Artesãs de Amparo improvisam espaço para exposição após queda de telhado de casarão histórico

Grupo Damas da Caridade é composto por 15 profissionais que produzem trabalhos variados com retalhos, crochê ,biscuit, madeira, reciclagem, pintura, bordado, tiedye e bambú

Por Roze Martins
03 04 2025 casarão amparo 5 foto iam martins

BARRA MANSA

Em decorrência de uma forte chuva ocorrida há cerca de 20 dias, o casarão histórico Artesanato Stella de Carvalho, localizado no distrito Nossa Senhora do Amparo, foi totalmente destelhado. O incidente fez com que as 15 artesãs do Grupo Damas da Caridade, que expunham e comercializavam seus trabalhos no local, buscassem um local provisório e, agora, essas profissionais estão se mobilizando para conseguirem retornar ao espaço, que abriga a história do artesanato da localidade desde 1945.

Conforme a artesã Elizabeth Portugal Teixeira, uma das responsáveis pelo grupo, após o incidente todo o material que estava no casarão foi transferido para um espaço disponibilizado por uma das artesãs na área central do distrito. Com trabalhos variados de retalhos, que incluem crochê, biscuit, madeira, reciclagem, pintura, bordado, tiedye e bambú, todas estão produzindo em suas próprias casas e se revezando em abrir, limpar e fazer as vendas todos os dias, inclusive aos finais de semana, das 9 às 16 horas. “Conseguimos o espaço de uma artesã para colocar o nosso trabalho em exposição, para não fecharmos totalmente. Nós vamos fazer leilão, bingo, rifa, pedágio, para levantar dinheiro para fazer a obra e vamos tentar também entrar nas leis da cultura, procurar um deputado federal para fazer uma emenda, porque o nosso objetivo ali no artesanato é fazer uma escola de artesãos e um espaço para a comunidade receber cursos do Senac, da Emater, da própria prefeitura ou alguém que queira fazer um trabalho voluntário”, disse a artesã, ao informar que uma das primeiras ações será um bingo previsto para acontecer no dia 21 de junho, na quadra poliesportiva do distrito.

Segundo a artesã, a Defesa Civil interditou o local e já liberou para que os entulhos sejam retirados do local. O problema, no entanto, é que o grupo não tem recursos para executar esse tipo de serviço. “A gente não tem dinheiro e está tentando trabalhar com voluntários, inclusive o engenheiro que vai fazer o projeto. A nossa situação está bem difícil financeiramente, porque não temos o apoio por parte do poder público. Vamos ver se a comunidade abraça esse projeto de refazermos esse espaço, que, na verdade, é um grande patrimônio da cidade”, finalizou Elisabeth.

Conforme informou o coordenador da Defesa Civil, João Vitor Ramos, mesmo sendo muito antigo, o casarão está liberado para intervenção porque a edificação não tem tombamento histórico. Porém, a recomendação do órgão é que sejam feitas intervenções estruturais, principalmente na cobertura. “A gente os orientou a colocar uma cobertura mais leve na edificação, pois algumas estruturas do madeiramento do telhado, que ainda ficaram, já apresentam algumas patologias que indicam que ele não está suportando o peso das telhas cerâmicas que estão ali. Nós orientamos que se faça a remoção e a substituição desse madeiramento, pois elas são necessárias para poder sanar os riscos ali”, explicou o coordenador.

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