Saída da Ford: Deputados federais da região se colocam dispostos a tratar Reforma Tributária rapidamente

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BRASÍLIA/SUL FLUMINENSE

Com a saída da Ford do Brasil anunciada no início da semana passada, a discussão do chamado custo Brasil foi reacendida.  O custo Brasil corresponde a uma medida do quanto é mais caro produzir no país do que em outros em função de ineficiências e demais custos da economia. Com a decisão da Ford, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) têm se posicionado a favor de uma discussão no Congresso Nacional a respeito de uma reforma tributária que reveja o custo Brasil.  A região das Agulhas Negras é um polo automotivo. E os dois deputados federais que representam o Sul Fluminense admitem que há uma necessidade urgente de discutir maiores facilidades para investimentos no Brasil.

Um estudo feito no ano passado estimou que as empresas instaladas no Brasil têm um custo R$ 1,5 trilhão superior a uma média de países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE). A intenção do governo federal, em novembro do ano passado, era de que esperava zerar o custo Brasil num prazo de cinco anos.

A Anfavea tem feito alertas há mais de um ano sobre o setor automotivo e dos custos para produção no país. “Corrobora o que a entidade vem alertando há mais de um ano sobre a ociosidade local, global e a falta de medidas que reduzam o Custo Brasil”, diz nota. Já a CNI destacou que o Congresso precisa se posicionar aprovando uma reforma tributária que “se apresenta como a prioritária para a redução do principal entrave à competitividade do setor industrial brasileiro”.

O Ministério da Economia lamentou a decisão da Ford e apontou que trabalha intensamente na redução do custo Brasil com iniciativas que já promoveram avanços importantes.

POLO AUTOMOTIVO DA REGIÃO

O deputado federal Antonio Furtado (PSL) destacou que a decisão da Ford pegou o mercado, governo e os trabalhadores de surpresa. Acendeu realmente um alerta para a necessidade de uma reforma tributária e programas de incentivos para atração e modernização das empresas. Especificamente sobre o setor automotivo, Furtado lembrou que vem em ritmo lento desde a crise de 2014, acentuado ainda pela pandemia de Covid-19. “Como estamos em uma região com um polo automobilístico que reúne grandes montadoras, devemos estar mais atentos e buscar entender como as empresas estão encarando o mercado brasileiro e como podemos auxiliar para preservar e gerar novos postos de trabalho. Sabemos que essa é uma decisão isolada da Ford e não reflete nas outras montadoras.

Entendo que o custo Brasil é alto e tem deixado o nosso país menos atraente e com poucos estímulos para que os empresários nacionais e estrangeiros possam fazer investimentos e gerar novos empregos”, apontou, frisando que desde 2019, quando assumiu, tem acompanhado conversas e propostas sobre a reforma tributária. Ele acredita que o assunto entre em votação em março na Câmara dos Deputados.

“Pretendo, inclusive, conversar com os prefeitos das cidades da região que tem montadoras, como Resende, Itatiaia e Porto Real, para saber das necessidades e encontrarmos juntos as soluções”, completou.

Outro deputado que representa o Sul Fluminense em Brasília é Luiz Antonio (DC). Ao A VOZ DA CIDADE, o parlamentar lamentou a saída da Ford do Brasil, por uma estratégia global. Para ele, a reforma tributária é a mais importante para o país. “Investir no Brasil é muito difícil. Um estudo recente do Fórum Econômico Mundial apontou que o principal problema para fazer negócios no Brasil são os tributos — tanto por causa dos altos valores que devem ser recolhidos quanto pelo tamanho da burocracia para fazer isso. Hoje, ocupamos a vergonhosa 72ª no ranking de competitividade que abrange 140 países”, dissertou.

Com a reforma, o deputado entende que será o fim das guerras fiscais entre entes federativos, que por vezes criam incentivos inconstitucionais para competirem uns com os outros.

FECHAMENTO DA FORD

A Ford anunciou nessa semana o fechamento das fábricas em Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP), além do fim da produção dos veículos no país. Ao menos cinco mil funcionários serão demitidos no Brasil e na Argentina.

 

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