Sassaricando – Oscar Nora – 2 de julho de 2022

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Foto: Internet

Opinião não é julgamento. Quem julga, quem sentencia é o juiz, é o magistrado nas suas diferentes jurisdições. Julga monocraticamente ou, contribui com seu juízo pessoal no colegiado dos tribunais onde, outros juízes também contribuem com seus juízos pessoais, até se obter a sentença definitiva. Por essa razão, uma opinião é apenas um conceito individual de refletir sobre determinado fato.
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Assim, cuidadosamente exposto, minha opinião é de que decidiu sabiamente a Justiça do Rio ao negar o pedido do jogador de futebol Márcio Almeida de Oliveira, o Marcinho, para que ele deixe o país para jogar no exterior. A defesa de Marcinho alegou estar sendo difícil ele conseguir emprego em um clube do Brasil, diante da repercussão midiática dos atropelamentos e mortes que ele causou.
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Sobrinho dos treinadores de futebol Waldemar e Oswaldo de Oliveira, Marcinho obteve um contrato com o Pafos FC, do Chipre, mas o Ministério Público do Estado do Rio se manifestou contrário à sua ida para a Europa. Apreciando a questão, o juiz Rudi Baldi Loewenkron, da 34ª Vara Criminal do Rio, negou o pedido.
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O magistrado sustentou sua decisão, alegando não ser viável que Marcinho deixe o Brasil sem previsão de retorno, sob o risco de frustrar a aplicação da lei penal. Como se recorda, Marcinho tornou-se réu por homicídio culposo, ao atropelar e matar, no Rio, em dezembro de 2020, um casal de professores, fugindo do local sem prestar socorro.
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Não sei se ainda estão por lá. Mas, nos anos 60, 70, advertindo para o perigo do eventual vão entre a proa das barcas e o assoalho dos embarcadores no trajeto marítimo entre o Rio e Niterói, uma frase escrita no alto da parede, visível para quem passasse por lá, trazia um sábio conselho aos apressados: “perca um minuto na vida, mas não perca a vida em um minuto.”
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Outro ditado popular – “apressado come cru” – também é sábio e deveria estar numa espécie de cartilha dos jogadores de futebol, especialmente dos mais afoitos. Atléticos, famosos, gastadores, jogadores são presas interessantes para as marias-galinhas, marias-gasolina, marias-piratas.
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Citando apenas alguns jogadores, no Brasil e no exterior, que já sofreram ou estão sofrendo dissabores por tais razões, temos o goleiro Bruno, Jobson, Robinho, Lucas Piazon, Andrey, Ched Evans, Adam Johnson, Franck Ribéry e Karim Benzemá. Contudo, ainda que admirados e festejados por seus talentos, não estão acima da lei e da ordem social.