Três histórias de superação de moradores de Volta Redonda que podem te inspirar a ser melhor

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VOLTA REDONDA

LUANA JANUÁRIO 

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Superar limitações do corpo e da mente, os traumas e dores causados pelo mundo e más influências que rondam os jovens e os levam pelo caminho errado é um grande desafio. Mudar e crescer exige muito trabalho, resiliência, disciplina e paciência. São tantas as dificuldades e obstáculos no caminho, que é normal pensar em desistir e deixar tudo como está. O desânimo, de fato, atrapalha e dificulta a conquista dos objetivos, mas a forma como se encara essas experiências faz grande diferença para continuar perseguindo os sonhos.

Essa foi a atitude de três moradores de Volta Redonda que tiveram que dar o melhor de si, se tornando exemplos de superação. Hoje, eles falam do passado com orgulho por terem vencido todos os obstáculos.

Os traumas do bullying, limitações da mente e do corpo, além da influência negativa que pode levar uma pessoa a destruir sua vida, essas são as histórias de Luiz Claudio de Souza, Lays Cristina de Flecha e Douglas Moreira, que conversaram com o A VOZ DA CIDADE. Atualmente, os três, usam suas redes sociais para compartilhar suas histórias e conquistas. Muitos que os vêm hoje, mal imaginam as batalhas que tiveram de ser enfrentadas.

Luiz Claudio de Souza, 29 anos – Foto Divulgação

‘O esporte me salvou’

A primeira história é de um homem que aos nove meses de idade foi diagnosticado com paralisia cerebral. Atualmente, com 29 anos, Luiz Claudio de Souza, morador do Laranjal, já ganhou mais de dez medalhas na natação. De acordo com ele, na sua infância tinha dificuldades de falar e andar, chegando a passar por uma cirurgia na língua para que estimulasse a fala e o esporte foi o que o ajudou a desenvolver as habilidades motoras.

Luiz Claudio participa da natação há 25 anos, iniciando suas primeiras aulas aos 13 anos. Mas para chegar aonde chegou, teve que ter persistência, uma vez que as barreiras a serem ultrapassadas eram altas e a positividade foi o que o fez seguir em frente. “A natação surgiu como uma forma de terapia e depois de um tempo se tornou uma atividade de forma competitiva para mim”, disse, relatando que já foi bicampeão regional paulista e bicampeão dos jogos abertos de São Paulo, ambos em 2017 e 2019.

“O esporte me salvou. Cheguei também a fazer basquete, antes de escolher a natação, mas eu não via tanto futuro, havia muitas limitações que eu não conseguia desenvolver, que na natação eu percebi que seria melhor para mim”, disse, completando que o esporte foi a sua grande conquista na vida. Luiz já nadou em clubes de São José dos Campos, teve uma passagem pelo Vasco e atualmente participa de competições de águas abertas. Neste mês ele conquistou duas provas de nado aberto, ficando na 2ª colocação da prova de 1 quilômetro e em 3º lugar na de 500 metros.  “Tem pessoas que me procuram todos os dias, perguntando os motivos que me levam a treinar, o porquê de me dedicar tanto e se seriam capazes de tais realizações. Respondo a elas que poderiam ir até mais longe. Procurem algo que amam fazer, tracem metas possíveis e as transformem em degraus, planejamento é primordial para objetivos cada vez mais audaciosos. Respeite seu corpo, dê tempo a adaptações e, acima de tudo, divirta-se”, destacou Luiz Claudio.

Quem quiser conhecer melhor a história de Luiz Claudio, pode conferir sua conta no Instagram (@luizclaudiodesouza_).

Lays Cristina de Flecha, 23 anos – Foto Divulgação

Pintas gigantes

Lays Cristina de Flecha, de 23 anos, moradora do bairro São Cristovão, nasceu com uma condição genética, tendo que ter muita força de vontade durante a infância e adolescência para superar barreiras emocionais. Com 70% do corpo coberta por pintas gigantes, a jovem sofreu bullyings e chegou a se distanciar da escola por alguns anos. Atualmente, com quase 10 mil seguidores no Instagram (@lays_cristinaa), a jovem estimula em suas redes sociais a autoaceitação e amor próprio, ajudando outras pessoas a se aceitarem e as outras como são.

