PIRAÍ
O mecânico acusado de matar e ocultar o corpo da enteada, de 15 anos, em Piraí foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Na denúncia, a Promotoria de Justiça de Piraí pede a condenação dele pelos crimes de feminicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Segundo as investigações, em fevereiro de 2023, após levar a esposa ao trabalho, o homem esganou a enteada, por ela ser contra o relacionamento dele com sua mãe, causando-lhe asfixia e lesões corto contundentes, que resultaram na sua morte. Em seguida, o denunciado embrulhou o corpo da adolescente em um lençol, colocando-o em seu carro e se dirigiu até Quatis, onde, em uma área de mata, na localidade de São Joaquim, deixou o cadáver da vítima, cobrindo-o ainda com uma lona plástica, encontrada no próprio terreno.
IMPOSSÍVEL A DEFESA DA VÍTIMA
De acordo com a denúncia, o crime ainda foi cometido de modo que tornou impossível a defesa da vítima, uma menina de 15 anos, já que foi cometido pelo padrasto, homem de estrutura avantajada contra uma jovem adolescente sem qualquer chance. “Por fim, o crime foi cometido por feminicídio, já que foi praticado contra a mulher, no seio familiar, em razão do próprio sexo dela”, destacou a denúncia.
Segundo a peça acusatória, friamente, o padrasto ainda se apossou do celular da adolescente, e, passando-se por ela, mandou mensagens, para a esposa, dizendo que a menina teria ido para o Rio de Janeiro. Na ocasião, o crime chocou toda a Região Sul Fluminense.
DEMORA EM ENCONTRAR O CORPO PREOCUPOU
De acordo com o promotor de Justiça Marcelo Airoso, a demora em encontrar o corpo preocupou a população local. “Enquanto eram feitas as buscas pelo corpo, o assassino se passava pela menina, mentindo para a mãe dela. No telefone da própria menina, se passando por ela, ele dizia, por mensagens, que não ia voltar para casa e que era para a mãe cuidar bem dele que era um homem religioso e bom padrasto”, disse o promotor.
Ainda segundo o promotor, descoberta a autoria, foi o próprio padrasto que indicou o local onde estava o corpo. “Se ele não dissesse onde estava a ossada, dificilmente alguém ia achar porque, conforme ele mesmo falou, só tinha osso. Uma vez encontrada a ossada, depois feito o exame da arcada dentária, verificou-se que era mesmo da menina”, explicou Marcelo Airoso, ressaltando que o homem é réu confesso pelo assassinato da enteada e que já está preso por outro crime, que é considerado hediondo. “Ele foi condenado no início deste ano a uma pena de 15 anos de reclusão em regime fechado por ter estuprado várias vezes sua esposa, mãe da vítima assassinada”, concluiu o promotor.