Tarifaço causa incertezas no setor cafeeiro brasileiro

Estudos indicam que Brasil pode ser forçado a redirecionar parte da produção nacional a outros mercados

Por Franciele Aleixo
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BARRA MANSA

Um alimento amado pela grande maioria dos brasileiros está subindo de preço: o café. O grão já vinha apresentando reajuste nos últimos anos, mas a situação ficou ainda pior com as novas tarifas de 50% que o governo Trump impôs sobre produtos brasileiros.

O setor cafeeiro brasileiro é tomado pela incerteza diante do anúncio da tarifa de 50% feita pelos Estados Unidos, principal destino das exportações do grão, sobre os embarques do café. A medida, que entrou em vigor no início de agosto.

Em análise feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada

(Cepea) no fim de julho, o centro de estudos indicou que o Brasil pode ser forçado a redirecionar parte da produção nacional a outros mercados.

O que causa estranheza de preços é que o movimento ocorre em agosto, mês de pico da colheita no Brasil, o maior produtor do mundo, quando a maior quantidade de sacas no mercado deveria estar pressionando as cotações para baixo.

A empresária do setor cafeeiro, Jane Paulina, destaca que antecipou sua compra antes dessa disparada de preços. “Minha próxima compra está programada para outubro ou novembro, estamos aguardando o cenário. Neste intervalo tivemos aumento na tarifa do café não torrado que passou 9% para 19% e uma elevada valorização do produto por fatores especulativos. O momento agora será de acompanhar a movimentação do mercado interno e a política tarifária, pois acredito que ambos influenciarão diretamente o preço do produto. Como a cotação oscila bastante, só na hora da compra teremos os dados necessários para avaliar possíveis reajustes”, destacou.

Ainda de acordo com ela, o cenário é de incertezas, que envolvem diversas questões, incluindo a colheita. “Ressalto que sou empresária não produtora, então se o café for considerado produto de primeira necessidade nos EUA poderá ser menos afetado pelo tarifaço, mas vai depender também da competitividade pela tarifa imposta a outros países podendo levar a uma perda de compra do mercado brasileiro Brasil (perder mercado para outros países com menor tarifa). Se isso acontecer podemos ter maior oferta de café no mercado interno que refletirá diretamente no preço final, mas ainda é tudo muito incerto”, diz, informando que nos meses de agosto e setembro são os picos da colheita e que toda a cotação é feita baseada no cenário atual.

A gerente de um supermercado, Vera Maciel, destaca que especialistas do setor atribuem essas oscilações aos estoques reduzidos. “Além disso, temos as condições climáticas adversas como frio intenso e geadas, que geraram preocupações entre os produtores. Incerteza é sempre ruim”, diz a gerente, informando que os preços estão variando, em média, de 3 a 5% para cima.

TARIFAÇO

No dia 30 de julho de 2025, o presidente Donald Trump assinou um decreto que elevou em 40 pontos percentuais a alíquota sobre produtos brasileiros. O documento também apresenta uma lista de 700 exceções que beneficiam segmentos estratégicos como o aeronáutico, o energético e parte do agronegócio.

Alguns setores brasileiros conseguiram escapar da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, enquanto outros foram diretamente atingidos pela medida, como é caso da carne bovina, café e frutas.

Os pesquisadores do Cepea apontam ainda que preços domésticos do café têm acompanhado os movimentos das Bolsas de Nova York e Londres, com oscilações associadas à atuação especulativa de fundos.

Pesquisadores lembram, ainda, que, no segmento do café arábica, em que o Brasil também lidera os embarques aos EUA, a Colômbia, principal concorrente, permanece isenta da nova tarifação. Quanto ao robusta, o Vietnã negocia a aplicação de uma alíquota reduzida de 20%, frente aos 46% inicialmente previstos.

 

 

 

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