BARRA MANSA
A notícia sobre o furto de objetos sagrados na igreja Bom Jesus, no bairro Monte Cristo, em Barra Mansa, surpreendeu e mobilizou a comunidade católica nesta quarta-feira, dia 30. O furto foi durante a madrugada, quando foram levados três âmbulas – recipientes usados para armazenar hóstias –, o sacrário da igreja e hóstias consagradas. Após a polícia ser acionada, uma guarnição do 28ª Batalhão de Polícia Militar (BPM) conseguiu recuperar alguns objetos, no entanto, as películas de hóstias não foram encontradas e ninguém foi preso. Por meio de uma nota, divulgada pela Diocese Barra do Piraí – Volta Redonda, o bispo Dom Luiz Henrique anunciou que a capela ficará fechada até sábado, dia 3, para o rito de purificação, conforme previsto no Pontifical Romano.
“Para reparar espiritualmente a afronta, irei presidir a Santa Missa de desagravo no próximo sábado, 3 de maio, às 19h30min, na própria Capela Bom Jesus. Convido o clero, os religiosos e todos os fiéis a participarem”, assinou o bispo.
Em entrevista ao A VOZ DA CIDADE, o padre Renê de Oliveira, que pároco da Paróquia de São Sebastião, da qual faz parte da comunidade de Bom Jesus Monte Cristo, disse que a igreja foi encontrada arrombada e que foi constado que o cofre de ofertas também teria sido arrombado, porém sem nada ter sido levado. Mas, que a se dirigirem até a capela do Santíssimo, foi constatado o furto do mesmo.
“Imediatamente iniciamos as tratativas para fazermos a denúncia às autoridades e também fazemos os contatos devidos com a autoridade da igreja, que é o senhor bispo de Diocesano, Dom Luiz Henrique. O boletim de ocorrência foi realizado e, em seguida eu editei uma nota para ser de conhecimento da sociedade, particularmente do comando da Polícia Militar do estado de Rio de Janeiro, que prontamente se colocou à disposição para recuperar os objetos furtados. A polícia recuperou esses objetos, uma pessoa foi apreendida, mas ele foram todos perdidos porque ficaram totalmente danificados para serem vendidos, como sucata a ferros-velhos da região”, lamentou o padre.
Segundo René, a igreja é um lugar sagrado para os cristãos católicos, e, particularmente no caso da igreja católica, existe o costume, a tradição e a fé de se conservar as partículas consagradas para os diversos cultos que as pessoas fazem, como adoração e vigílias e eucarísticas, bem como atender enfermos, doentes, que desejam comungar em situação de urgência.
“Essas partículas consagradas, chamadas hóstias, para nós católicos, elas são a presença real de Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo, de acordo com o que Jesus Cristo disse na última ceia, né? Tomai todos e comei, isto é o meu corpo, isto é o meu corpo. Por isso, a igreja nos manda conservar em lugar digno, seguro, para que elas não sejam violadas. E o que aconteceu no roubo do sacrário com estas hóstias, para nós católicos, é chamado de um ato de profanação, ou seja, um ato de desrespeito, um ato de agressão, um ato de irreverência a algo que nos é sagrado”, detalhou o pároco.
Com relação a missa que será presidida pelo bispo, ele esclareceu que será para reparar este ato, ou sejam será feito um ritual de desagravo para purificar, consolar, e também como um gesto de penitência dos católicos para que o local onde aconteceu a profanação.
“O que acontecerá no sábado é sobre a presidência do senhor bispo do Luiz Henrique, na missa de desagravo, que devolverá a dignidade do local para que continue acontecendo os atos litúrgicos de devoção, de fé e de reverência do povo de Deus, dos fiéis da igreja. Gostaria de acrescentar que as partículas consagradas não foram recuperadas, não temos nenhuma pista de onde elas foram descartadas ou guardadas pelas pessoas que adentraram a igreja para cometer esse crime”, finalizou o padre.
Caso de Polícia
Após colherem informações com o coordenador da comunidade, a equipe da PM iniciou diligências e, com base em informações obtidas, localizou uma mulher, que levou os agentes até um ferro-velho no bairro Piteiras. No local, o proprietário entregou as três âmbulas adquiridas da mulher.
Ela alegou não ter participado do furto, afirmando que apenas acompanhou o autor na venda do material. Ele não foi localizado. Posteriormente, o sacrário foi encontrado danificado em um terreno baldio na Rua H, conhecido por ser frequentado por usuários de drogas.
A ocorrência foi registrada na 90ª Delegacia de Polícia (DP). A mulher foi ouvida e liberada. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação se o proprietário do ferro-velho foi autuado por receptação.