Tempo parece passar cada vez mais rápido

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BARRA MANSA

Às vezes parece que a vida está passando cada vez mais rápido diante de nós. Quando somos crianças, o tempo passa devagar com viagens de carro sem fim e férias de verão que parecem durar para sempre. Mas, como adultos, o tempo parece acelerar a um ritmo assustador, com o Natal e aniversários chegando mais rapidamente a cada ano.

Mas talvez você não precise se sentir assim. Nossa experiência de tempo é flexível, acelerando em algumas situações e desacelerando em outras. Existem até mesmo alguns estados alterados de consciência em que o tempo parece desacelerar para um grau extraordinário.

De acordo com a psicóloga Wanda Elizabeth, existem uma série de ‘leis’ básicas do tempo psicológico, como experimentadas pela maioria das pessoas. Uma delas é que o tempo parece acelerar à medida que envelhecemos. Outra é que o tempo parece desacelerar quando estamos expostos a novos ambientes e experiências. “Essas duas leis são causadas pelo mesmo fator subjacente: a relação entre a nossa experiência de tempo e a quantidade de informação (incluindo percepções, sensações e pensamentos) que nosso processo mental. Quanto mais informações nossas mentes recebem, mais lentamente o tempo parece passar”, explica.

Para ela, isso explica em parte porque o tempo passa tão devagar para as crianças e parece acelerar à medida que envelhecemos. “Para as crianças, o mundo é um lugar fascinante, cheio de novas experiências e novas sensações. À medida que envelhecemos, temos menos novas experiências e o mundo à nossa volta se torna mais e mais familiar. Ficamos insensíveis à nossa experiência, o que significa que processamos menos informações e o tempo parece acelerar. Outro fator pode ser o aspecto ‘proporcional’, ou seja, à medida que envelhecemos, cada período de tempo constitui uma proporção menor de nossa vida como um todo”, destaca.

Segue-se, então, que a experiência do tempo deve se expandir em um ambiente desconhecido, porque é onde nossas mentes processam mais informações do que o normal. Quando se viaja ficamos mais sensíveis ao nosso entorno. Tudo é estranho e novo, então prestamos muito mais atenção e se absorve mais informações.

Atualmente, o ser humano faz tudo ao mesmo tempo. Almoça chegando redes sociais, trabalha ouvindo música, caminha checando emails. Momentos em que se precisa ficar desconectado, parecem ser uma eternidade.

Curtir o momento significa viver através dos nossos sentidos e da nossa experiência, e não através das nossas mentes. É uma abordagem diferente para evitar a familiaridade — e isso não acontece quando buscamos por novas experiências, mas quando mudamos nossa atitude em relação às nossas experiências. “Quando você estiver tomando banho de manhã, por exemplo, em vez de deixar sua mente programar as coisas que você tem que fazer hoje ou as que fez na noite anterior, tente trazer sua atenção para o aqui e o agora, para realmente estar ciente da sensação da água espirrando e escorrendo pelo seu corpo e a sensação de calor e limpeza que você sente”, cita Elizabeth.

Tecnologia que acelera o tempo

Segundo a Dr.ª Aoife McLoughlin da Universidade James Cook em Queensland, Austrália, a interação com sociedades tecnológicas e tecnocêntricas, aumentou algum tipo de ‘marcador de tempo’ dentro de nós. Embora esse marcador possa nos ajudar a trabalhar mais depressa, ele também nos faz sentir mais pressionados.

Mesmo que o uso quase constante de tecnologias seja um fenômeno relativamente novo, a velocidade em que o tempo passa é algo que as pessoas vêm reclamando há séculos. McLoughlin também encontrou evidências de que nossa percepção do tempo está ainda mais acelerada, graças aos smartphones, que nos permite estarmos conectados constantemente.

Em sua pesquisa, McLoughlin se focou especificamente em dois grupos de pessoas distintas – pessoas que vivem constantemente ligadas à tecnologia e pessoas que raramente fazem uso de tecnologia. O estudo comparou a forma como cada grupo percebe a passagem do tempo.

Ela descobriu que aqueles que estão sempre online em seus computadores ou smartphones, sentem que a quantidade de tempo passada é maior, se comparado com a quantidade sentida por aqueles que raramente utilizam algo tecnológico. Enquanto estas pessoas mais ligadas em tecnologia ficaram sentadas por 50 minutos em uma sala, a impressão que elas tiveram, foi que ficaram ali por cerca de uma hora. Essa diferença na percepção pode fazê-las se sentirem estressadas, porque pessoas conectadas são mais propensas a sentir o tempo passando do que pessoas desconectados.

E essa sensação não acontece apenas com pessoas que fazem uso constante de tecnologia – o estudo descobriu que mesmo, pessoas que leram apenas um texto usando um iPad, o tempo percebido parecia passar mais rapidamente do que para outras pessoas que tinham lido um trecho de um livro, sem usar algo tecnológico como interface.

É quase como se nós estivéssemos tentando emular a tecnologia, nós tornando mais rápidos e mais eficientes. Parece que existe algo na própria tecnologia que nos prepara a cada dia para aumentar esse “marcador” interno que mede a passagem do tempo.

Mas o uso desenfreado de tecnologia não é benéfico, dizem os pesquisadores, o ideal é ponderar o uso de tais tecnologias, pois assim, estaremos retardando esse ‘marcador’ que nos fazem sentir o tempo voar.

 

 

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