Sassaricando – Oscar Nora – 24 de julho de 2021

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Foto: Júlio Cesar Guimarães/COB

Foto: Júlio Cesar Guimarães/COB
Um ano depois, foi oficialmente realizada ontem a abertura dos Jogos Olímpicos Tóquio/2020. A Grécia abriu a parada das delegações e o Japão, país-sede, encerrou o desfile. Como a ordem de apresentação levou em conta a ordem alfabética dos caracteres do Japão, o Brasil foi o 151° país a entrar no Estádio Olímpico de Tóquio.
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Pela primeira vez, o Brasil teve uma dupla de porta-bandeiras: Bruninho e Ketleyn. Bruno Rezende é campeão olímpico de vôlei. Ketleyn Quadros, bronze no judô, é a primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em esportes individuais. Os brasileiros desfilaram vestidos com um uniforme inspirado nos peixes amazônicos, exaltando nossa flora e a fauna.
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O Brasil começou bem a Olimpíada Tóquio/2020. O futebol feminino goleou a China por 5 a 0 e o masculino fez 4 a 2 na Alemanha. Na manhã de hoje a turma da Marta enfrenta a Holanda e amanhã a turma do Richarlson enfrenta a Costa do Marfim. O remador Lucas Verthein avançou as quartas de final no single skiff masculino.
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Se o começo é bom para o Brasil, será que está sendo bom para o comitê organizador? Infelizmente, não! Os Jogos Olímpicos da era moderna, com sua grandeza e visibilidade, sempre conviveram com problemas. Ideologia, etnia, política, dopping, comportamento, fazem parte do portifólio que agora desafia o Japão.
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Nesta edição, logo na abertura, não bastaram os percalços do adiamento, a revolta por sua realização, a falta de público nos estádios, a demissão voluntária de importantes diretores do evento e os cancelamentos de patrocínio. Os quirguistaneses e os norte-americanos assumiram o protagonismo de novas encrencas.
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Indiferentes ao cuidado redobrado com a Covid-19, quase todos os representantes do Quirguistão desfilaram pelo Estádio Olímpico sem máscara. Dos 15 atletas da delegação, apenas um usava a máscara. O país de quase sete milhões de habitantes tem 153 mil contaminados e mais de duas mil mortes.
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Mesmo com toda a preocupação com a pandemia, cem atletas norte-americanos, entre eles o nadador Michael Andrews, candidato a cinco ou seis medalhas de ouro, se recusaram a ser vacinados. Uns por crença religiosa, outros por medo da reação à dose. 100 atletas são quase vinte por cento da delegação de 567 competidores.
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Em 1920, quando participou pela primeira vez do torneio, o Brasil contribuiu, mas de forma positiva, para o elenco das situações olímpicas inusitadas. Sem dinheiro, nossos 21 atletas dormiram no convés do navio até chegarem à Europa. Depois da longa viagem marítima, fizeram longa viagem de trem até a cidade de Antuérpia, sede dos Jogos.
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Exaustos, dormiram profundamente. E foram furtados. E no furto levaram até as pistolas dos competidores das provas de tiro. Mas, graças a generosa doação de outros atletas, os brasileiros puderam competir e obter nossas primeiras medalhas olímpicas.
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Com armas emprestadas, no tiro esportivo Guilherme Paraense conquistou a medalha de ouro. Afrânio Costa, a de prata. Guilherme Paraense, Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade, a de bronze por equipe. Sem dúvida, heróis.
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