Ato em Volta Redonda repudia violência contra a mulher após tentativa de feminicídio

Vítima segue internada e hospital pede doação de sangue O negativo

Por Mônica Vieira
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VOLTA REDONDA
Volta Redonda viverá, na próxima semana, um ato público de indignação, memória e enfrentamento à violência contra as mulheres. A mobilização ocorre após a recente tentativa de feminicídio registrada no município, no dia 21, quando uma mulher foi atingida por quatro disparos de arma de fogo efetuados pelo ex-companheiro, no bairro Vila Americana, na frente dos filhos. Ele foi preso horas depois, ontem, 22, em Sapucaia.
A vítima permanece internada, com estado de saúde que segue inspirando cuidados. Diante da gravidade do caso, o Hospital São João Batista (HSJB) onde ela está internada, convocou a população para doação de sangue do tipo O negativo, essencial para o tratamento e estabilização da paciente.
O ato foi convocado pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos e acontecerá na próxima terça-feira, dia 27 de janeiro, às 13 horas, na Praça da Prefeitura de Volta Redonda. A iniciativa tem o apoio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), por meio da delegada Juliana Montes, além de outras forças de segurança que atuam no município.
Em nota pública, a secretaria destacou que a violência contra as mulheres não é um problema individual, mas uma ferida social que exige posicionamento coletivo. O ato também busca dar visibilidade ao cenário alarmante de violência de gênero no país.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o número de feminicídios no Brasil bateu novo recorde em 2025, com 1.470 casos, superando o índice de 2024. Em média, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia ao longo do ano. São Paulo lidera o ranking nacional, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.
No Sul Fluminense, a situação também preocupa. Levantamento do jornal A VOZ DA CIDADE, com base em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), aponta que dez mulheres foram vítimas de feminicídio na região em 2025, além de 21 tentativas do crime. Os casos foram registrados em municípios como Volta Redonda, Barra Mansa, Angra dos Reis, Resende, Mangaratiba, entre outros.
Em recente entrevista ao A VOZ DA CIDADE, a delegada Juliana Montes reforçou o compromisso das forças de segurança no enfrentamento à violência de gênero.
“Nossa atuação é de tolerância zero com comportamentos misóginos e violentos. O feminicídio é o ápice de uma violência que se constrói aos poucos. Se agirmos com rigor desde a raiz, punindo os primeiros abusos, conseguimos salvar vidas”, afirmou.
A delegada também alertou para a necessidade de combater discursos de ódio, especialmente nas redes sociais.
“Essas falas estimulam milhares de outros homens. Criminalizar essas condutas é essencial, lembrando que hoje o feminicídio é o crime com a pena mais alta do Código Penal, com penas que variam de 20 a 40 anos.”
A organização do ato reforça que a mobilização é um chamado a toda a sociedade — mulheres, homens, jovens, lideranças comunitárias, instituições, igrejas e movimentos sociais — para que a violência contra as mulheres não seja mais silenciada nem naturalizada.
Enquanto a vítima segue lutando pela vida, Volta Redonda se prepara para transformar indignação em ação, memória e resistência.

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