Sassaricando – Oscar Nora – 20 de maio de 2020

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Foto: Divulgação

Quando o atleta norte-americano Jent, medalha de ouro nos 100m T35 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 cruzou a linha de chegada e levantou o braço do Brasileiro Fabio da Silva Bordignon, seu gesto cristalizou a filosofia do Barão de Coubertin, organizador dos Jogos Olímpicos Modernos.
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Jent era cobra criada na prova dos 100m enquanto Fabio, medalha de prata, disputava a modalidade pela primeira vez, depois de ter passado pelo futebol de 7. A façanha de Fábio e o gesto de Jent lembram Coubertin porque para o francês mais importante do que vencer é competir e porque não pode haver jogo sem fair play.
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Em 1920 Guilherme Paraense conquistou a primeira medalha olímpica para o Brasil em razão dessa filosofia. Sem as suas armas, furtadas na véspera da prova de tiro, o brasileiro disputou a modalide com armas emprestadas por seus colegas norte-americanas. Paraense ganhou a medalha de ouro graças ao fair-play dos adversdários.
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No futebol o fair play nem sempre frequenta todas as partidas. Em 2012, por exemplo, Luiz Adriano marcou o gol da vitória do Shakhtar Donetsk depois que os jogadores do Nordsjaelland ficaram parados esperando que ele devolvesse a posse de bola após uma interrupção. Nada disso, Luiz Adriano disparou pelo gramado e marcou o gol. Deu um bafafá e Luiz Adriano recebeu severa advertência da União das Federações Europeias de Futebol.
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Um ano antes, o Gela vencia por 2 a 1 quando rolou a bola pela lateral para o atendimento a um dos seus jogadores caído no chão. Sem praticar o fair play, o Foggia cobrou o arremesso lateral encaixando uma jogada de ataque e marcando o gol de empate. Como era sangue latino em campo, tudo terminou em animada pancadaria com ajuda até mesmo dos jogadores reservas.
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Em 1989, em Santiago, presenciei um lance bizarro. Falta em dois toques dentro da área do Brasil. Enquanto Taffarel organizava a barreira, Gonzáles não esperou o apito do juiz e marcou o gol do Chile. A partida, que teve a expulsão de Romário, ficou conhecida como a batalha de Santiago. Na revanche, ano seguinte no Maracanã, o goleiro Rojas, com ajuda do massagista, simulou ter sido atingido por um foguete sinalizador. A falta de fair play baniu Rojas do futebol e tirou o Chile da Copa do Mundo.
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Em matéria de fair play existe também o fair play indireto. Ano retrasado o Ajax vencia por 2 a 0 quando o árbitro paralisou a partida para atendimento do jogador do Cambuur. Devolvendo a bola ao adversário, o chute de Jan Vertonghen, quase do meio de campo, encobriu o goleiro do Cambuur; 3 a 0. Envergonhados com o que aconteceu, os jogadores do Ajax ficaram parados após o recomeço da partida. Livre, Houwing correu e fez o gol de honra do Cambuur.
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Foto: Divulgação

O mais recente gesto de fair play ocorreu no Engenhão, nas Olimpíadas Rio/2016. A fundista da Nova Zelândia Nikki Hamblin, uma das favoritas para vencer e mesmo estando perto do final da prova de 5 mil metros, parou para socorrer a americana Abbey D’Agostino, dos EUA, depois de uma queda da adversária. Nikki não foi ao pódio, mas recebeu a honrosa medalha do fair play olímpico.