começou com a tida do seu pai, Jardas Dantas, que aprendeu a técnica no Chile e a introduziu entre familiares em Barra Mansa. Sua avó, que era contadora, também começou a trabalhar na empresa de confecção e foi repassando os serviços para os filhos. “Minha avó passou para  o meu pai, que agora passou para mim e me deixou com essa responsabilidade”, contou.

 

 

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