SÃO PAULO/VOLTA REDONDA
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou que pretende realizar, ainda em 2026, a venda de uma participação significativa da CSN Infraestrutura e a alienação do controle da CSN Cimentos. As medidas fazem parte de um plano mais amplo de reestruturação financeira, com foco na redução da alavancagem em cerca de R$ 18 bilhões, valor equivalente a aproximadamente metade do endividamento atual do grupo.
A estratégia foi detalhada durante teleconferência com acionistas e investidores realizada na último dia 15, com a participação do presidente do conselho de administração, Benjamin Steinbruch, e do diretor financeiro e de relações com investidores, Marco Rabello. Na ocasião, Rabello declarou que o programa de venda de ativos será conduzido de forma seletiva, priorizando áreas capazes de destravar valor no curto prazo. Lembrou também que a intenção é concluir uma venda relevante da CSN Infraestrutura em 2026. Para a CSN Cimentos, o objetivo é buscar a transferência do controle no mesmo período.
No segmento de siderurgia, a companhia descartou uma venda direta de ativos. A alternativa apontada pela administração é a formação de parcerias estratégicas, consideradas mais adequadas para contribuir com a redução do endividamento sem comprometer a operação. Já o negócio de energia permanecerá integralmente no portfólio do grupo, por apresentar geração de resultados estáveis.
PACOTE DE DESINVESTIMENTOS
A CSN Mineração, por sua vez, não integra o pacote de desinvestimentos. Segundo a empresa, a unidade apresenta desempenho operacional consistente e é vista como o principal vetor de crescimento da companhia, sustentando a geração de caixa e os planos de expansão no médio e longo prazo.
Benjamin Steinbruch destacou que o movimento representa um marco na trajetória recente da CSN, ao enfrentar de maneira estrutural o desafio da alavancagem. Steinbruch lembrou também que o problema não está na qualidade dos ativos, mas em um cenário econômico marcado por juros muito elevados e forte concorrência de produtos importados, o que limita investimentos e crescimento.
Mesmo diante da expectativa de melhora nos preços e da redução dos custos de produção, especialmente no minério de ferro, a siderúrgica decidiu antecipar as decisões consideradas mais duras para fortalecer ainda mais o balanço. O trabalho realizado n ano de 2024 e 2025 deve deixar todos os ativos em condições melhores em 2026. Ainda assim, a empresa optou por acelerar o processo para reduzir a alavancagem em torno de R$ 18 bilhões.
Com a execução do plano, a CSN busca aliviar o peso das despesas financeiras, ampliar sua flexibilidade operacional e preservar investimentos estratégicos, avançando na meta de alcançar um patamar de endividamento considerado sustentável nos próximos anos.