“No decorrer da minha vida sempre olhava isso de uma forma diferente porque as pessoas me olhavam assim. Na passagem da infância para a adolescência isso foi ainda mais negativo, pois fui muito rejeitada. Na escola as pessoas me chamavam de dálmata, onça pintada, que eu tinha a pele queimada, tinha gente com nojo de encostar em mim. Cheguei a parar os estudos dos 11 aos 14 anos, pois tinha pânico de ir para a escola. Fiquei em depressão, tomando remédios controlados”, relatou Lays.

Ainda de acordo com ela, através do apoio de sua mãe, que a motivou a olhar para si e perceber sua beleza, além do acompanhamento psicológico, foi quando as coisas começaram a mudar. “Encontrei, primeiramente, na internet um refúgio, onde via que outras pessoas eram parecidas comigo e percebi que eu não era a única. Daí surgiu o hobby de postar fotos minhas e conteúdos para estimular outras pessoas a se aceitarem e a quebrarem os padrões”, disse.

Lays Cristina disse ainda que agora as pessoas a procuram se identificando com sua história, e através dessa conexão ela visa motivar as mulheres. “Pessoas que sofriam com o corpo, com essa padronização que as redes sociais trazem, começaram a entrar em contato. Os conteúdos deram mais visualização do que eu estava esperando e isso me incentivou a querer criar mais. Só quem passou sabe como é ruim esse sentimento. Por mais que as pessoas digam que está tudo bem, quem já sentiu sabe como é difícil superar. É um desafio. Fico feliz em poder compartilhar minha história para ajudar outros”, concluiu.

Douglas Moreira, 26 anos – Foto Divulgação

Do mundo das drogas, para o mundo afora

Aos 14 anos, Douglas Moreira, morador do bairro Santa Cruz, teve seu primeiro contato com as drogas. A partir daí ele começou uma relação íntima com os entorpecentes, da maconha a cocaína, se envolvendo ainda com o tráfico e chegou até mesmo a sofrer várias tentativas de homicídio antes de decidir dizer ‘chega’. Atualmente, com 26 anos, Douglas trabalha em uma concessionária e realiza por fora trabalho de marketing para hotéis, fazendas, entre outros. Um dos seus objetivos agora é conhecer ao menos 30 países. Ele já esteve no Chile, na Argentina, Paraguai e Uruguai e, o próximo será a Colômbia.

Segundo ele conta, enquanto estava no mundo das drogas, não possuía nenhum sonho, projetos ou expectativas. Sua vida era voltada para a violência, participando de brigas de gangues sem se importar com as consequências. Foi apenas aos 20 anos que o insight aconteceu. “Vi que estava fazendo minha família sofrer. Meus pais me viam sair de casa e não sabiam se eu iria voltar. Mais percebi que aquilo não era vida, que eu poderia ser morto ou preso. O meu tempo estava passando e eu não estava conquistando nada de verdade, apenas existindo, mas não vivendo”, disse.

Douglas relatou que começou mudando suas amizades e afirma que influências negativas existem sim, uma vez que você absorve a energia do outro. “Se anda com gente envolvida em coisa errada, se envolverá também, por estar sempre junto”, afirmou, lembrando-se de um princípio de overdose que teve, o que o levou a não querer mais usar a cocaína.

“Eu desejei profundamente sair da zona de conforto em que eu estava. Foi onde eu consegui uma mudança de mente e agora eu tenho um objetivo de conhecer lugares. No meu Instagram (@douglas_moreira_7) faço trabalho de marketing, apresento lugares que já conheci e conto minha história para os outros com objetivo de mostrar que é possível tomar uma decisão de mudar de vida. Eu saí de um jovem sem perspectiva nenhuma para outro cheio de projetos e objetivos. Uma vez um rapaz tentou se suicidar no Paraíba, antes de se desfazer do celular ele viu uma postagem dessa história que conto e desistiu. Algum tempo depois nós nos encontramos e ele me contou isso. Fico feliz de que isso seja exemplo para que outros queiram mudar de vida também”, concluiu.

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