Volta Redonda, uma cidade com ritmo e melodia

Por Franciele Aleixo
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VOLTA REDONDA

Em Volta Redonda, a música não se restringe ao dial das rádios, bares, boates e outros espaços: aqui, ritmo, melodia e harmonia são política pública, que já formou gerações de músicos nas últimas décadas e que segue oferecendo aprendizado a milhares de jovens, em sua maioria, nos mais variados projetos. São orquestras, coros, bandas e fanfarras em atividade graças a iniciativas como o “Volta Redonda Cidade da Música”, projetos sociais ou nas escolas – caso da Fanfarra da Escola Municipal Dr. Jiulio Caruso, no Conforto, que colecionou títulos estaduais e de nível nacional no final do ano passado.

 

De todos esses projetos, com certeza o mais conhecido é o “VR Cidade da Música”, criado em 1974 pelo maestro Nicolau Martins de Oliveira e que já se apresentou em alguns dos palcos mais importantes do país, como a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, e em alguns dos cartões postais da capital fluminense, entre eles o Cristo Redentor e a Igreja da Candelária.

 

Os grupos artísticos do projeto contam, atualmente, com 70 integrantes na Orquestra de Cordas; 59 na Orquestra de Violinos e Violas; 35 na Orquestra de Violoncelos e Contrabaixos; 153 vozes no Coro Infantojuvenil; 54 músicos na Banda de Concerto; e 130 na Banda Marcial. A iniciativa conta, ainda, com o trabalho realizado nas escolas municipais de ensino fundamental por meio da Banda Mini, que envolve mais de mil alunos.

 

Uma das coordenadoras do projeto, a maestra Sarah Higino diz que um dos primeiros desafios que muitos dos alunos egressos relatam tem muito a ver com a escolha da carreira musical em si. “Mesmo quando o jovem já tem convicção de que quer seguir na música, muitas vezes enfrenta o receio da família, principalmente pela insegurança que a profissão pode trazer, já que as oportunidades estáveis são mais raras. Isso é ainda mais forte numa cidade como a nossa, de perfil industrial, onde é comum ver gerações inteiras trabalhando no setor siderúrgico, por exemplo”, diz.

 

“Então, o primeiro grande passo é justamente convencer a família de que a música pode, sim, ser uma profissão séria e possível. Depois disso, vem a continuidade da formação, que é essencial. Procuramos orientar ao máximo nesse momento, ajudando na escolha das universidades, analisando os professores, indicando caminhos. Muitos ex-alunos acabam seguindo para o magistério, tendo como exemplo nossa equipe de professores do ‘VR Cidade da Música’, que sem abandonar a performance continuam estudando com professores particulares, procurando por aperfeiçoamento musical.”

 

Ela ressalta que o apoio e investimento na carreira desses jovens seguem a render frutos. “É muito gratificante ver que ex-alunos continuam atuando no universo musical, seja liderando grupos e coros nas igrejas que frequentam, em bandas militares, orquestras sinfônicas espalhadas pelo Brasil e em outros países, atuando como professores em universidades privadas e federais. Isso mostra que o projeto realmente plantou sementes que estão dando frutos, e isso nos enche de orgulho.”

 

*Banda Municipal*

 

Subordinada à Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda) e em atividade desde 1981, a Banda Municipal de Volta Redonda também é sinônimo de tradição musical. Comandada atualmente pelo maestro Rinaldo Cândido Galvão, a Banda tem mais de 50 componentes em sua formação atual, firme em seu objetivo de consolidar a cultura musical em Volta Redonda com a participação em eventos educacionais, esportivos, cívicos, comunitários, culturais, religiosos e institucionais, incluindo as celebrações do aniversário de emancipação do município e o Desfile de 7 de Setembro.

 

O repertório da Banda Municipal é eclético, marcado pela diversidade musical, incluindo o “Clássicos do Rock”, que teve início há cerca de uma década. Atualmente, a principal atividade do grupo é o projeto “Banda Alegra a Cidade”, com apresentações gratuitas realizadas mensalmente na Vila Santa Cecília.

 

“O investimento da prefeitura na Banda Municipal é fundamental para que os músicos instrumentistas (sopros e percussão) da cidade tenham a sua atividade artística destacada e representada. As bandas de música têm grande importância na história da música no Brasil e sempre estiveram fortemente inseridas na sociedade brasileira e em sua cultura, sendo também um celeiro de músicos profissionais que hoje integram as grandes orquestras e bandas sinfônicas do nosso país e exterior”, diz o maestro Rinaldo.

 

“Quando uma prefeitura investe e valoriza uma banda de música ela está estimulando o estudo de um instrumento musical, algo que é comprovadamente benéfico à formação do cidadão com inúmeros benefícios à saúde mental, desenvolvimento cognitivo e proporciona crescimento profissional”, acrescenta Rinaldo.

Também ligado à Fevre, o Coral Municipal de Volta Redonda comemorou seus 40 anos no último mês de março. A regente Maria Geralda lembra que o grupo já se apresentou em várias cidades de região e em Minas Gerais. No município, o Coral costuma se apresentar em vários eventos organizados pela prefeitura, incluindo as cantatas natalinas e a comemoração da Independência do Brasil, e em espaços públicos como escolas, secretarias municipais, autarquias, e em eventos e espaços particulares, como feiras literárias, igrejas, centros espíritas e centros universitários, entre outros, além de encontros de corais.

“É difícil avaliar qual a melhor apresentação, pois todas são muito importantes e cada uma tem o seu valor, de acordo com o seu perfil. O Coral concorda com a ideia de que ‘todo artista tem de ir aonde o povo está’ (da música ‘Nos bailes da vida’). Por isso, cantamos a qualquer hora e em qualquer lugar, levando alegria, esperança, conforto e amor aos corações de cada cidadão a nos ouvir”, explica Maria Geralda.

*No ritmo da Melhor Idade*

Quando se pensa na união da Terceira Idade com a música, o primeiro pensamento é o Bloco da Vida, que conta com diversos integrantes na bateria acima dos 60 anos. Sua formação, porém, é variável; por outro lado, a Fanfarra da Melhor Idade, criada em 2006 e integrada por idosos entre 60 e 90 atendidos pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social), tem 40 integrantes fixos que ensaiam toda segunda e quarta-feira.

O coordenador da fanfarra, Maurílio Luciano, destaca que o projeto já realizou apresentações em várias cidades da região, e que marcou presença, em dezembro passado, na abertura do Natal da Cidadania, na Vila Santa Cecília.

“Marcamos presença todos os anos na Caminhada da Pessoa Idosa, no Desfile de 7 de Setembro. Nossos componentes tocam instrumentos de sopro e percussão, o que dá a eles a oportunidade de desenvolverem habilidades e trabalharem a memória e a integração social”, diz.

“Com o apoio do nosso prefeito Neto, a fanfarra tem desenvolvido um trabalho de valorização da pessoa idosa, que tem ajudado na autoestima dos participantes, além de manterem atividades que estimulam as partes mental e psicológica”, acrescenta Maurílio.

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