Sassaricando – Oscar Nora – 23 de novembro de 2021

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Das regiões Sul e Norte do Estado do Rio de Janeiro surgiram famosos craques do futebol brasileiro. São dezenas, centenas de habilidosos jogadores capazes de formar, ao mesmo tempo, somente eles, vários times. Muitos já se foram e moram no céu, mas a sucessão deles é uma rica e inesgotável fonte.
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Para enumerar somente alguns, em Campos dos Goytacazes nasceram Pinheiro – zagueiro firme do Fluminense; Amarildo Tavares Silveira, o Amarildo possesso, aos 81 anos vivendo em sua terra natal, e Didi, inventor do chute “folha seca” que infernizava a vida dos goleiros.
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Em Barra do Piraí nasceu Paulo Valentim, centroavante corajoso que viveu tórrido romance. Tão tórrido que virou a novela de televisão “Hilda Furacão. Em Barra Mansa nasceu Coronel, intrépido lateral esquerdo do Vasco. Em Volta Redonda nasceram Claudio Adão, também excelente atacante, e Deley habilidoso meio de campo, conhecido como chicletes, porque a bola parecia estar sempre colada aos seus pés.
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Estou cometendo injustiças, sei, ao omitir outros grandes jogadores do passado e da atualidade que saíram do interior para brilhar na capital. Prometo pagar a penitência em outra ocasião, aproveitando esta Coluna para falar de Manoel Tavares Allemand, craque nascido em Campos que brilhou no Rio de Janeiro e depois em Volta Redonda.
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Allemand treinou, gostaram dele e o Flamengo o escalou no time como titular. Meia-direita tinhoso estreou no dia 6 de agosto de 1925 com um dos gols na goleada de 5 a 1 do Flamengo sobre o CR Gragoatá, de Niterói. Sua última partida no Flamengo foi no dia 21 de novembro de 1926. Logo no primeiro minuto, Allemand abriu o placar para o Flamengo e a partida terminou em 5×1. Ironicamente, contudo, dessa vez a favor do temido São Cristovão. O Flamengo atuou com Amado, Hélcio e Penaforte; Favorino, Flávio Costa (Alfredo) e Japonês; Aché, Allemand, Nonô, Fragoso (Vadinho) e Moderato. Téc: Juan Carlos Bertoni e Joaquim Guimarães.
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Foto: Divulgação

A carreira do craque terminou porque ficou difícil conciliar o futebol com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense onde obteve classificação para a primeira turma da UFF. Formado, Dr. Allemand foi ser médico sanitarista no Maranhão onde conheceu dona Edna D’Aguiar Silva Allemand. Casaram-se e do consórcio vieram as filhas Alice e Eliane.
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O surgimento da Companhia Siderúrgica Nacional atraiu o Dr. Allemand e ele veio para a cidade do aço com sua família. Foi um dos primeiros médicos de Volta Redonda. Ele, Dr. Maciel e Dr. João Pio. Os anos se passaram e dona Eliane, mocinha, conheceu Rosuel. Dr. Rosuel Zaidan, fundador da mais famosa clínica de olhos da região e do interior do estado.
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O futebol perdeu um craque, mas nossa região ganhou um médico competente e dedicado que faz parte da história de Volta Redonda. Dona Alice, sobrinhos. Dona Eliane + Dr. Rosuel três filhos: Miguel Allemand Zaidan, Gisele Zaidan Azevedo, Rosuel Allemand Zaidan. Tendo descalçado as chuteiras e empunhado o estetoscópio, Dr. Allemand e dona Edna deram início a uma querida família.