Brasil bate recorde de feminicídios em 2025 e Sul Fluminense registra dez mortes

Dados do Ministério da Justiça mostram aumento nacional do crime, enquanto levantamento aponta ainda 21 tentativas de feminicídio na região

Por Mônica Vieira
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SUL FLUMINENSE

O número de feminicídios no Brasil atingiu um novo recorde em 2025 e reforça o cenário de agravamento da violência contra a mulher no país. De janeiro a dezembro, foram registrados 1.470 casos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, superando a marca de 1.464 ocorrências contabilizadas em 2024, que até então representava o maior índice da série histórica.

Os registros oficiais indicam que, em média, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia ao longo do ano passado. Mesmo sem a consolidação dos números do último mês de 2025, o estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 233 casos. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 139 registros, e o Rio de Janeiro, com 104 feminicídios.

No Sul Fluminense, a situação também é preocupante. Levantamento realizado pelo jornal A VOZ DA CIDADE junto ao Instituto de Segurança Pública (ISP), apurado nesta quarta-feira, dia 21, aponta que dez mulheres foram vítimas de feminicídio na região ao longo de 2025. Além disso, outras 21 ocorrências foram classificadas como tentativas do crime.

Os feminicídios registrados no Sul Fluminense ocorreram nos municípios de Volta Redonda, Três Rios, Angra dos Reis, Mangaratiba, Resende, Miguel Pereira, Rio Claro, Paty do Alferes e Barra Mansa. Mangaratiba concentrou dois casos, enquanto as demais cidades contabilizaram uma morte cada.

Já em relação às tentativas de feminicídio, Volta Redonda e Vassouras aparecem como os municípios com maior número de registros, com três casos cada, dentro do total de 21 ocorrências na região.

Os números reforçam a gravidade do problema e evidenciam a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores, tanto em nível nacional quanto regional.

DELEGADA FAZ ALERTA

Nesta quarta-feira, o jornal A VOZ DA CIDADE conversou com a delegada Juliana Montes, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Volta Redonda. Para ela, o aumento dos números de violência contra a mulher é alarmante, mas o feminicídio tem características próprias. “Outros crimes, como violência psicológica, lesão corporal e violência sexual, também cresceram, e parte disso pode estar ligada ao aumento das denúncias, à maior confiança das mulheres no Estado e na rede de apoio. Já o feminicídio não permite esse tipo de leitura, não há como maquiar os números”, afirmou.

Segundo a delegada, há inclusive preocupação com subnotificações. “Em alguns casos, dependendo de uma interpretação mais tênue, o crime pode acabar sendo registrado como homicídio, e não como feminicídio”, explicou. Juliana destaca que suas análises se baseiam não apenas no campo jurídico, mas também em estudos da psicologia. “A violência de gênero é visceral, envolve traumas profundos e uma criminologia diferente daquela ligada aos crimes de rua.”

Para a delegada, o crescimento dos casos de feminicídio está relacionado ao fato de as mulheres estarem resistindo mais a relações abusivas. “As mulheres têm se empoderado, reconhecido o próprio valor e deixado de aceitar comportamentos que sempre foram abusivos. O momento de maior risco é justamente o término do relacionamento ou quando a mulher verbaliza que vai sair dele”, disse. Ela ressalta que esses rompimentos ocorrem com mais frequência porque muitas buscam independência financeira e autoestima, o que pode levar à escalada da violência por parte do agressor.

Juliana também observa que hoje as mulheres não aceitam mais agressões que antes eram silenciadas. “Elas têm se levantado e enfrentado. Homens que estavam acostumados a agredir e humilhar, quando se veem confrontados, acabam levando a violência ao extremo, que é o feminicídio.” Para ela, trata-se de um fenômeno que precisa ser estudado sob a ótica psicológica, com a busca de ajuda especializada por todos os envolvidos.

Ao falar sobre o papel das forças de segurança, a delegada foi enfática. “Nossa atuação é de tolerância zero com comportamentos misóginos e violentos. O feminicídio é o ápice de uma violência que se constrói aos poucos. Se agirmos com rigor desde a raiz, punindo os primeiros abusos, conseguimos salvar vidas.” Ela destacou ainda a importância de combater discursos de ódio, especialmente nas redes sociais. “Essas falas estimulam milhares de outros homens. Criminalizar essas condutas é essencial, lembrando que hoje o feminicídio é o crime com a pena mais alta do Código Penal – de 20 a 40 anos.”

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