Vereador promove pesquisa pública para levantar áreas de risco em Volta Redonda

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VOLTA REDONDA

O vereador Raone Ferreira, entre os dias 20 a 23 deste mês,  promoveu uma pesquisa pública de forma virtual para levantar as áreas de maior risco na cidade. Dos 144 entrevistados – entre mulheres e população LGBTQUA+ – 20% apontaram que o bairro Aterrado tem mais precariedade na segurança pública. A intenção do parlamentar foi ter um conhecimento sobre o pensamento das pessoas para apontar localizações estratégicas para o projeto VR Mais Segura, que prevê a instalação de 645 câmeras de segurança em locais públicos, que serão integradas com o Ciosp.

As localidades mais apontadas pelos participantes da pesquisa para a instalação de câmeras de segurança, seguidos do Aterrado, estão a Vila Santa Cecília (19%), Vila Mury (10%), Amaral Peixoto (12%), Conforto (6%), BR 393 (5%), Jardim Amália (4%), Ponte Alta (3%), Sessenta, São Geraldo, Barreira Cravo e Laranjal, com 2% das respostas.

Questionados sobre os locais que precisariam de câmeras de segurança, os participantes responderam nos seguintes locais: Jardim dos Inocentes (Vila Santa Cecília), Viaduto Nossa Senhora das Graças (Aterrado), Rua Nestor Rodrigues Perlingeiro (próximo ao Ministério Público), entre a Praça da Escola Técnica Pandiá Calógeras e a Rua 33 (Vila Santa Cecília), RJ 153 (próximo à Amaral Peixoto), Avenida dos Trabalhadores (Próximo ao Instituto Educacional Professor Manuel Marinho), Rua Senador Pinheiro Machado (ponto de ônibus no Jardim Normândia), Rodovia Lúcio Meira (ponto de ônibus no Jardim Amália), Escritório Central, Passarela que liga a Av. da Integração à travessa Luiz Antônio Félix (próximo à Amaral Peixoto), Av. Ministro Salgado Filho (Aero Clube), Rua Vereador Aldilio de Carvalho França e Rua Dom Pedro I (Ponte Alta).

Com os dados levantados, o vereador encaminhou ofício ao subsecretário de Ordem Pública de Volta Redonda, Amauri Pego Mendonça, na segunda-feira, 24. “Entendo que um mandato popular deve estar à disposição principalmente daqueles grupos mais vulneráveis. Quando o secretário nos apresentou a proposta da instalação das câmeras, eu logo pensei que deveríamos dar voz a quem sofre com a violência e o assédio na pele. As mulheres e a comunidade LGBTQIA+ devem ter seu direito à segurança garantido. Nossa cidade não pode mais ser hostil as minorias. Ouvir as principais demandas de segurança pública das camadas mais vulneráveis é estratégico para a implementação das câmeras”, destacou o vereador.

Sobre o direcionamento dado na pesquisa para ouvir mulheres e comunidade LGBTQIA+, o vereador disse que é o público considerável mais vulnerável em termos de segurança pública.  De acordo com o Centro Especializado de Apoio à Mulher (CEAM), no primeiro semestre de 2021, mais de 500 atendimentos foram realizados a mulheres vítima de violência em Volta Redonda.

Já o Mapeamento da Violência Contra a População LBTQIA+, realizado pelo movimento Volta Redonda sem Homofobia, registrou 18 casos de violência entre 2018 e 2020. Só em 2020, foram cinco casos de homicídio. Ainda de acordo o mapeamento, o município lidera os casos de homofobia no Sul Fluminense, com 44,8% das ocorrências.

Uma das mulheres que participou da pesquisa é Mariana Gatti, de 27 anos, moradora do bairro Santo Agostinho. Estudante, contou que já passou por diversas situações de assédio e até mesmo abuso físico nas ruas de Volta Redonda. Mariana apontou a rua do antigo fórum, localizada na Avenida Lucas Evangelista, no bairro Aterrado, como o principal ponto para a instalação de câmeras de segurança. “Um homem de bicicleta já passou a mão em mim em dois anos diferentes, no Aterrado. Em outra ocasião, o mesmo homem ficou me aguardando sair de perto das pessoas que eu estava conversando, mas percebeu que estava comentando sobre o fato e não sairia dali. Fora os assédios diários em qualquer lugar da cidade que passamos. Achei a pesquisa muito necessária de algo que precisa ser falado e nunca tinha visto algo assim para a cidade”, afirmou Mariana.